Capítulo V
Objeto Voador Não Identificado
Guto, Ainda estava no boteco bebendo, Tinha que trabalhar naquela noite, mas continuava “entornando”. Gostava de beber, mas bebia ainda mais, pra tentar silenciar a voz que de tempos em tempos no início, agora, todos os dias, ele ouvia.
Era impossível continuar no pequeno bar, mas seu dinheiro acabara.Resolveu ir se adiantando e foi para o trabalho a pé mesmo.
No caminho, desviou de uma poça de água na rua, um carro passou a toda em cima dela, naquele instante, ouviu então, uma voz de mulher:
_ “Gustavo Oliveira...vá para a água!”
Todo ensopado, Guto ainda teve tempo de dizer:
_ Merda!
Lagoa Rodrigo de Freitas:
_ Como vamos entrar aí? Vocês estão vendo alguma porta? _ Falou Daniel.
_ Eu consegui! Eu consegui! _ Comemorava Guilla.
_ Parabéns, gordinho! _ Falou novamente Fabiano.
_ Gente...eu acho que o Vicente continua mantendo essa coisa suspensa no ar..._ Falou Fátima.
_ Uhhhhhhhhhhhhhhhhhh... _ Respondeu Vicente.
_ Dá pra levar até terra firme? _ Perguntou Fátima.
_ Nãooooooooooooooooooooooooooo..._ Respondeu Vicente.
_ Essa coisa é muito larga pra poder pousar em qualquer ponto da margem da lagoa. _ Disse Samara.
_ Firme, carinha! Vamos te ajudar...de alguma forma... _ Falou Fabiano.
_ Guilla, se você fez o mais difícil, como você disse agora a pouco...transforma a água embaixo dessa coisa em algo que ela possa ficar em cima sem afundar! _ Falou Daniel.
_ Isso! Faça isso logooooooooooooo. _ Falou com muita dificuldade Vicente.
_ Claro...vou fazer... _ Falou inseguro Guilla.
_ Se essa coisa escapar do Vicente e cair na água agora,o impacto disso na água vai virar o pedalinho... _ Falou Fátima. _ e essa água é nojenta!!!
Guilla se concentra, coloca as mãos próximas da superfície da lagoa e imagina que todo o volume de água embaixo da enorme aeronave se tornaria pedra...e consegue!
Vicente pousa o objeto com a maior delicadeza possível, devido a sua fadiga.
_ Não é por nada, não...mas tem um montão de gente olhando. _ Falou Samara.
_ Fátima...agora é com você _ Falou Vicente.
_ Comigo?
_ Você tem que fazer o mesmo que fez, na praia de Botafogo e nos esconder de todo mundo... _ Continuou Vicente.
_ Será que eu consigo? _ Pensou alto Fátima.
_ Tem que conseguir, pois não posso te ajudar dessa vez, do jeito que estou agora, depois de empregar a força de pensamento que tive de usar, se tentar entrar em sua cabeça, frito seus neurônios sem querer...
Tudo bem...ela se concentra e então, tudo em volta deles se torna deserto, a lagoa está lá, assim como o pedalinho e a aeronave, mas nenhuma alma viva fora eles.
_ Essa é a tal dimensão que ela pode ir? _ Falou Samara.
_ É sim, é igual a nossa, só que não existem pessoas ou seres vivos. _ Falou Daniel.
_ Muito legal. _ Falou o agora mais confiante Guilla.
_ Tinham que ver. Ficar aqui, junto com um minotauro maluco! _ Falou Daniel.
Todos saltaram do barquinho e subiram na pequena ilha de pedra criada por Guilla.
_ Vocês estão vendo alguma porta? – Falou Samara.
_ Não tem nenhuma! _ Respondeu Fabiano, que dera um giro em torno da aeronave rapidamente.
_ Que velocidade! Não sabia que você podia fazer isso! _ Falou Vicente.
_ Vai se acostumando, também tenho meus truques! _ Riu Fabiano.
_ Quer...quer que eu abra uma passagem na fuzilagem, Vicente?
_ Você pode fazer isso, não é, Guilla? _ Respondeu Vicente.
_ Posso, acho...mas não sei se saberia qual o material pra desfazer depois e restaurar.Nem sei se isso é aço...não parece...não sei se posso criar algo que não conheço e talvez nem seja desse planeta...
_ Que maneiro!!! _ Exclamou Fabiano, admirando a nave.
_ E aí, teríamos um buraco permanente..._ Falou Daniel.
_ No nosso presente! _ Completou Samara.
_ Eu vou entrar... _ Falou Vicente.
_ Tá louco, carinha. Como? _ Perguntou Fabiano.
_ Eu vou entrar...e caso eu precise...você, Daniel e Samara já sabem o que tem que fazer.Vocês defendem os outros de algum ataque...
Após isso, Vicente aproximou-se da aeronave e tocando o enorme objeto, projetou-se para dentro do objeto como se tivesse se desmaterializado.
_ Como ele fez isso???? _ Falou Fabiano.
_ Ele atravessou a fuselagem da nave!Ele pode se desmaterializar? _ Completou Guilla.
_ O que ele combinou com vocês dois, Daniel? _ Perguntou Fabiano.
_ Nós bolamos um plano “b” caso encontremos algo desagradável em relação a esse presente, que discutimos ontem. _ Respondeu Daniel.
Após alguns instantes Vicente colocou apenas a cabeça para fora da fuselagem da nave, ainda desmaterializada. Os jovens se assustaram.
_ Vocês estão com medo? _ perguntou Vicente.
_ Não...é super natural atravessar metal, como você está fazendo..._ Brincou Daniel.
_ Esperem então, pra ver o que tem aqui dentro! _ Respondeu Vicente.
_ Você encontrou uma porta? _ Perguntou Guilla.
_ Não...mas sei como colocar vocês aqui dentro! _ Respondeu Vicente.
_ Como é que você faz isso, Vicente?_ Perguntou Guilla.
_ Ah! Isso! Eu apenas me concentro e minha mente controla a matéria do meu corpo...
_ É dessa forma que você vai colocar a gente aí dentro?_ Perguntou Guilla.
_ Não, não posso controlar a matéria do corpo de vocês a esse ponto...mas descobri como trazer vocês para dentro, da forma certa! Se imaginem agora, dentro dessa nave!
Com um pensamento, Vicente empurra bruscamente, até demais, os colegas para dentro da água da lagoa, ao mergulharem, eles desaparecem.
Já dentro da nave, Vicente aguarda em pé, de frente para uma pequena piscina no centro do que parece ser uma cabine de controle e logo em seguida os cinco amigos aparecem secos, dentro do raso espelho d água.
_ Surreal!!! _ Exclama Daniel.
_ Maneiro, não? _ Pergunta Vicente.
_ É muito bonito aqui! É tudo tão claro e limpo...quase estéril... _ Fala Samara.
_ Tem outras coisas que vocês tem que ver... _ Diz Vicente enquanto aponta a direção.
_ Você já reparou que o Vicente é o único que parece ter controle total do que pode fazer, Fabiano? _ Pergunta Fátima
_ Mas eu também tenho... _ Responde Fabiano.
_ Eu sei, mas os seus poderes não precisam de uma ação consciente sua. Eles apenas reagem as suas necessidades...já os dele...ele precisa saber exatamente o que quer e o que pode fazer... _ Respondeu Fátima.
_ É...mas parece que ele se enrola no controle...na agressividade, na força... _ responde Fabiano.
_ Pois é...mesmo assim...tirando você...nenhum de nós conhece muito bem o que pode fazer...tenho minhas dúvidas sobre o que o Vicente pode realmente fazer...
_ Será que você não ficou preocupada porque ele controlou os seus poderes ontem?_ Perguntou Fabiano.
_ Fiquei também...queria muito saber a extensão desse controle que ele pode ter conosco e com as habilidades dele, Fabiano.
Fabiano simpatizava com a pequena jornalista e imaginava que toda aquela preocupação da jovem, poderia ser decorrente da sua profissão. Da necessidade de saber de tudo sobre o assunto em questão e também da tendência investigativa que ela tomava.Falou:
_ Tudo bem Fátima...só procure não ver inimigos em todo lugar.
_ Por enquanto, Fabiano, pelo menos até nos conhecermos melhor...os inimigos podem estar em todo lugar... _ Respondeu Fátima.
Ao chegarem no lugar na nave que Vicente queria, os jovens se deparam com um cilindro de vidro, contendo um alienígena mergulhado em água e adormecido.
Fim da primeira parte.
Capítulo V Segunda parte.
Do alto de sua cobertura, Isaac observava a baía de Guanabara. Era linda. Pena que estava tão poluída, pensava. Para ele, aquela situação era insustentável. O “homem”não poderia continuar poluindo o planeta como vinha fazendo a tanto tempo. Alguém precisava detê-lo...e ele era a pessoa certa para tal tarefa.
Seus outros três sócios da “sociedade secreta” eram simplórios, imaginavam e concebiam apenas e desejo de poder. O político, como no caso do deputado Jonas Bezerra , monetário, como no caso do Colecionador,ou meros devaneios insanos de grandeza, como no caso do Dr Guinte...
Isaac imaginava mais, podia conceber muito mais! Para tanto, vinha a algum tempo financiando a organização. Mas nunca deixando claro seus verdadeiros objetivos. “Que aqueles imbecis tenham o que desejam. O que eu quero é o que realmente importa”.
Ele sabia que até então, nunca havia encontrado inimigo a altura de seus poderes ou de sua fortuna. O planeta iria ser salvo, a humanidade iria ser salva...de si mesma. Não mais o planeta seria tratado como uma imensa lata de lixo.
Pegou o aparelho de telefone na mesa ao lado. Estava na hora de saber notícias de seus associados.Afinal de contas...o Dr. estava muito silencioso nos últimos dias...
Dentro da estranha aeronave...
_ Olha, lá! Um alien!!!!! _ Gritou Daniel assustado.
_ É o piloto disso aqui, Daniel, provavelmente... _ falou certo, Vicente.
_ Ou um prisioneiro... _ Salientou Fátima.
_ Gente, isso está com cara de ser uma câmara de hibernação... _ falou Guilla.
_ Hibernação...vocês lembram do papo de agentes hibernantes, galera??? _ Falou Daniel.
Os jovens por um momento ficaram em silêncio, pensativos, até que Vicente falou:
_ Gente...esse cara veio até aqui na Terra, nisso aqui...
