Capítulo IV
O Presente
“...Dizem que os presentes, dobram até os augustos deuses e que o ouro, tem mais poder para os mortais que mil pedidos”
Eurípedes ( 485 a.C.- 406 a.C.)
Roberta trabalha naquele palácio há um bom tempo. Nunca teve grandes problemas com ninguém ali. O deputado Bezerra, apesar da fama de mulherengo, nunca chegou perto dela, sorte, pois já tinha ouvido estórias medonhas sobre aquele homem.
Na saída do banheiro, ela esbarra com uma moça loura que tinha ido ali retocar a maquiagem. Provavelmente, mais uma das inúmeras amantes do deputado. Ele sempre se cercava de mulheres e nunca era visto tendo atitudes amáveis com quer que seja, no máximo, um sorriso sarcástico ou de deboche era visto sendo expressado pelo seu rosto de traços fortes.
Uma vez, de frente para o espelho que ficava acima da pia de sua casa, ouvira e vira uma aparição, imaginava ser um espírito. Ou estava ficando louco ou então era uma médium e não sabia até aquele momento. O fato é que, por medo, rejeitava a idéia de travar novamente contato com aquilo novamente.
Voltando para sua mesa em seu setor na assembléia , resolve dar uma olhada para a rua, de uma hora para a outra começou a chover muito forte na cidade, chuva de verão, deveria acabar logo, no entanto o centro da cidade estava inundado, um verdadeiro caos.
Ao olhar com mais atenção para a rua, inundada de forma a formar um pequeno rio com correnteza e tudo, viu novamente a imagem da senhora idosa que já havia aparecido para ela antes...
Daniel acordou animado! Tudo o que estava acontecendo em sua vida, desde ontem, era ao mesmo tempo aterrador e fantástico. Conhecera monstros, realidades futurísticas (mesmo que de muito relance) gente com poderes como ele...
As vezes, quando seus avós estavam adoentados ou enfraquecidos, achava que a culpa era sua. Já que seu corpo retirava energia de substâncias vivas e talvez até do ambiente ou redor, poderia ser o causador de enfermidades ou enfraquecimentos. Quando criança tinha matado alguns animais pequenos e plantas por conta desse poder. Estranho, pensou...os outros afirmavam que suas habilidades haviam surgido na adolescência, mas ele sabia que desde muito cedo já aflorava nele seus poderes, mesmo que de forma moderada.
Buscou um número de telefone entre sua agenda eletrônica...
_ Alô? Oi Daniel!
_ Oi Samara! Te liguei porque hoje a gente podia ver aquele lance, sobre o que você falou.
_ Claro, acho que se vocês me levarem pela orla da cidade, posso identificar a imagem do lugar que tenho na minha mente, desculpe dar esse trabalho, mas é que não conheço muito bem o Rio...
_ Sem galho. Vou ligar pros caras...
Em outro lugar:
_ Muito louco essa chuva de verão que surgiu do nada!
_ Pois é, Vicente, só atrapalhou mais ainda pra achar o cara.
_ Mas o sol está aí de novo, tão forte quanto antes. Temos que achá-lo Fabiano.
_ Olha...Muito tempo já se passou, carinha...você tem que convir. Com a influência que ele estava sofrendo, mas a queda, as correntezas daqui...tudo isso...
_ Não! Você pode fazer mais! Por que não faz?
Fabiano por um momento olhou mais a fundo para Vicente. Não é que não quisesse achar o cara que conhecera ontem, mas muito tempo se passou realmente desde a queda. E não havia sinal algum de corpo. Pra piorar, logo após começarem a descer as pedras até a altura do mar, uma chuva de verão fortíssima surgiu do nada e deixou o mar mais revolto, agora, minutos depois, o sol novamente brilhava, mas seu companheiro de busca estava com o braço quebrado e sangrava.
Podia parecer frieza, mas Vicente tinha que se preocupar agora consigo, pensava Fabiano. Talvez já fosse hora de levá-lo a um hospital ou clínica. Ao olhar para o rapaz, Fabiano sentiu uma ponta de orgulho, mesmo detonado como estava, continuava com a idéia fixa de que poderia salvar Charles.