_ Aspas! Isso, se ele for um extra-terrestre! _ Falou Guilla.
_ Como assim? _ Perguntou Fátima.
_ Ele pode ser um “intra-terrestre”! _ Respondeu Guilla.
_ Muito ufológico pra minha cabeça... _ Brincou Fabiano.
_ Ele pode ter vindo do nosso planeta mesmo, mas não da parte do mundo que nós conhecemos... _ Salientou novamente Guilla.
_ Vem cá...você anda comendo bolo de chocolate com maconha??? _ Perguntou Fabiano.
_ Por quê?...não, claro! _ Respondeu Guilla.
_Por nada, não... _ Brincou Fabiano.
_ Vamos tirar ele daí!_ Falou Vicente.
_ Você sabe como? Aliás...como você sabia nos trazer pra dentro daqui? _ Perguntou Fátima.
_ Simples...apenas olhei aquelas imagens talhadas ali! _ Mostrou Vicente.
Eles viram figuras humanoides, muito parecidas com a do ocupante da nave, onde em quadro a quadro, mostravam, bonecos entrando na água e emergindo na figura do que lembrava a piscina interna da nave e o lugar onde estavam.
_ E como vamos sair daqui?_ Perguntou Fátima, por já ter reparado que o veículo onde estavam não mostrava ter janelas, escotilhas ou portas.
_ Acho que da mesma forma que entramos... _ Respondeu Vicente.
_ Gente...tudo que vimos aqui...tudo que vocês e eu vivemos antes, parece estar relacionado com água...já repararam? _ Perguntou Samara.
_ Estava também reparando nisso... _ Respondeu Fátima.
_ A tal “velha da água”, não te falou mais nada? _ Perguntou Fátima.
_ Não...disse que “isso”era o nosso presente, que era pra nos ajudar em nossa “missão”._ Respondeu Samara.
_ Que seria salvar o mundo...só não sabemos de quem e do quê! _ Falou Fabiano.
_ Mas vamos saber, cara, tenho fé! Tudo tem se mostrado coerente até agora... _ Falou Daniel.
_ Vamos dar uma olhada por aí...isso aqui não deve ser muito grande! Vamos ver o que mais achamos...enquanto isso...que tal você pensar numa forma de acordarmos esse “cara”, Guilla? _ Falou Vicente.
_ Eu??? Mas eu vou fazer o quê???
_ Sei lá, Guilla... mas acho que você vai achar uma forma...
_ Eu fico aqui com você e te ajudo, cara! _ Falou Daniel.
_ Sei...você está é com medo de andar por aí! Pensa que eu sou trouxa? _ Falou Guilla.
_ Mal agradecido! _ Brincou Daniel.
Os jovens começam a inspecionar tudo o que vêem pela frente na espaçonave.
Fátima checa se seu celular tem sinal dentro da estrutura alienígena, positivo, tudo certo.Se ela pudesse escrever sobre isso!Começou a tirar fotos do interior do veículo com seu telefone.
Samara continua fascinada com a beleza do lugar, ele é iluminado por inteiro, mas não há sinal de lâmpadas. Também não há presença de mobiliário, além do pequeno espelho de água na sala principal do veículo.
Vicente imaginava como esse objeto maravilhoso veio parar na lagoa...em que época e por quê?Será que aquele ser lá dentro era o único ocupante?
Fabiano pensa na capacidade da nave, na velocidade e autonomia que aquela beleza poderia ter. Não parecia ter sido feita pra guerra, mas pra transporte unicamente. E além do mais, havia oxigênio dentro dela!
Um estrondo foi ouvido por todos após o grito de Daniel. Ao chegarem na sala anterior onde o deixaram com Guilla...
_ Desculpe, gente! É que eu vi essa coisa se mexer! Ela abriu um olho dentro desse tanque!!! _ Falou Daniel assustado.
_ E precisava quase ter me desintegrado, seu puto! _ Gritou Guilla.
_ Desculpe! Eu agi por instinto! _ Explicou Daniel
O “agir por instinto”, significava que Daniel tinha emitido um raio que fizera um enorme rombo na parede do veículo,onde podia se ver o exterior da nave, que já mostrava sinais de reintegração.
_ Seu animal! Você abriu um buraco aqui! _ Falou Fabiano.
_ Calma gente! Ela está cicatrizando...a nave está curando o buraco!_ Falou Samara.
_ Como você teve energia pra soltar um raio? _ Perguntou Fátima.
_ Esse puto tocou em mim!!! _ Falou Guilla.
_ Desculpa isso também...mas eu precisava de energia e agi por instinto, como já tinha dito, gente! _ Falou Daniel
_ Você está bem, gordinho? _ perguntou Fabiano.
_ E pra mim? Ninguém pergunta se eu estou bem, depois de quase ter morrido do coração??? _ Grita Daniel.
_ Estou...acho que devo ter energia de sobra! Olha o estrago que o Daniel fez. E nem fiquei tonto com a drenagem. _ Falou Guilla.
_ Ótimo, bom saber...agora, quando precisar de energia, toco sempre em você! _ Falou Daniel.
_ Sai pra lá! _ Brincou Guilla.
_ Afinal de contas...o alienígena despertou? _ Perguntou Vicente.
_ Sei lá, Vicente. Foi esse louco aqui que viu isso! _ Falou Guilla.
_ Por que você não pergunta pra mim? Se fui eu que vi o cara ali abrir o olhão??? _ Falou Daniel chateado.
_ Pode ter sido imaginação sua, Daniel. Você está muito impressionado aqui! _ Falou VIcente.
_ Eu sei muito bem o que eu vi, tá! _ Falou Daniel._ Olha, lá! Abriu de novo!!!
Todos se viram e olham pra dentro do tanque de água, mas a criatura continuava com os dois olhos cerrados.
_ Para de sacanagem, Daniel!_ Falou Samara.
_ Eu estou dizendo que eu vi! _ Falou Daniel.
_ Você pode fazer alguma coisa, Vicente? _ Perguntou Guilla.
_ Tipo, o quê? Despertar esse alienígena?
_ Não! Colocar o Daniel pra dormir com esses seus truques Jedi! _ Brincou Guilla.
_ Olha...eu vou ser sincero...não posso entrar na cabeça dessa criatura...não sei nem como faria isso...pra ser sincero, tenho até medo... _ Respondeu Vicente.
_Tá vendo, não sou só eu o cagão aqui! _ Falou Daniel
_ Não é isso, irmãozinho...é uma mente alienígena...e eu não sou um telepata treinado, meu controle mental é basicamente físico... _ Falou Vicente.
_ Em outras palavras, você é um telepata paraguaio! _ brincou Fabiano.
_ Pode ser! _ Riu Vicente.
Daniel deu outro grito e se escondeu atrás de Vicente falando:
_ Abriu de novo! Dessa vez esse merda, abriu os dois olhos e fechou!!!
_ Pode ser uma reação reflexiva... _ Respondeu Fabiano.
_ Reflexiva o caramba! Eu sei o que eu vi!!! _ Falou Daniel.
_ Gente...isso não pode ser normal... _ Falou Fátima.
_ Eu sei, Fátima...também não acho o Daniel normal... _ Falou Fabiano rindo.
_ Tudo bem...vamos tentar algum contato. _ Falou Vicente tomando a dianteira.
_ O que você vai fazer?_ Perguntou Guilla.
_ Eu não...você!...Guilla, eu queria que você transformasse esse tubo onde o aliem está, em qualquer coisa, a água do tubo também, mas tira ele de dentro disso... _ Falou Vicente.
_ Tudo bem, vamos fabricar mais oxigênio pra essa nave, por quê, não? Oxigênio é fácil de ser transmutado, são moléculas simples de fabricar...mas já disse...não posso refazer o tubo e o líquido dentro depois... _ Falou Guilla inseguro.
O jovem toca no tubo feito por um material que lembra vidro e se concentra. Logo o tubo e o líquido que era armazenado dentro do mesmo, desaparecem, deixando apenas a criatura do seu interior jogada no chão.
_ Tá bom... quem vai lá levantar essa coisa? _ Pergunta Daniel.
_ Acho melhor mantermos uma certa distância... _ Falou receosa, Fátima.
_ Nada! Não acho que ele vai nos fazer mal..._ Falou Fabiano, indo apanhar o ser do chão em seus braços.
_ Pro cara é fácil falar...se regenera...não pode morrer... _ Resmungou Daniel.
Já nos braços de Fabiano, a criatura mostrou sinais de estar recuperando a consciência .
_ Olha, lá! Olha lá! O que foi que eu disse! _ Gritou Daniel.
_ Calma, tudo bem...está tudo bem, irmãozinho. _ Falou tranquilisadoramente Vicente.
O ser foi recuperando aos poucos sus consciência até que ainda nos braços de Fabiano, tentou falar...sua linguagem era indecifrável para todos.
_ E agora? A gente não tem a mínima idéia do que ele está falando, Vicente. _ Falou Fabiano.
_ Ele pode estar dizendo: “Seus merdas! Vocês invadiram minha nave, me acordaram e destruíram a minha cama! “_ Falou Daniel
_ Justamente... _ Falou Guilla.
_ Ele não está com raiva...posso garantir...mas também não consigo entender sua mente, está muito avançada pra mim... _ Falou Vicente.
_ Eu acho que ele não está muito confortável aqui, gente... _ Falou Fátima.
_ Talvez possa ser a falta da água, Vicente. _ Falou Guilla.
_ Vamos leva-lo até a piscininha na sala maior, gente _ Falou Fabiano.
Ao chegarem na sala maior, que parecia ser a principal da nave. Os jovens presenciaram uma cena, que já estava se tornando corriqueira para eles.
Da superfície do espelho de água surgem duas pessoas: Charles e uma moça que a maioria deles não conhecia. Fátima falou assustada:
_ Roberta???
_ Fátima??? _ Fala a moça.
_ O que você está fazendo aqui??? _ Perguntou Fátima.
_ Vocês se conhecem? Perguntou Vicente.
_ Oi gente! Pensaram que tinham se livrado de mim?Nós também conhecemos essa “velha da água”!_ Brincou Charles.
Continua...
terça-feira, 15 de maio de 2007
sábado, 5 de maio de 2007
Guerra Secreta:O Presente
Capítulo IV
O Presente
“...Dizem que os presentes, dobram até os augustos deuses e que o ouro, tem mais poder para os mortais que mil pedidos”
Eurípedes ( 485 a.C.- 406 a.C.)
Roberta trabalha naquele palácio há um bom tempo. Nunca teve grandes problemas com ninguém ali. O deputado Bezerra, apesar da fama de mulherengo, nunca chegou perto dela, sorte, pois já tinha ouvido estórias medonhas sobre aquele homem.
Na saída do banheiro, ela esbarra com uma moça loura que tinha ido ali retocar a maquiagem. Provavelmente, mais uma das inúmeras amantes do deputado. Ele sempre se cercava de mulheres e nunca era visto tendo atitudes amáveis com quer que seja, no máximo, um sorriso sarcástico ou de deboche era visto sendo expressado pelo seu rosto de traços fortes.
Uma vez, de frente para o espelho que ficava acima da pia de sua casa, ouvira e vira uma aparição, imaginava ser um espírito. Ou estava ficando louco ou então era uma médium e não sabia até aquele momento. O fato é que, por medo, rejeitava a idéia de travar novamente contato com aquilo novamente.
Voltando para sua mesa em seu setor na assembléia , resolve dar uma olhada para a rua, de uma hora para a outra começou a chover muito forte na cidade, chuva de verão, deveria acabar logo, no entanto o centro da cidade estava inundado, um verdadeiro caos.
Ao olhar com mais atenção para a rua, inundada de forma a formar um pequeno rio com correnteza e tudo, viu novamente a imagem da senhora idosa que já havia aparecido para ela antes...
Daniel acordou animado! Tudo o que estava acontecendo em sua vida, desde ontem, era ao mesmo tempo aterrador e fantástico. Conhecera monstros, realidades futurísticas (mesmo que de muito relance) gente com poderes como ele...
As vezes, quando seus avós estavam adoentados ou enfraquecidos, achava que a culpa era sua. Já que seu corpo retirava energia de substâncias vivas e talvez até do ambiente ou redor, poderia ser o causador de enfermidades ou enfraquecimentos. Quando criança tinha matado alguns animais pequenos e plantas por conta desse poder. Estranho, pensou...os outros afirmavam que suas habilidades haviam surgido na adolescência, mas ele sabia que desde muito cedo já aflorava nele seus poderes, mesmo que de forma moderada.
Buscou um número de telefone entre sua agenda eletrônica...
_ Alô? Oi Daniel!
_ Oi Samara! Te liguei porque hoje a gente podia ver aquele lance, sobre o que você falou.
_ Claro, acho que se vocês me levarem pela orla da cidade, posso identificar a imagem do lugar que tenho na minha mente, desculpe dar esse trabalho, mas é que não conheço muito bem o Rio...
_ Sem galho. Vou ligar pros caras...
Em outro lugar:
_ Muito louco essa chuva de verão que surgiu do nada!
_ Pois é, Vicente, só atrapalhou mais ainda pra achar o cara.
_ Mas o sol está aí de novo, tão forte quanto antes. Temos que achá-lo Fabiano.
_ Olha...Muito tempo já se passou, carinha...você tem que convir. Com a influência que ele estava sofrendo, mas a queda, as correntezas daqui...tudo isso...
_ Não! Você pode fazer mais! Por que não faz?
Fabiano por um momento olhou mais a fundo para Vicente. Não é que não quisesse achar o cara que conhecera ontem, mas muito tempo se passou realmente desde a queda. E não havia sinal algum de corpo. Pra piorar, logo após começarem a descer as pedras até a altura do mar, uma chuva de verão fortíssima surgiu do nada e deixou o mar mais revolto, agora, minutos depois, o sol novamente brilhava, mas seu companheiro de busca estava com o braço quebrado e sangrava.
Podia parecer frieza, mas Vicente tinha que se preocupar agora consigo, pensava Fabiano. Talvez já fosse hora de levá-lo a um hospital ou clínica. Ao olhar para o rapaz, Fabiano sentiu uma ponta de orgulho, mesmo detonado como estava, continuava com a idéia fixa de que poderia salvar Charles.
_ Vamos embora, carinha. Vamos tratar dessa “asa” quebrada.
_ Mas Fabiano...
_ Sem mais, moleque . Olha o seu estado. Você usou a cara pra bater na mão do Groove! Mas tenho que admitir, tirando eu, é claro, acho que você foi o que deu mais trabalho pra aquele filho da mãe, até hoje.
_ Jura? Quem era ele? Você conhece aquele cara da onde?
_ De muitos anos no passado. É uma longa estória.Não vou contar agora. Vamos indo.Aliás, deixa eu dar uma olhada melhor em você...
_ Você é médico? _ Perguntou Vicente.
_ Veterinário.
_ Vai se danar!_ Riu, se afastando de Fabiano.
_ O princípio é o mesmo, carinha, deixa eu te ver melhor.
Roberta, foi fumar no telhado do prédio onde trabalhava, lá era chamado de cantinho da fumaça, já que era proibido fumar dentro da Alerj, todos os funcionários iam pra lá, dar uma escapadinha e desfrutar de alguns instantes com seu vício. Já era tarde e a maioria dos funcionários haviam ido embora.
Como trabalhava no cerimonial, e no dia seguinte teria uma solenidade, apenas seus pouquíssimos colegas de função e alguns seguranças ainda estavam no prédio a essa altura. E ela ainda deveria ficar um tempão.
Alguém estava subindo para o telhado, por instinto Roberta se escondeu atrás de uma pequena mureta de tijolos, não sabia ao certo quem vinha lá, podia ser um de seus colegas “viciados”também, ou pior, sua chefe. Que não poderia encontra-la dando essa escapadinha, muito menos fumando.
Não era a sua chefe, era o deputado Bezerra! Mas o que ele ainda estava fazendo na assembléia a essa hora? Bom, o deputado era outro que se mostrava inimigo número um do cigarro no trabalho...será que ele também veio aqui fumar???
Jonas Bezerra não reparou que estava sendo vigiado naqueles instantes. Ao contrário, tinha certeza de que o prédio estava limpo, fora meia dúzia de gatos pingados trabalhando feito “burros de carga” lá embaixo.Seu encontro era previsto para aquela hora. E tinha pressa de acertar o que faltava de seu plano. A tempos fazia a sua parte do acordo muito bem feita. Claro que obtivera ajuda de Martha e Pallas para se eleger, de Pallas a ajuda era incondicional, já de Martha, tinha que usar de certos artifícios.
Roberta ficou intrigada. O deputado estava parado ali no telhado, olhando pro nada, tudo bem que a vista da baía de Guanabara era de tirar o fôlego, mesmo de noite, mas ele não parecia o tipo de cara que se encantava com tais coisas...estaria esperando uma amante? Talvez sua chefe? Pois daria muito na cara se fossem vistos naquela hora no gabinete um do outro...não queria bisbilhotar. Mas tinha que continuar ali escondida, se fosse vista, como iria explicar o que estava fazendo ali?
Jonas avistou de longe a pessoa que aguardava. Nem Pallas ou Martha sabiam da sua existência. Essa aliança era totalmente secreta, mas necessária.
Roberta não acreditou quando viu. De longe, longe mesmo, um helicóptero totalmente silencioso. Que fez pouso no telhado do edifício. O deputado Bezerra foi receber a visita.
De dentro da aeronave saiu um homem muito alto, louro, nos meados dos seus quarenta anos.Bezerra fez menção de cumprimenta-lo, mas ele não estendeu a mão de volta para o deputado.
As pás, do helicóptero paravam de girar, mas já que não faziam som algum, não era muito difícil tentar escutar o que diziam...parecia que discutiam por causa de alguma coisa.O interessante era que parecia sair um vapor da boca do deputado Bezerra, quando falava próximo ao estranho. Como se estivesse frio e na verdade estava muito! O dia tinha sido de verão intenso , a noite estava muito quente até aquele cara aparecer. De onde estava, Roberta podia sentir calafrios, como era possível?
_ Eu já disse Isaac. A maioria das pessoas que tem poderes como nós, estão trabalhando pra mim. O resto, não deve nem ser levado em consideração. Possuem dons sem aplicação alguma.
_ Jonas... você sabe o que aconteceu com o Adriano...
_ Sei, mas...
_ Por que não fala sobre isso? Foi um “detalhe”o que aconteceu com ele, hoje de manhã na Urca? _ Perguntou Isaac.
_ Groove foi agredido pelo que pareciam ser dois “caras especiais”...
_ Chegou no ponto, Jonas! Você não tinha dito que todos trabalhavam pra você? Ah...deixa eu pensar direito...eles eram pessoas com dons insignificantes, não é? Apenas derrotaram um dos nossos agentes classe “alpha”, extremamente treinado no uso de seus poderes por sorte, não é mesmo?
_ Mas nós matamos um terceiro que se recusou a fazer parte da nossa “família”, Isaac.
_ Será mesmo? Sou uma pessoa avessa a tecnologia, Jonas, mas recebo memorandos,você não lidera essa operação sozinho, você e suas assistentes tem que prestar contas pra nós três também, “deputado Bezerra”. E os serviços de Adriano também estão a nossa disposição, ele é um soldado valioso, se algo acontecesse, onde iríamos encontrar outro como ele?
_ Talvez entre os mesmos caras que deram trabalho pra ele hoje? O que acha Isaac?
_ O “terceiro”que você alega ter matado, era perfeito...uma pena.
_ Esse não pôde ser comprado, Isaac, mas quem sabe, um dos outros dois? Adriano contou que conhece um deles de muito tempo e que é bastante “habilidoso”. Talvez outro classe “alpha”?
_ Pode ser...eu queria mesmo pra trabalhar conosco, o homem que você matou...
_ Foi melhor assim, Pallas havia se envolvido emocionalmente com ele.
O telefone celular de Roberta tocou nesse instante. Droga! Ela costuma deixar o aparelho sempre em cima de sua mesa pra que isso não acontecesse, mas justo hoje, esqueceu e colocou no bolso da calça! Olhou de relance o número de quem a ligava, sua mãe!Desligou o aparelho.
Isaac e Jonas ficaram de prontidão, correram pra ver quem os estava vigiando. Jonas localizou Roberta onde estava escondida e gritou para que fosse até lá. Ela estava assustada e não sabia o que era pior, correr dali ou ficar e ver no que dava ? Mas eles falavam de assassinato!
Na dúvida, Roberta se manteve firme e parada no mesmo lugar, se esses caras resolvessem se aproximar, iam ver!