_ Vamos embora, carinha. Vamos tratar dessa “asa” quebrada.
_ Mas Fabiano...
_ Sem mais, moleque . Olha o seu estado. Você usou a cara pra bater na mão do Groove! Mas tenho que admitir, tirando eu, é claro, acho que você foi o que deu mais trabalho pra aquele filho da mãe, até hoje.
_ Jura? Quem era ele? Você conhece aquele cara da onde?
_ De muitos anos no passado. É uma longa estória.Não vou contar agora. Vamos indo.Aliás, deixa eu dar uma olhada melhor em você...
_ Você é médico? _ Perguntou Vicente.
_ Veterinário.
_ Vai se danar!_ Riu, se afastando de Fabiano.
_ O princípio é o mesmo, carinha, deixa eu te ver melhor.
Roberta, foi fumar no telhado do prédio onde trabalhava, lá era chamado de cantinho da fumaça, já que era proibido fumar dentro da Alerj, todos os funcionários iam pra lá, dar uma escapadinha e desfrutar de alguns instantes com seu vício. Já era tarde e a maioria dos funcionários haviam ido embora.
Como trabalhava no cerimonial, e no dia seguinte teria uma solenidade, apenas seus pouquíssimos colegas de função e alguns seguranças ainda estavam no prédio a essa altura. E ela ainda deveria ficar um tempão.
Alguém estava subindo para o telhado, por instinto Roberta se escondeu atrás de uma pequena mureta de tijolos, não sabia ao certo quem vinha lá, podia ser um de seus colegas “viciados”também, ou pior, sua chefe. Que não poderia encontra-la dando essa escapadinha, muito menos fumando.
Não era a sua chefe, era o deputado Bezerra! Mas o que ele ainda estava fazendo na assembléia a essa hora? Bom, o deputado era outro que se mostrava inimigo número um do cigarro no trabalho...será que ele também veio aqui fumar???
Jonas Bezerra não reparou que estava sendo vigiado naqueles instantes. Ao contrário, tinha certeza de que o prédio estava limpo, fora meia dúzia de gatos pingados trabalhando feito “burros de carga” lá embaixo.Seu encontro era previsto para aquela hora. E tinha pressa de acertar o que faltava de seu plano. A tempos fazia a sua parte do acordo muito bem feita. Claro que obtivera ajuda de Martha e Pallas para se eleger, de Pallas a ajuda era incondicional, já de Martha, tinha que usar de certos artifícios.
Roberta ficou intrigada. O deputado estava parado ali no telhado, olhando pro nada, tudo bem que a vista da baía de Guanabara era de tirar o fôlego, mesmo de noite, mas ele não parecia o tipo de cara que se encantava com tais coisas...estaria esperando uma amante? Talvez sua chefe? Pois daria muito na cara se fossem vistos naquela hora no gabinete um do outro...não queria bisbilhotar. Mas tinha que continuar ali escondida, se fosse vista, como iria explicar o que estava fazendo ali?
Jonas avistou de longe a pessoa que aguardava. Nem Pallas ou Martha sabiam da sua existência. Essa aliança era totalmente secreta, mas necessária.
Roberta não acreditou quando viu. De longe, longe mesmo, um helicóptero totalmente silencioso. Que fez pouso no telhado do edifício. O deputado Bezerra foi receber a visita.
De dentro da aeronave saiu um homem muito alto, louro, nos meados dos seus quarenta anos.Bezerra fez menção de cumprimenta-lo, mas ele não estendeu a mão de volta para o deputado.
As pás, do helicóptero paravam de girar, mas já que não faziam som algum, não era muito difícil tentar escutar o que diziam...parecia que discutiam por causa de alguma coisa.O interessante era que parecia sair um vapor da boca do deputado Bezerra, quando falava próximo ao estranho. Como se estivesse frio e na verdade estava muito! O dia tinha sido de verão intenso , a noite estava muito quente até aquele cara aparecer. De onde estava, Roberta podia sentir calafrios, como era possível?