Ao seu lado, havia um muro que projetava uma grande sombra contra outra parede . Para seu terror, foi dessas sombras que emergiu o deputado, agarrando-a pelo braço! Mas ele não estava agora mesmo lá longe, na sua frente? Agora estava, metade dentro das sombras, metade para fora, segurando-a!
_ Calma menina! Vamos conversar um pouco, o que foi que você ouviu?_ Falou Jonas.
_ Me larga! Socorro!!! _ Gritou Roberta desesperada.
_ Fique calma. Vamos conversar. _ Falou Jonas
Ela nem pensou muito nas conseqüências do seu ato. Queria mesmo era fugir, sobreviver. Sua pele superaqueceu em segundos e Roberta soltou de suas mãos uma rajada de fogo em cima do deputado, que num grito de dor recuou para dentro das sombras. xingando-a!
Isaac de onde estava, preferindo não se aproximar ao ver o que a moça podia fazer. Resolveu agir:
_ Então essa mulher também é mais uma das pessoas que não se juntaram a você e que tem habilidades sem muita aplicação “deputado Bezerra”? Acho que está na hora de rever seus conceitos! _ Riu.
_ Eu vou acabar com essa vadia! _ Respondeu Jonas, ao aparecer em forma de sombra, vindo do chão, atrás de Isaac.
_ Deixa isso comigo , você já fez muita porcaria até aqui...
Isaac apenas olhou para Roberta, um frio glacial surgiu naquele lugar, tudo foi se congelando automaticamente, do ponto de partida, que era o próprio Isaac e de forma circular, avançando em direção da moça. A onda de gelo nem mal tinha alcançado Roberta e ela já sentia que iria morrer, sua garganta e seus ossos pareciam ter congelado, só no momento que ele iniciou aquele efeito.
A onda de gelo avançava para cima de si, ia morrer em poucos segundos ou menos, não teve escolha...acionou seu poder totalmente.
Bem diante dos olhos dos dois, Roberta transformou-se em uma pira de fogo humano, o telhado todo se iluminara como se uma grande lanterna houvesse sido acesa! Inclusive Jonas com o efeito, fora obrigado a reverter a sua forma humana totalmente.
Ao contrário de Jonas, Isaac não se mostrou impressionado ou derrotado, continuou a emitir a onda glacial que projetava de si, sem nem piscar. Roberta sabia que talvez só tivesse prolongado para si, apenas alguns segundos a mais, pois não podia manter aquela forma “flamejante” por muito mais tempo e já sentia sua chama diminuir de intensidade. Isaac mantinha a concentração e iria supera-la logo.
Ao seu redor, uma grande poça de água já havia se formado, conseqüência do derretimento de todo aquele gelo, que mais e mais surgia em sua volta e em volta de tudo. Ouviu então, uma voz já conhecida:
_ “Roberta Maia...venha para a água!!!”
Isaac e Jonas viram bem diante de seus olhos a moça mergulhar de corpo inteiro, como se caísse em um poço muito fundo, na poça de poucos centímetros de altura...
Fim da primeira parte.
Capítulo IV Parte 2
Noite de lua cheia no Rio, Daniel e Samara encontraram o lugar onde supostamente estaria o “presente”que a velha da água havia mostrado em imagem mental para a moça, no encontro que tiveram anteriormente.
Alguns telefonemas foram feitos e minutos depois Fabiano , Vicente e Fátima chegaram na lagoa Rodrigo de Freitas, onde os dois já estavam. Os jovens ficaram preocupados com Vicente, quando o viram com o braço quebrado e sérias manchas e escoriações. Fabiano contou o que aconteceu com ele e com Charles,contou que logo depois de tudo levou o colega pra um hospital e tomou todas as atitudes possíveis. O clima pesou e um deles teve que quebrar o silêncio.
_ Aqui? Foi aqui a imagem que você viu Samara??? _ Perguntou Fátima.
_ Foi, tenho certeza, gente.
_ Ta bom...o que a gente faz agora, grande líder? Sâmara, você não sabe mais nada? Não sabe como a gente tira o tal presente da água?_ Perguntou Fabiano.
_ Infelizmente não... _ Respondeu a moça.
_ Eu já achei o lugar, fiz a minha parte! _ Falou Daniel.
Vicente ficou calado por uns instantes, pensativo.Parecia que estava tentando enxergar através da água escura da lagoa o que poderia estar escondido em seu leito. Todos ficaram em silêncio esperando a resposta. Vicente parou a vista em um determinado ponto espantado. Os jovens notaram essa atitude de colega. Então começou a falar.
_ Vocês todos sabem o que aconteceu hoje...não é possível pensarmos que o que se passou com Charles, não vá acontecer com todos nós. Ele sabia muita coisa que não nos contou, coisas que talvez mesmo que entremos em contato com essa “entidade”que tem nos ajudado, não saibamos tudo. Só estou aqui falando com vocês, porque miraculosamente o Fabiano estava por perto para me salvar...
_ Caraca! Que sorte! O que você estava fazendo lá na praia vermelha naquela hora, Fabiano? _ Perguntou Daniel.
_ Eu fui pegar um sol...desanuviar a cabeça, depois de tudo que aconteceu com a gente...
_ Portanto, antes de mais nada, antes que eu conte o que eu estou vendo no fundo da lagoa, eu acho imperativo que fiquemos mais unidos ainda do que poderíamos ficar antes desse fato... _ falou Vicente.
Nesse momento Guilherme chegou, desculpando-se pela demora. Afinal de contas, tinha vindo do Méier enquanto todos os outros moravam mesmo ali por perto. Logo em seguida Fabiano contou a ele o que havia ocorrido na manhã daquele dia. Guilherme não queria demonstrar, mas dessa vez realmente estava começando a achar aquela “brincadeira”muito perigosa. Não era um guerreiro por natureza. Não gostava de conflitos e violência, nem em filmes americanos. Vicente ao ver Guilherme teve uma idéia:
_ Acho que está na hora de alugarmos uns pedalinhos!
_ Pedalinhos? Adoro passear de pedalinho! _ brincou Fátima.
_ Cara, mas fala! Você viu algo dentro da lagoa? O que foi que você viu? _ Perguntou Daniel.
_ Vamos pro pedalinho que eu falo! _Respondeu Vicente.
_ Fala agora, Puto! _ Insistiu Daniel.
_ Cala a boca, Daniel! Tenha um pouco de paciência!!! _ Brincou Vicente
_ Fala baixo, comigo! _ Respondeu Daniel.
Vicente nada disse, foram todos alugar um daqueles pedalinhos grandes, para seis pessoas. De lá, pedalaram até o meio da lagoa. Durante o trajeto, mesmo que não falassem nada, cada um, em silêncio pensava no que tinha acontecido com Charles.
Samara que sentara ao lado de Fátima falou:
_ Muito lindos esses barquinhos em forma de cisne, não é?
_ São mesmo.
_ Ele não parecia má pessoa...o Charles...
_ Não? Ah...tá! Você só esteve com ele aqueles minutos na casa do Daniel...tinha me esquecido... _ Falou Fátima.
_ Ele era uma pessoa difícil, não é? _ Falou Samara.
_ Difícil? Difícil sou eu!!!
_ É, vocês são arroz do mesmo saco!!!!
_ Não brinca com isso não, menina! _ Respondeu nervosa Fátima.
Daniel sentado ao lado de Vicente perguntou:
_ Cara...o que é que tem aí dentro dessa lagoa?
_ Poxa vida! Você não desiste, Daniel! _ Respondeu Vicente ainda brincando.
_ Ta bom, quer fazer segredo, tudo bem...está doendo muito...o braço?
_ Muito, Daniel, pra caramba, mas não é só isso que dói.
_ Eu sei...também gostava daquele escroto...como é que pode , não é?
Os dói riram juntos pela primeira vez.
_ Obrigado Daniel.
_ Obrigado pelo quê, Vicente?
_ Por me apoiar, por apoiar minhas decisões e por acreditar...
_ Fica calado, moleque! Você é o cara, “rapa”!
No último acento do pedalinho, Guilherme e Fabiano:
_ E aí, gordinho. Tudo certo com você, não falou uma palavra desde que chegou?
_ Eu estou confuso, Fabiano, não achava que o que aconteceu com o Charles fosse acontecer...ainda mais tão cedo...tudo está acontecendo muito rápido.
_ Entendo, Guilla...mas vou te dizer uma coisa, eu tenho muita fá, fé de que vamos virar esse “jogo”que está acontecendo secretamente por aqui, fé de que vamos fazer a diferença.
_ Legal...mas como você consegue ter tanta fé?
_ Vai por mim, gordinho, eu sei do que estou falando. E te digo mais, comigo do lado você não tem do que se preocupar, eu pretejo você!
_ Ah...tá...obrigado...
Eles pedalaram até um ponto próximo ao que seria o meio da lagoa, quando Vicente falou:
_ Todo mundo! Gente, podem parar de pedalar!
_ Eu quero saber, por quê a gente pedalou toda essa distância se dava pro Vicente ter empurrado o barquinho até aqui!!! _ Resmungou Daniel.
_ Deixa de ser preguiçoso, menino! Assim foi muito mais divertido! _ Falou Fátima.
_ Divertido pra você e a Samara, pois no meio não tem pedal pra vocês pedalarem! Faz um tempão que mão malho ou faço qualquer atividade física e estou com a coxa doendo!
_ Galera, vocês tem que ver o Guilla! Olha só ele! _ Gritou Fabiano.
_ Caraca! Tá saindo fumaça do corpo dele!!!! _ Brincou Daniel.
Todos riram de Guila, que devido ao esforço, seu corpo aquecido ao contato com o sereno da lagoa, provocava a evaporação do seu suor.
Vicente virou-se para trás e falou com ele.
_ Guilla. Agora eu acho que é contigo.
_ Comigo, Vicente?
_ Olha, eu consigo ver o que tem aqui embaixo...Eu posso ver através dos objetos, como se eles fossem transparentes pra mim...
_ Como uma visão de raio-x? _ Perguntou Daniel.
_ Isso mesmo e antes que você pergunte Daniel, não, não costumo usar esse dom pra ver através da roupa das mulheres ou dos vestiários femininos...
_ Deus não dá asa à cobra... _ Lamentou-se Daniel.
_ Mas você ouviu, Daniel...ele falou que “não costuma”...então de vez em quando... _ Riu Fabiano.
_ Quantos metros vocês acreditam que tenha essa parte, que é a mais funda da lagoa? _ Perguntou Vicente.
_ Uns dois metros. _ Respondeu Fabiano.
_ Isso... _ ainda olhando para o espelho dàgua , como se pudesse ver através dele _ Agora, temos que levar em conta que o fundo pode ser muito maior nesse determinado ponto, e que portanto haja maior acúmulo de lodo...
_ Onde você quer chegar, Vicente? _ Perguntou Guilla
_ Eu quero pedir que você transforme todo o lodo que está bem abaixo de nós... em uma circunferência de aproximadamente uns 30 metros de diâmetro em mais água ou qualquer outra substância liquida possível pra mim.
_ Não poluidora! _ Brincou Fabiano com Guilla.
_ Eu nunca tentei nada parecido! Não sei se vou poder... _ Falou Guilla.
_ Eu sei! Estou apenas lhe pedindo, conseguiu, beleza! Não conseguiu, paciência. Eu acredito em você! _ Falou Vicente.
_ Pra que tudo isso, Vicente? _ Perguntou Samara.
_ Vai facilitar muito o meu trabalho, Samara. Eu não empurrei o barquinho até aqui, pra poupar energia, mesmo assim, mesmo o Guilla conseguindo fazer o que lhe propus, não há certeza de eu conseguir ter sucesso no que só eu posso fazer aqui.
Guilla se concentrou. Colocou as mãos dentro da água e tentou imaginar o lodo abaixo de si, no fundo da lagoa. Na sua mente então, ordenou que, toda a extensão desse lodo, dessa lama, se transmutasse em mais moléculas de hidrogênio e oxigênio. Vicente continuava olhando pra dentro da lagoa, até que...
_ Você conseguiu, Guilla! Você conseguiu!!! _ Gritou Vicente.
_ Parabéns, gordinho! _ Falou Fabiano, enquanto lhe abraçava.
_ Agora é a minha vez, galera...
Vicente se concentrou, sabia naquele momento que nada podia garantir que conseguisse realizar o que tinha em mente. Imaginou se seus poderes dependiam de alguma espécie de “carga de força”, como os de Daniel. Assim sendo, poderia passar por uma fatiga energética da mesma forma que o colega. Mas no caso de seus poderes, do nível psiônico de suas habilidades, o que o limitava era a sua força de vontade. E força de vontade não lhe faltava . Muito menos, vontade de erguer o objeto que precisava, do fundo daquela lagoa. E Vicente fez o que tinha que fazer.
A vista de todos, uma enorme aeronave prateada, em uma forma que lembrava uma arraia de aço, foi totalmente levitada até um metro do nível da água, pela energia mental de Vicente.O luar refletia sobre sua superfície polida, Daniel falou, maravilhado:
_ ...É...luz é tudo!
Continua...
O Presente
“...Dizem que os presentes, dobram até os augustos deuses e que o ouro, tem mais poder para os mortais que mil pedidos”
Eurípedes ( 485 a.C.- 406 a.C.)
Roberta trabalha naquele palácio há um bom tempo. Nunca teve grandes problemas com ninguém ali. O deputado Bezerra, apesar da fama de mulherengo, nunca chegou perto dela, sorte, pois já tinha ouvido estórias medonhas sobre aquele homem.
Na saída do banheiro, ela esbarra com uma moça loura que tinha ido ali retocar a maquiagem. Provavelmente, mais uma das inúmeras amantes do deputado. Ele sempre se cercava de mulheres e nunca era visto tendo atitudes amáveis com quer que seja, no máximo, um sorriso sarcástico ou de deboche era visto sendo expressado pelo seu rosto de traços fortes.
Uma vez, de frente para o espelho que ficava acima da pia de sua casa, ouvira e vira uma aparição, imaginava ser um espírito. Ou estava ficando louco ou então era uma médium e não sabia até aquele momento. O fato é que, por medo, rejeitava a idéia de travar novamente contato com aquilo novamente.
Voltando para sua mesa em seu setor na assembléia , resolve dar uma olhada para a rua, de uma hora para a outra começou a chover muito forte na cidade, chuva de verão, deveria acabar logo, no entanto o centro da cidade estava inundado, um verdadeiro caos.
Ao olhar com mais atenção para a rua, inundada de forma a formar um pequeno rio com correnteza e tudo, viu novamente a imagem da senhora idosa que já havia aparecido para ela antes...
Daniel acordou animado! Tudo o que estava acontecendo em sua vida, desde ontem, era ao mesmo tempo aterrador e fantástico. Conhecera monstros, realidades futurísticas (mesmo que de muito relance) gente com poderes como ele...
As vezes, quando seus avós estavam adoentados ou enfraquecidos, achava que a culpa era sua. Já que seu corpo retirava energia de substâncias vivas e talvez até do ambiente ou redor, poderia ser o causador de enfermidades ou enfraquecimentos. Quando criança tinha matado alguns animais pequenos e plantas por conta desse poder. Estranho, pensou...os outros afirmavam que suas habilidades haviam surgido na adolescência, mas ele sabia que desde muito cedo já aflorava nele seus poderes, mesmo que de forma moderada.
Buscou um número de telefone entre sua agenda eletrônica...
_ Alô? Oi Daniel!
_ Oi Samara! Te liguei porque hoje a gente podia ver aquele lance, sobre o que você falou.
_ Claro, acho que se vocês me levarem pela orla da cidade, posso identificar a imagem do lugar que tenho na minha mente, desculpe dar esse trabalho, mas é que não conheço muito bem o Rio...
_ Sem galho. Vou ligar pros caras...
Em outro lugar:
_ Muito louco essa chuva de verão que surgiu do nada!
_ Pois é, Vicente, só atrapalhou mais ainda pra achar o cara.
_ Mas o sol está aí de novo, tão forte quanto antes. Temos que achá-lo Fabiano.
_ Olha...Muito tempo já se passou, carinha...você tem que convir. Com a influência que ele estava sofrendo, mas a queda, as correntezas daqui...tudo isso...
_ Não! Você pode fazer mais! Por que não faz?
Fabiano por um momento olhou mais a fundo para Vicente. Não é que não quisesse achar o cara que conhecera ontem, mas muito tempo se passou realmente desde a queda. E não havia sinal algum de corpo. Pra piorar, logo após começarem a descer as pedras até a altura do mar, uma chuva de verão fortíssima surgiu do nada e deixou o mar mais revolto, agora, minutos depois, o sol novamente brilhava, mas seu companheiro de busca estava com o braço quebrado e sangrava.
Podia parecer frieza, mas Vicente tinha que se preocupar agora consigo, pensava Fabiano. Talvez já fosse hora de levá-lo a um hospital ou clínica. Ao olhar para o rapaz, Fabiano sentiu uma ponta de orgulho, mesmo detonado como estava, continuava com a idéia fixa de que poderia salvar Charles.
_ Vamos embora, carinha. Vamos tratar dessa “asa” quebrada.
_ Mas Fabiano...
_ Sem mais, moleque . Olha o seu estado. Você usou a cara pra bater na mão do Groove! Mas tenho que admitir, tirando eu, é claro, acho que você foi o que deu mais trabalho pra aquele filho da mãe, até hoje.
_ Jura? Quem era ele? Você conhece aquele cara da onde?
_ De muitos anos no passado. É uma longa estória.Não vou contar agora. Vamos indo.Aliás, deixa eu dar uma olhada melhor em você...
_ Você é médico? _ Perguntou Vicente.
_ Veterinário.
_ Vai se danar!_ Riu, se afastando de Fabiano.
_ O princípio é o mesmo, carinha, deixa eu te ver melhor.
Roberta, foi fumar no telhado do prédio onde trabalhava, lá era chamado de cantinho da fumaça, já que era proibido fumar dentro da Alerj, todos os funcionários iam pra lá, dar uma escapadinha e desfrutar de alguns instantes com seu vício. Já era tarde e a maioria dos funcionários haviam ido embora.
Como trabalhava no cerimonial, e no dia seguinte teria uma solenidade, apenas seus pouquíssimos colegas de função e alguns seguranças ainda estavam no prédio a essa altura. E ela ainda deveria ficar um tempão.
Alguém estava subindo para o telhado, por instinto Roberta se escondeu atrás de uma pequena mureta de tijolos, não sabia ao certo quem vinha lá, podia ser um de seus colegas “viciados”também, ou pior, sua chefe. Que não poderia encontra-la dando essa escapadinha, muito menos fumando.
Não era a sua chefe, era o deputado Bezerra! Mas o que ele ainda estava fazendo na assembléia a essa hora? Bom, o deputado era outro que se mostrava inimigo número um do cigarro no trabalho...será que ele também veio aqui fumar???
Jonas Bezerra não reparou que estava sendo vigiado naqueles instantes. Ao contrário, tinha certeza de que o prédio estava limpo, fora meia dúzia de gatos pingados trabalhando feito “burros de carga” lá embaixo.Seu encontro era previsto para aquela hora. E tinha pressa de acertar o que faltava de seu plano. A tempos fazia a sua parte do acordo muito bem feita. Claro que obtivera ajuda de Martha e Pallas para se eleger, de Pallas a ajuda era incondicional, já de Martha, tinha que usar de certos artifícios.
Roberta ficou intrigada. O deputado estava parado ali no telhado, olhando pro nada, tudo bem que a vista da baía de Guanabara era de tirar o fôlego, mesmo de noite, mas ele não parecia o tipo de cara que se encantava com tais coisas...estaria esperando uma amante? Talvez sua chefe? Pois daria muito na cara se fossem vistos naquela hora no gabinete um do outro...não queria bisbilhotar. Mas tinha que continuar ali escondida, se fosse vista, como iria explicar o que estava fazendo ali?
Jonas avistou de longe a pessoa que aguardava. Nem Pallas ou Martha sabiam da sua existência. Essa aliança era totalmente secreta, mas necessária.
Roberta não acreditou quando viu. De longe, longe mesmo, um helicóptero totalmente silencioso. Que fez pouso no telhado do edifício. O deputado Bezerra foi receber a visita.
De dentro da aeronave saiu um homem muito alto, louro, nos meados dos seus quarenta anos.Bezerra fez menção de cumprimenta-lo, mas ele não estendeu a mão de volta para o deputado.