_ Eu já disse Isaac. A maioria das pessoas que tem poderes como nós, estão trabalhando pra mim. O resto, não deve nem ser levado em consideração. Possuem dons sem aplicação alguma.
_ Jonas... você sabe o que aconteceu com o Adriano...
_ Sei, mas...
_ Por que não fala sobre isso? Foi um “detalhe”o que aconteceu com ele, hoje de manhã na Urca? _ Perguntou Isaac.
_ Groove foi agredido pelo que pareciam ser dois “caras especiais”...
_ Chegou no ponto, Jonas! Você não tinha dito que todos trabalhavam pra você? Ah...deixa eu pensar direito...eles eram pessoas com dons insignificantes, não é? Apenas derrotaram um dos nossos agentes classe “alpha”, extremamente treinado no uso de seus poderes por sorte, não é mesmo?
_ Mas nós matamos um terceiro que se recusou a fazer parte da nossa “família”, Isaac.
_ Será mesmo? Sou uma pessoa avessa a tecnologia, Jonas, mas recebo memorandos,você não lidera essa operação sozinho, você e suas assistentes tem que prestar contas pra nós três também, “deputado Bezerra”. E os serviços de Adriano também estão a nossa disposição, ele é um soldado valioso, se algo acontecesse, onde iríamos encontrar outro como ele?
_ Talvez entre os mesmos caras que deram trabalho pra ele hoje? O que acha Isaac?
_ O “terceiro”que você alega ter matado, era perfeito...uma pena.
_ Esse não pôde ser comprado, Isaac, mas quem sabe, um dos outros dois? Adriano contou que conhece um deles de muito tempo e que é bastante “habilidoso”. Talvez outro classe “alpha”?
_ Pode ser...eu queria mesmo pra trabalhar conosco, o homem que você matou...
_ Foi melhor assim, Pallas havia se envolvido emocionalmente com ele.
O telefone celular de Roberta tocou nesse instante. Droga! Ela costuma deixar o aparelho sempre em cima de sua mesa pra que isso não acontecesse, mas justo hoje, esqueceu e colocou no bolso da calça! Olhou de relance o número de quem a ligava, sua mãe!Desligou o aparelho.
Isaac e Jonas ficaram de prontidão, correram pra ver quem os estava vigiando. Jonas localizou Roberta onde estava escondida e gritou para que fosse até lá. Ela estava assustada e não sabia o que era pior, correr dali ou ficar e ver no que dava ? Mas eles falavam de assassinato!
Na dúvida, Roberta se manteve firme e parada no mesmo lugar, se esses caras resolvessem se aproximar, iam ver!
Ao seu lado, havia um muro que projetava uma grande sombra contra outra parede . Para seu terror, foi dessas sombras que emergiu o deputado, agarrando-a pelo braço! Mas ele não estava agora mesmo lá longe, na sua frente? Agora estava, metade dentro das sombras, metade para fora, segurando-a!
_ Calma menina! Vamos conversar um pouco, o que foi que você ouviu?_ Falou Jonas.
_ Me larga! Socorro!!! _ Gritou Roberta desesperada.
_ Fique calma. Vamos conversar. _ Falou Jonas
Ela nem pensou muito nas conseqüências do seu ato. Queria mesmo era fugir, sobreviver. Sua pele superaqueceu em segundos e Roberta soltou de suas mãos uma rajada de fogo em cima do deputado, que num grito de dor recuou para dentro das sombras. xingando-a!
Isaac de onde estava, preferindo não se aproximar ao ver o que a moça podia fazer. Resolveu agir:
_ Então essa mulher também é mais uma das pessoas que não se juntaram a você e que tem habilidades sem muita aplicação “deputado Bezerra”? Acho que está na hora de rever seus conceitos! _ Riu.
_ Eu vou acabar com essa vadia! _ Respondeu Jonas, ao aparecer em forma de sombra, vindo do chão, atrás de Isaac.
_ Deixa isso comigo , você já fez muita porcaria até aqui...