As pás, do helicóptero paravam de girar, mas já que não faziam som algum, não era muito difícil tentar escutar o que diziam...parecia que discutiam por causa de alguma coisa.O interessante era que parecia sair um vapor da boca do deputado Bezerra, quando falava próximo ao estranho. Como se estivesse frio e na verdade estava muito! O dia tinha sido de verão intenso , a noite estava muito quente até aquele cara aparecer. De onde estava, Roberta podia sentir calafrios, como era possível?
_ Eu já disse Isaac. A maioria das pessoas que tem poderes como nós, estão trabalhando pra mim. O resto, não deve nem ser levado em consideração. Possuem dons sem aplicação alguma.
_ Jonas... você sabe o que aconteceu com o Adriano...
_ Sei, mas...
_ Por que não fala sobre isso? Foi um “detalhe”o que aconteceu com ele, hoje de manhã na Urca? _ Perguntou Isaac.
_ Groove foi agredido pelo que pareciam ser dois “caras especiais”...
_ Chegou no ponto, Jonas! Você não tinha dito que todos trabalhavam pra você? Ah...deixa eu pensar direito...eles eram pessoas com dons insignificantes, não é? Apenas derrotaram um dos nossos agentes classe “alpha”, extremamente treinado no uso de seus poderes por sorte, não é mesmo?
_ Mas nós matamos um terceiro que se recusou a fazer parte da nossa “família”, Isaac.
_ Será mesmo? Sou uma pessoa avessa a tecnologia, Jonas, mas recebo memorandos,você não lidera essa operação sozinho, você e suas assistentes tem que prestar contas pra nós três também, “deputado Bezerra”. E os serviços de Adriano também estão a nossa disposição, ele é um soldado valioso, se algo acontecesse, onde iríamos encontrar outro como ele?
_ Talvez entre os mesmos caras que deram trabalho pra ele hoje? O que acha Isaac?
_ O “terceiro”que você alega ter matado, era perfeito...uma pena.
_ Esse não pôde ser comprado, Isaac, mas quem sabe, um dos outros dois? Adriano contou que conhece um deles de muito tempo e que é bastante “habilidoso”. Talvez outro classe “alpha”?
_ Pode ser...eu queria mesmo pra trabalhar conosco, o homem que você matou...
_ Foi melhor assim, Pallas havia se envolvido emocionalmente com ele.
O telefone celular de Roberta tocou nesse instante. Droga! Ela costuma deixar o aparelho sempre em cima de sua mesa pra que isso não acontecesse, mas justo hoje, esqueceu e colocou no bolso da calça! Olhou de relance o número de quem a ligava, sua mãe!Desligou o aparelho.
Isaac e Jonas ficaram de prontidão, correram pra ver quem os estava vigiando. Jonas localizou Roberta onde estava escondida e gritou para que fosse até lá. Ela estava assustada e não sabia o que era pior, correr dali ou ficar e ver no que dava ? Mas eles falavam de assassinato!
Na dúvida, Roberta se manteve firme e parada no mesmo lugar, se esses caras resolvessem se aproximar, iam ver!
Ao seu lado, havia um muro que projetava uma grande sombra contra outra parede . Para seu terror, foi dessas sombras que emergiu o deputado, agarrando-a pelo braço! Mas ele não estava agora mesmo lá longe, na sua frente? Agora estava, metade dentro das sombras, metade para fora, segurando-a!
_ Calma menina! Vamos conversar um pouco, o que foi que você ouviu?_ Falou Jonas.
_ Me larga! Socorro!!! _ Gritou Roberta desesperada.
_ Fique calma. Vamos conversar. _ Falou Jonas
Ela nem pensou muito nas conseqüências do seu ato. Queria mesmo era fugir, sobreviver. Sua pele superaqueceu em segundos e Roberta soltou de suas mãos uma rajada de fogo em cima do deputado, que num grito de dor recuou para dentro das sombras. xingando-a!
Isaac de onde estava, preferindo não se aproximar ao ver o que a moça podia fazer. Resolveu agir:
_ Então essa mulher também é mais uma das pessoas que não se juntaram a você e que tem habilidades sem muita aplicação “deputado Bezerra”? Acho que está na hora de rever seus conceitos! _ Riu.
_ Eu vou acabar com essa vadia! _ Respondeu Jonas, ao aparecer em forma de sombra, vindo do chão, atrás de Isaac.
_ Deixa isso comigo , você já fez muita porcaria até aqui...
Isaac apenas olhou para Roberta, um frio glacial surgiu naquele lugar, tudo foi se congelando automaticamente, do ponto de partida, que era o próprio Isaac e de forma circular, avançando em direção da moça. A onda de gelo nem mal tinha alcançado Roberta e ela já sentia que iria morrer, sua garganta e seus ossos pareciam ter congelado, só no momento que ele iniciou aquele efeito.
A onda de gelo avançava para cima de si, ia morrer em poucos segundos ou menos, não teve escolha...acionou seu poder totalmente.
Bem diante dos olhos dos dois, Roberta transformou-se em uma pira de fogo humano, o telhado todo se iluminara como se uma grande lanterna houvesse sido acesa! Inclusive Jonas com o efeito, fora obrigado a reverter a sua forma humana totalmente.
Ao contrário de Jonas, Isaac não se mostrou impressionado ou derrotado, continuou a emitir a onda glacial que projetava de si, sem nem piscar. Roberta sabia que talvez só tivesse prolongado para si, apenas alguns segundos a mais, pois não podia manter aquela forma “flamejante” por muito mais tempo e já sentia sua chama diminuir de intensidade. Isaac mantinha a concentração e iria supera-la logo.
Ao seu redor, uma grande poça de água já havia se formado, conseqüência do derretimento de todo aquele gelo, que mais e mais surgia em sua volta e em volta de tudo. Ouviu então, uma voz já conhecida:
_ “Roberta Maia...venha para a água!!!”
Isaac e Jonas viram bem diante de seus olhos a moça mergulhar de corpo inteiro, como se caísse em um poço muito fundo, na poça de poucos centímetros de altura...
Fim da primeira parte.
Capítulo IV Parte 2
Noite de lua cheia no Rio, Daniel e Samara encontraram o lugar onde supostamente estaria o “presente”que a velha da água havia mostrado em imagem mental para a moça, no encontro que tiveram anteriormente.
Alguns telefonemas foram feitos e minutos depois Fabiano , Vicente e Fátima chegaram na lagoa Rodrigo de Freitas, onde os dois já estavam. Os jovens ficaram preocupados com Vicente, quando o viram com o braço quebrado e sérias manchas e escoriações. Fabiano contou o que aconteceu com ele e com Charles,contou que logo depois de tudo levou o colega pra um hospital e tomou todas as atitudes possíveis. O clima pesou e um deles teve que quebrar o silêncio.
_ Aqui? Foi aqui a imagem que você viu Samara??? _ Perguntou Fátima.
_ Foi, tenho certeza, gente.
_ Ta bom...o que a gente faz agora, grande líder? Sâmara, você não sabe mais nada? Não sabe como a gente tira o tal presente da água?_ Perguntou Fabiano.
_ Infelizmente não... _ Respondeu a moça.
_ Eu já achei o lugar, fiz a minha parte! _ Falou Daniel.
Vicente ficou calado por uns instantes, pensativo.Parecia que estava tentando enxergar através da água escura da lagoa o que poderia estar escondido em seu leito. Todos ficaram em silêncio esperando a resposta. Vicente parou a vista em um determinado ponto espantado. Os jovens notaram essa atitude de colega. Então começou a falar.
_ Vocês todos sabem o que aconteceu hoje...não é possível pensarmos que o que se passou com Charles, não vá acontecer com todos nós. Ele sabia muita coisa que não nos contou, coisas que talvez mesmo que entremos em contato com essa “entidade”que tem nos ajudado, não saibamos tudo. Só estou aqui falando com vocês, porque miraculosamente o Fabiano estava por perto para me salvar...
_ Caraca! Que sorte! O que você estava fazendo lá na praia vermelha naquela hora, Fabiano? _ Perguntou Daniel.
_ Eu fui pegar um sol...desanuviar a cabeça, depois de tudo que aconteceu com a gente...
_ Portanto, antes de mais nada, antes que eu conte o que eu estou vendo no fundo da lagoa, eu acho imperativo que fiquemos mais unidos ainda do que poderíamos ficar antes desse fato... _ falou Vicente.
Nesse momento Guilherme chegou, desculpando-se pela demora. Afinal de contas, tinha vindo do Méier enquanto todos os outros moravam mesmo ali por perto. Logo em seguida Fabiano contou a ele o que havia ocorrido na manhã daquele dia. Guilherme não queria demonstrar, mas dessa vez realmente estava começando a achar aquela “brincadeira”muito perigosa. Não era um guerreiro por natureza. Não gostava de conflitos e violência, nem em filmes americanos. Vicente ao ver Guilherme teve uma idéia:
_ Acho que está na hora de alugarmos uns pedalinhos!
_ Pedalinhos? Adoro passear de pedalinho! _ brincou Fátima.
_ Cara, mas fala! Você viu algo dentro da lagoa? O que foi que você viu? _ Perguntou Daniel.
_ Vamos pro pedalinho que eu falo! _Respondeu Vicente.
_ Fala agora, Puto! _ Insistiu Daniel.
_ Cala a boca, Daniel! Tenha um pouco de paciência!!! _ Brincou Vicente
_ Fala baixo, comigo! _ Respondeu Daniel.
Vicente nada disse, foram todos alugar um daqueles pedalinhos grandes, para seis pessoas. De lá, pedalaram até o meio da lagoa. Durante o trajeto, mesmo que não falassem nada, cada um, em silêncio pensava no que tinha acontecido com Charles.
Samara que sentara ao lado de Fátima falou:
_ Muito lindos esses barquinhos em forma de cisne, não é?
_ São mesmo.
_ Ele não parecia má pessoa...o Charles...
_ Não? Ah...tá! Você só esteve com ele aqueles minutos na casa do Daniel...tinha me esquecido... _ Falou Fátima.
_ Ele era uma pessoa difícil, não é? _ Falou Samara.
_ Difícil? Difícil sou eu!!!
_ É, vocês são arroz do mesmo saco!!!!
_ Não brinca com isso não, menina! _ Respondeu nervosa Fátima.
Daniel sentado ao lado de Vicente perguntou:
_ Cara...o que é que tem aí dentro dessa lagoa?
_ Poxa vida! Você não desiste, Daniel! _ Respondeu Vicente ainda brincando.
_ Ta bom, quer fazer segredo, tudo bem...está doendo muito...o braço?