Isaac apenas olhou para Roberta, um frio glacial surgiu naquele lugar, tudo foi se congelando automaticamente, do ponto de partida, que era o próprio Isaac e de forma circular, avançando em direção da moça. A onda de gelo nem mal tinha alcançado Roberta e ela já sentia que iria morrer, sua garganta e seus ossos pareciam ter congelado, só no momento que ele iniciou aquele efeito.
A onda de gelo avançava para cima de si, ia morrer em poucos segundos ou menos, não teve escolha...acionou seu poder totalmente.
Bem diante dos olhos dos dois, Roberta transformou-se em uma pira de fogo humano, o telhado todo se iluminara como se uma grande lanterna houvesse sido acesa! Inclusive Jonas com o efeito, fora obrigado a reverter a sua forma humana totalmente.
Ao contrário de Jonas, Isaac não se mostrou impressionado ou derrotado, continuou a emitir a onda glacial que projetava de si, sem nem piscar. Roberta sabia que talvez só tivesse prolongado para si, apenas alguns segundos a mais, pois não podia manter aquela forma “flamejante” por muito mais tempo e já sentia sua chama diminuir de intensidade. Isaac mantinha a concentração e iria supera-la logo.
Ao seu redor, uma grande poça de água já havia se formado, conseqüência do derretimento de todo aquele gelo, que mais e mais surgia em sua volta e em volta de tudo. Ouviu então, uma voz já conhecida:
_ “Roberta Maia...venha para a água!!!”
Isaac e Jonas viram bem diante de seus olhos a moça mergulhar de corpo inteiro, como se caísse em um poço muito fundo, na poça de poucos centímetros de altura...
Fim da primeira parte.
Capítulo IV Parte 2
Noite de lua cheia no Rio, Daniel e Samara encontraram o lugar onde supostamente estaria o “presente”que a velha da água havia mostrado em imagem mental para a moça, no encontro que tiveram anteriormente.
Alguns telefonemas foram feitos e minutos depois Fabiano , Vicente e Fátima chegaram na lagoa Rodrigo de Freitas, onde os dois já estavam. Os jovens ficaram preocupados com Vicente, quando o viram com o braço quebrado e sérias manchas e escoriações. Fabiano contou o que aconteceu com ele e com Charles,contou que logo depois de tudo levou o colega pra um hospital e tomou todas as atitudes possíveis. O clima pesou e um deles teve que quebrar o silêncio.
_ Aqui? Foi aqui a imagem que você viu Samara??? _ Perguntou Fátima.
_ Foi, tenho certeza, gente.
_ Ta bom...o que a gente faz agora, grande líder? Sâmara, você não sabe mais nada? Não sabe como a gente tira o tal presente da água?_ Perguntou Fabiano.
_ Infelizmente não... _ Respondeu a moça.
_ Eu já achei o lugar, fiz a minha parte! _ Falou Daniel.
Vicente ficou calado por uns instantes, pensativo.Parecia que estava tentando enxergar através da água escura da lagoa o que poderia estar escondido em seu leito. Todos ficaram em silêncio esperando a resposta. Vicente parou a vista em um determinado ponto espantado. Os jovens notaram essa atitude de colega. Então começou a falar.
_ Vocês todos sabem o que aconteceu hoje...não é possível pensarmos que o que se passou com Charles, não vá acontecer com todos nós. Ele sabia muita coisa que não nos contou, coisas que talvez mesmo que entremos em contato com essa “entidade”que tem nos ajudado, não saibamos tudo. Só estou aqui falando com vocês, porque miraculosamente o Fabiano estava por perto para me salvar...
_ Caraca! Que sorte! O que você estava fazendo lá na praia vermelha naquela hora, Fabiano? _ Perguntou Daniel.
_ Eu fui pegar um sol...desanuviar a cabeça, depois de tudo que aconteceu com a gente...
_ Portanto, antes de mais nada, antes que eu conte o que eu estou vendo no fundo da lagoa, eu acho imperativo que fiquemos mais unidos ainda do que poderíamos ficar antes desse fato... _ falou Vicente.