_ Muito, Daniel, pra caramba, mas não é só isso que dói.
_ Eu sei...também gostava daquele escroto...como é que pode , não é?
Os dói riram juntos pela primeira vez.
_ Obrigado Daniel.
_ Obrigado pelo quê, Vicente?
_ Por me apoiar, por apoiar minhas decisões e por acreditar...
_ Fica calado, moleque! Você é o cara, “rapa”!
No último acento do pedalinho, Guilherme e Fabiano:
_ E aí, gordinho. Tudo certo com você, não falou uma palavra desde que chegou?
_ Eu estou confuso, Fabiano, não achava que o que aconteceu com o Charles fosse acontecer...ainda mais tão cedo...tudo está acontecendo muito rápido.
_ Entendo, Guilla...mas vou te dizer uma coisa, eu tenho muita fá, fé de que vamos virar esse “jogo”que está acontecendo secretamente por aqui, fé de que vamos fazer a diferença.
_ Legal...mas como você consegue ter tanta fé?
_ Vai por mim, gordinho, eu sei do que estou falando. E te digo mais, comigo do lado você não tem do que se preocupar, eu pretejo você!
_ Ah...tá...obrigado...
Eles pedalaram até um ponto próximo ao que seria o meio da lagoa, quando Vicente falou:
_ Todo mundo! Gente, podem parar de pedalar!
_ Eu quero saber, por quê a gente pedalou toda essa distância se dava pro Vicente ter empurrado o barquinho até aqui!!! _ Resmungou Daniel.
_ Deixa de ser preguiçoso, menino! Assim foi muito mais divertido! _ Falou Fátima.
_ Divertido pra você e a Samara, pois no meio não tem pedal pra vocês pedalarem! Faz um tempão que mão malho ou faço qualquer atividade física e estou com a coxa doendo!
_ Galera, vocês tem que ver o Guilla! Olha só ele! _ Gritou Fabiano.
_ Caraca! Tá saindo fumaça do corpo dele!!!! _ Brincou Daniel.
Todos riram de Guila, que devido ao esforço, seu corpo aquecido ao contato com o sereno da lagoa, provocava a evaporação do seu suor.
Vicente virou-se para trás e falou com ele.
_ Guilla. Agora eu acho que é contigo.
_ Comigo, Vicente?
_ Olha, eu consigo ver o que tem aqui embaixo...Eu posso ver através dos objetos, como se eles fossem transparentes pra mim...
_ Como uma visão de raio-x? _ Perguntou Daniel.
_ Isso mesmo e antes que você pergunte Daniel, não, não costumo usar esse dom pra ver através da roupa das mulheres ou dos vestiários femininos...
_ Deus não dá asa à cobra... _ Lamentou-se Daniel.
_ Mas você ouviu, Daniel...ele falou que “não costuma”...então de vez em quando... _ Riu Fabiano.
_ Quantos metros vocês acreditam que tenha essa parte, que é a mais funda da lagoa? _ Perguntou Vicente.
_ Uns dois metros. _ Respondeu Fabiano.
_ Isso... _ ainda olhando para o espelho dàgua , como se pudesse ver através dele _ Agora, temos que levar em conta que o fundo pode ser muito maior nesse determinado ponto, e que portanto haja maior acúmulo de lodo...
_ Onde você quer chegar, Vicente? _ Perguntou Guilla
_ Eu quero pedir que você transforme todo o lodo que está bem abaixo de nós... em uma circunferência de aproximadamente uns 30 metros de diâmetro em mais água ou qualquer outra substância liquida possível pra mim.
_ Não poluidora! _ Brincou Fabiano com Guilla.
_ Eu nunca tentei nada parecido! Não sei se vou poder... _ Falou Guilla.
_ Eu sei! Estou apenas lhe pedindo, conseguiu, beleza! Não conseguiu, paciência. Eu acredito em você! _ Falou Vicente.
_ Pra que tudo isso, Vicente? _ Perguntou Samara.
_ Vai facilitar muito o meu trabalho, Samara. Eu não empurrei o barquinho até aqui, pra poupar energia, mesmo assim, mesmo o Guilla conseguindo fazer o que lhe propus, não há certeza de eu conseguir ter sucesso no que só eu posso fazer aqui.
Guilla se concentrou. Colocou as mãos dentro da água e tentou imaginar o lodo abaixo de si, no fundo da lagoa. Na sua mente então, ordenou que, toda a extensão desse lodo, dessa lama, se transmutasse em mais moléculas de hidrogênio e oxigênio. Vicente continuava olhando pra dentro da lagoa, até que...
_ Você conseguiu, Guilla! Você conseguiu!!! _ Gritou Vicente.
_ Parabéns, gordinho! _ Falou Fabiano, enquanto lhe abraçava.
_ Agora é a minha vez, galera...
Vicente se concentrou, sabia naquele momento que nada podia garantir que conseguisse realizar o que tinha em mente. Imaginou se seus poderes dependiam de alguma espécie de “carga de força”, como os de Daniel. Assim sendo, poderia passar por uma fatiga energética da mesma forma que o colega. Mas no caso de seus poderes, do nível psiônico de suas habilidades, o que o limitava era a sua força de vontade. E força de vontade não lhe faltava . Muito menos, vontade de erguer o objeto que precisava, do fundo daquela lagoa. E Vicente fez o que tinha que fazer.
A vista de todos, uma enorme aeronave prateada, em uma forma que lembrava uma arraia de aço, foi totalmente levitada até um metro do nível da água, pela energia mental de Vicente.O luar refletia sobre sua superfície polida, Daniel falou, maravilhado:
_ ...É...luz é tudo!
Continua...
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Guerra Secreta: Entram em cena os vilôes
Capítulo III
Entram em cena os vilões
“Oignez vilain, il vouspoindra; poignez vilain, il vous oindra”
“Ungi o vilão, pungir-vos-á ; pungi o vilão, ungir-vos-á”
Rabelais (1490-1553)
A moça loura entra no elevador, todos os homens reparam, algumas mulheres na rua também... é praticamente impossível não reparar . Ela sabe disso, desde que seus dons afloraram no início da puberdade, independente do quanto se sinta bonita no dia ou não, para quem ela quiser que seja, a moça se torna irresistivelmente atraente.
Ela gosta de brincar com isso , no início usava suas habilidades na escola ou nas festas para provocar os casais, inflamar brigas...óbvio que sempre os homens das outras mulheres davam razão e protegiam ela, indo contra suas próprias namoradas.
Em instantes ela chega ao andar requisitado, na assembléia legislativa os elevadores ainda são os mesmos da época que foram construídos, antigos, com a necessidade de um funcionário permanentemente comandando as viagens. Uma secretária em uma pequena mesa a recebe, logo após sair.
_ Bom dia! O Sr. Bezerra já está aguardando a senhorita.Vou anuncia-la! _ Respondeu _ Senhor Bezerra? A senhorita Martha já chegou...claro, agora mesmo senhor. Tenha a bondade, por favor!
_ Obrigada. _ A moça entra no gabinete e é recebida por um cavalheiro em seus trinta e cinco anos,bem apessoado, acompanhado de uma outra moça morena, de cabelos bem compridos e pele muito clara, com idade próxima aos seus vinte e poucos anos
_ Martha! Sente-se! Eu e Pallas a estávamos falando justamente em você agora!
_ Jonas! Pallas! Estou muito atrasada? Espero que não.
_ Não, Martha. Sente-se quero contar pra vocês dois o que aconteceu ontem.Vocês não vão acreditar... _ Falou a moça de cabelos muito compridos e negros, ela pronunciava o português com certa dificuldade com um sotaque que devia ser grego.
Pallas começou seu relato. Primeiro explicando que havia enviado no dia anterior dois “servos” pra interceptar em definitivo o rapaz que havia se recusado em entrar para o grupo do qual eles faziam parte...
_ De alguma forma eles foram destruídos, Jonas...falo sério! Mesmo que o tal Charles pudesse dar cabo de duas das minhas criaturas, mesmo após isso, eu convoquei mais dois...que foram também destruídos! _ Falou. Impressionada.
_ Você mantém uma espécie de elo mental entre elas? _ Perguntou Martha.
_ Não...elas adquirem certa independência, uma vez invocadas...mas posso sentir se algo der muito errado, no mesmo instante aonde eu estiver...
Jonas continuava em silêncio, aquelas duas mulheres eram ambas, seu braço direito e esquerdo. Suas habilidades únicas já haviam lhe rendido muitos pontos, muitas vitórias. E agora, com sua “sociedade” sendo estruturada. Elas seriam pilares fortes para aquisição de novos membros ou até mesmo, como no caso relatado agora, eliminação de convocados não interessados em se juntar a eles
Já conhecia ambas a um bom tempo e sabia que os talentos mágicos de Pallas eram sem par....resolveu quebrar seu silêncio.
_ Foi ele? Foi Charles quem os destruiu?
_ Talvez...é o que tudo indica. _ Respondeu Pallas.
_ Vocês querem que eu descubra? A mim ele não resistiria...
_ Martha, eu pedi que Pallas tomasse a frente nesse pequeno problema, pois queria usar o cara como um exemplo para quem mais imaginasse não participar do nosso esquema das coisas...não queria que você o trouxesse para o nosso lado, influenciado por seus poderes.
_ Você poderia lhe pedir que se matasse, o que acha?
_ Tem certeza? Está certa que não quer mais tirar uma casquinha do cara, Pallas? Se eu tomar a frente disso, posso não falhar, como você...
_ As duas são muito importantes aqui. Se pudessem deixar de lado essa competição pequena, eu iria adorar. As habilidades do rapaz eram muito valiosas pra nós. Só aceitei dar cabo dele, pois não seria possível mantê-lo indefinidamente sobre controle por aqui, mesmo com seu “empurrãozinho” Martha, conhecimento é poder e no caso desse Charles então, conhecimento é extremamente perigoso. Acabe com ele.
_ Assassinato...
_ Não temos outra opção Martha. E Pallas está emocionalmente ligada nesse caso...talvez por isso tenha falhado.
_ Eu não falhei Jonas! Já disse! Uma vez conjuradas, as criaturas fazem o que eu quero, mas não sou responsável por qualquer fator externo que não tenha sido antecipado.
_ Bom...qual de vocês duas poderia me ligar com o Groove?