Nesse momento Guilherme chegou, desculpando-se pela demora. Afinal de contas, tinha vindo do Méier enquanto todos os outros moravam mesmo ali por perto. Logo em seguida Fabiano contou a ele o que havia ocorrido na manhã daquele dia. Guilherme não queria demonstrar, mas dessa vez realmente estava começando a achar aquela “brincadeira”muito perigosa. Não era um guerreiro por natureza. Não gostava de conflitos e violência, nem em filmes americanos. Vicente ao ver Guilherme teve uma idéia:
_ Acho que está na hora de alugarmos uns pedalinhos!
_ Pedalinhos? Adoro passear de pedalinho! _ brincou Fátima.
_ Cara, mas fala! Você viu algo dentro da lagoa? O que foi que você viu? _ Perguntou Daniel.
_ Vamos pro pedalinho que eu falo! _Respondeu Vicente.
_ Fala agora, Puto! _ Insistiu Daniel.
_ Cala a boca, Daniel! Tenha um pouco de paciência!!! _ Brincou Vicente
_ Fala baixo, comigo! _ Respondeu Daniel.
Vicente nada disse, foram todos alugar um daqueles pedalinhos grandes, para seis pessoas. De lá, pedalaram até o meio da lagoa. Durante o trajeto, mesmo que não falassem nada, cada um, em silêncio pensava no que tinha acontecido com Charles.
Samara que sentara ao lado de Fátima falou:
_ Muito lindos esses barquinhos em forma de cisne, não é?
_ São mesmo.
_ Ele não parecia má pessoa...o Charles...
_ Não? Ah...tá! Você só esteve com ele aqueles minutos na casa do Daniel...tinha me esquecido... _ Falou Fátima.
_ Ele era uma pessoa difícil, não é? _ Falou Samara.
_ Difícil? Difícil sou eu!!!
_ É, vocês são arroz do mesmo saco!!!!
_ Não brinca com isso não, menina! _ Respondeu nervosa Fátima.
Daniel sentado ao lado de Vicente perguntou:
_ Cara...o que é que tem aí dentro dessa lagoa?
_ Poxa vida! Você não desiste, Daniel! _ Respondeu Vicente ainda brincando.
_ Ta bom, quer fazer segredo, tudo bem...está doendo muito...o braço?
_ Muito, Daniel, pra caramba, mas não é só isso que dói.
_ Eu sei...também gostava daquele escroto...como é que pode , não é?
Os dói riram juntos pela primeira vez.
_ Obrigado Daniel.
_ Obrigado pelo quê, Vicente?
_ Por me apoiar, por apoiar minhas decisões e por acreditar...
_ Fica calado, moleque! Você é o cara, “rapa”!
No último acento do pedalinho, Guilherme e Fabiano:
_ E aí, gordinho. Tudo certo com você, não falou uma palavra desde que chegou?
_ Eu estou confuso, Fabiano, não achava que o que aconteceu com o Charles fosse acontecer...ainda mais tão cedo...tudo está acontecendo muito rápido.
_ Entendo, Guilla...mas vou te dizer uma coisa, eu tenho muita fá, fé de que vamos virar esse “jogo”que está acontecendo secretamente por aqui, fé de que vamos fazer a diferença.
_ Legal...mas como você consegue ter tanta fé?
_ Vai por mim, gordinho, eu sei do que estou falando. E te digo mais, comigo do lado você não tem do que se preocupar, eu pretejo você!
_ Ah...tá...obrigado...
Eles pedalaram até um ponto próximo ao que seria o meio da lagoa, quando Vicente falou:
_ Todo mundo! Gente, podem parar de pedalar!
_ Eu quero saber, por quê a gente pedalou toda essa distância se dava pro Vicente ter empurrado o barquinho até aqui!!! _ Resmungou Daniel.
_ Deixa de ser preguiçoso, menino! Assim foi muito mais divertido! _ Falou Fátima.
_ Divertido pra você e a Samara, pois no meio não tem pedal pra vocês pedalarem! Faz um tempão que mão malho ou faço qualquer atividade física e estou com a coxa doendo!
_ Galera, vocês tem que ver o Guilla! Olha só ele! _ Gritou Fabiano.
_ Caraca! Tá saindo fumaça do corpo dele!!!! _ Brincou Daniel.
Todos riram de Guila, que devido ao esforço, seu corpo aquecido ao contato com o sereno da lagoa, provocava a evaporação do seu suor.
Vicente virou-se para trás e falou com ele.
_ Guilla. Agora eu acho que é contigo.
_ Comigo, Vicente?
_ Olha, eu consigo ver o que tem aqui embaixo...Eu posso ver através dos objetos, como se eles fossem transparentes pra mim...
_ Como uma visão de raio-x? _ Perguntou Daniel.
_ Isso mesmo e antes que você pergunte Daniel, não, não costumo usar esse dom pra ver através da roupa das mulheres ou dos vestiários femininos...
_ Deus não dá asa à cobra... _ Lamentou-se Daniel.
_ Mas você ouviu, Daniel...ele falou que “não costuma”...então de vez em quando... _ Riu Fabiano.
_ Quantos metros vocês acreditam que tenha essa parte, que é a mais funda da lagoa? _ Perguntou Vicente.
_ Uns dois metros. _ Respondeu Fabiano.
_ Isso... _ ainda olhando para o espelho dàgua , como se pudesse ver através dele _ Agora, temos que levar em conta que o fundo pode ser muito maior nesse determinado ponto, e que portanto haja maior acúmulo de lodo...
_ Onde você quer chegar, Vicente? _ Perguntou Guilla
_ Eu quero pedir que você transforme todo o lodo que está bem abaixo de nós... em uma circunferência de aproximadamente uns 30 metros de diâmetro em mais água ou qualquer outra substância liquida possível pra mim.
_ Não poluidora! _ Brincou Fabiano com Guilla.
_ Eu nunca tentei nada parecido! Não sei se vou poder... _ Falou Guilla.
_ Eu sei! Estou apenas lhe pedindo, conseguiu, beleza! Não conseguiu, paciência. Eu acredito em você! _ Falou Vicente.
_ Pra que tudo isso, Vicente? _ Perguntou Samara.
_ Vai facilitar muito o meu trabalho, Samara. Eu não empurrei o barquinho até aqui, pra poupar energia, mesmo assim, mesmo o Guilla conseguindo fazer o que lhe propus, não há certeza de eu conseguir ter sucesso no que só eu posso fazer aqui.
Guilla se concentrou. Colocou as mãos dentro da água e tentou imaginar o lodo abaixo de si, no fundo da lagoa. Na sua mente então, ordenou que, toda a extensão desse lodo, dessa lama, se transmutasse em mais moléculas de hidrogênio e oxigênio. Vicente continuava olhando pra dentro da lagoa, até que...
_ Você conseguiu, Guilla! Você conseguiu!!! _ Gritou Vicente.
_ Parabéns, gordinho! _ Falou Fabiano, enquanto lhe abraçava.
_ Agora é a minha vez, galera...
Vicente se concentrou, sabia naquele momento que nada podia garantir que conseguisse realizar o que tinha em mente. Imaginou se seus poderes dependiam de alguma espécie de “carga de força”, como os de Daniel. Assim sendo, poderia passar por uma fatiga energética da mesma forma que o colega. Mas no caso de seus poderes, do nível psiônico de suas habilidades, o que o limitava era a sua força de vontade. E força de vontade não lhe faltava . Muito menos, vontade de erguer o objeto que precisava, do fundo daquela lagoa. E Vicente fez o que tinha que fazer.
A vista de todos, uma enorme aeronave prateada, em uma forma que lembrava uma arraia de aço, foi totalmente levitada até um metro do nível da água, pela energia mental de Vicente.O luar refletia sobre sua superfície polida, Daniel falou, maravilhado:
_ ...É...luz é tudo!
Continua...
sábado, 5 de maio de 2007
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