Martha olha para um grande aquário atrás de Jonas Bezerra e por um momento acredita ter visto, dentro da água a imagem de uma velhinha que a olhava com olhar de desapontamento.
No dia anterior, à noite, na casa de Daniel Dominic...
_ Caramba! Está chovendo mulher gostosa no meu chuveiro!
_ Sorte sua, meu caro Daniel! Ainda não tive esse tipo de chuva lá em casa! – Brinca Fabiano.
_ Daniel, o que está havendo aqui? Quem é essa moça que está tomando banho contigo?
_ Eu não estou tomando banho com ela, vó. Eu nem conheço ela...
_ Mas eu não entendo...você não gosta de mulher?...
_ Não é nada disso! Dá licença vó! Você! – apontando pra Sâmara_ Toma essa toalha e vem pro quarto com a gente... _ Respondeu Daniel, chateado.
No quarto, Samara, agora devidamente enxugada, começou seu relato. Ela explicou que tinha recebido a convocação da então famosa: Velha da água. Que ao cair na piscina onde treina, emergiu em um lugar diferente, composto unicamente de água, para todos os lados, em todas as direções e lá travou diálogo com essa entidade.
Para Vicente estava claro que essa moça era uma das pessoas, assim como Guilla, que eles deviam juntar forças pra impedir o tal mal que iria surgir nas suas vidas. Daniel trouxe algumas roupas para ela, que imediatamente vestiu. Ela falou que vinha de porto Alegre e estava no Rio vivendo separada de sua família, para as competições de nado do Pan americano a alguns dias.Explicou que também tinha talentos secretos, que ninguém, a não ser seus pais sabiam. Os outros jovens contaram o que tinham passado naquele dia para a moça. Fabiano perguntou:
_ Qual é o recado para nós? Podemos ver essa tal “velha”, Samara?
_ Acho que não...ou talvez vocês tenham perdido a oportunidade ao não atender os primeiros convites...sei lá...bom. Ela disse que nós tínhamos que resgatar um objeto que estava submerso no oceano. Ela me mostrou aonde era na minha cabeça. Mas não sei o que seria ao certo...seria uma espécie de presente para nos ajudar.
_ Acho que poderíamos ver isso... _ Falou Vicente.
_ Mas não necessariamente mais hoje, Vicente. Está tarde e temos vidas pra voltar, cara._ Falou Fabiano.
_ Tudo bem...eu acho que não vou esquecer aonde está, se vir o lugar vou saber...
_ Amanhã vemos isso, tudo bem gente? Pode deixar Vicente, estou contigo nessa! Não precisa ficar preocupado, vamos ver juntos no que vai dar, amiguinho! _ Falou Fabiano.
_ Í! Olha lá! Também estou nessa! _ Esbravejou Daniel.
_ Podem contar comigo. _ Falou Guilherme.
_ Tudo bem, mas vamos embora...quero ir pra casa... _ Falou Fátima.
Trocaram contatos.Fabiano despediu-se dos demais, tomou sua moto e foi embora em direção do Jardim Botânico, Daniel levou de carro os demais em casa.
Fabiano chegou rápido em seu bairro, naquela hora da noite, a transito praticamente não existia de Copacabana para o Jardim Botânico. Antes de subir na moto, ligou para a namorada e contou sobre o que aconteceu na praia, durante a partida. Contou do acidente de carro, da morte do colega do time rival...amenizou o que pôde. Na verdade a pequena nisei com quem namorava a algum tempo já sabia de suas habilidades, procurava com ela compartilhar sempre o que acontecia em seu dia, na sua vida, cantava-lhe tudo.Ou quase tudo...
Ao desacelerar a moto, notou que uma figura já conhecida sua, o aguardava na frente do portão de seu prédio. Bom, esse segredo ele ainda fazia questão de manter. Eu me aproximei de Fabiano, este retirou o capacete e fez menção de me comprimentar.
_ Qual é, moleque? Tudo certinho? _ Falou Fabiano
_ Por enquanto tudo bem...
_ Está aí a muito tempo?
_ Não. Cheguei agora. Lembra que já te disse que...
_ Que nada disso é novidade pra você, eu sei. Imaginei , vindo para casa, que talvez você já soubesse do que ia acontecer hoje, não é?
_ Eu sabia que mais cedo ou mais tarde a guerra deixaria de ser secreta pra você e os outros.
_ Eu os conheci hoje... _ Fabiano falou como se pensasse alto.
_ Conheceu meu “outro pai” também, com certeza.
_ Conheci.
_ Bom, chegou a hora que eu já havia lhe falado.
Fátima chegou em casa, nossa! Que experiência ela teve hoje! Parece que sua vida ficou de ponta a cabeça. Tomou uma boa ducha. Não antes de se certificar de que ninguém iria aparecer debaixo do fluxo de água do chuveiro. Ao voltar para o quarto, olhou em sua bolsa e reparou que havia mensagens não atendidas em seu celular. Sua amiga Roberta lhe ligou várias vezes.
Pensou se deveria contar para ela sobre o que havia lhe acontecido. Teria que abrir o jogo também quanto aos seus poderes. Ninguém sabia sobre eles. Invejou por um instante Samara e Fabiano, pois lembrou-se que ambos disseram que seus pais sabiam de seus talentos especiais. Mas ela não conseguia se abrir dessa forma, na verdade de forma alguma. Sua família não sabia de nada e ela queria que assim continuasse.
Amanhã ela ligaria pra Roberta, hoje o dia tinha sido muito cansativo. Antes de se deitar, foi ao espelho. Por um momento ficou apenas olhando seu próprio reflexo, depois experimentou se concentrar e pronto! Desaparecera! Podia se ver, mais não havia mais
reflexo no espelho! Nunca antes tinha feito isso por vontade própria, todas as vezes que ficara invisível, fora contra sua vontade, sempre o efeito era alheio ao seu desejo.
Talvez o fato de Vicente ter feito uma “ligação direta” na sua cabeça para seus poderes serem usados por ele, tenha liberado aspectos que agora tornariam mais fácil controlar o seu poder. Talvez tudo isso fosse algo natural, devido ao fato dela ter usado bastante eles hoje. Dispersa em pensamentos, lembrou-se que continuava invisível, teve medo nesse momento...e se não pudesse voltar ao “normal”? Concentrou-se...pronto! Tudo certo. Foi dormir.
Daniel deixou Samara por último em casa. Queria conhecer um pouco mais sobre a gauchinha. Afinal de contas, não era todo dia que aparecia uma moça tão bonita dentro de seu banheiro, do nada. A moça contou um pouco sobre sua vida, seus sonhos e esperanças. Daniel se identificava muito com a conversa que estava tendo com ela.
Ele contou a ela sobre o medo que sentia ao usar seus poderes. Contou que para poder emitir a energia necessária para causar algum efeito físico, tinha que drenar de algo vivo. Ele retirava a energia de coisas vivas pra se abastecer e que uma vez podendo dispor de suas rajadas. Elas ram devastadoras, desintegravam absolutamente tudo o que tocavam. Seu medo maior era matar. Não contava claro, minotauros assassinos invisíveis. Mas pessoas de verdade. Não sabia o que faria se algum dia ferisse de verdade alguém...
Os jovens se identificavam em muito mais coisas, ambos curtiam Aerosmith. Combinaram de ir juntos ver o show no final do mês em São Paulo. Daniel falou de sua banda.
Samara falou que apesar de ser atleta, o que ela queria fazer mesmo era pintar . Contou que de vez em quando ensaiava alguns quadros e gravuras. Daniel riu e contou que escrevia! Não só letras de música, mas também pequenos contos literários. Samara falava da prima, do amor, amizade e cumplicidade que existia entre ambas. Ela falou da saudade da parente que morava na capital Paulista. Daniel achou muito bonito, tudo o que a moça falava. Uma grande amizade surgia naquele momento.
Fabiano queria encurtar o papo. Não podia dizer que estava cansado para a pessoa com quem conversava, pois além de ser uma grande mentira (ele nunca sentiu cansaço em toda a sua vida) Eu conhecia suas habilidades até melhor do que ele.Falei então:
_ Sei que você está agoniado e quer ir embora .
_ Tenho que ligar pra minha namorada. Não estive com ela hoje, por conta de tudo que aconteceu.
_ O mais importante de tudo é lembra-lo. Amanhã você terá que acordar cedo.
_ Amanhã? O que tem amanhã?
_ Não posso me envolver diretamente, você sabe. Amanhã você precisa salvar meu pai biológico.
Fim da primeira parte.
Capítulo III Segunda parte
Charles acordou cedo , tomou seu café, trocou de roupa. E foi correr no aterro do Flamengo. Durante todo tempo que desempenhava essas atividades corriqueiras, procurava manter a mente focada em um por um dos aspectos mais simples do seu ritual diário.
Por exemplo. Enquanto escovava os dentes ou simplesmente amarrava o cadarço do sapato. Limitava a atividade mental apenas a concentração de tais tarefas, sem desviar o pensamento. Como os orientais normalmente costumam fazer, disciplinando a mente cada vez mais. Ao entrar no elevador riu. Lembrou-se de ontem e imaginou como os outros deveriam imagina-lo depois de tudo
Ficaram sem saber realmente quais seriam seus reais poderes ou se teria esses poderes. Deveriam crer que ele se tratava de um bruto qualquer...alguém que não raciocinava. Gostava de ver quando as pessoas o subestimavam. Seu prazer era esfregar na cara delas suas reais capacidades. “Eles devem achar que dependo da minha espada pra tudo”.
Correu um bom pedaço de chão. Chegou na pista onde gostava de se exercitar, malhar e praticar seu alongamento.O dia estava lindo. Veio num bom ritmo desde o aterro até a Urca. Mais tarde iria ter que dar aula. Será que aqueles ridículos vão querer achar esse tal “presente”da tal “velha da água”? Se for hoje, não contem com ele, muita coisa precisa ser adiantada na sua vida, não é possível ficar brincando de “X-men” por aí.
As criaturas... sabia que podiam aparecer atrás dele novamente. Deveria contar para eles sobre o fato de estar sendo caçado nas ruas a um tempo por essas criaturas? Talvez depois da derrota que sofreram ontem, não mais apareçam para ele...sabia também quem as estava mandando. Teria que contar isso também? Mas que saco! Charles nunca foi um cara de “grupos”...a não ser o dele. Mas isso é outra estória.
_ Posso me aquecer aqui, junto com você? _ Perguntou uma moça loura muito bonita.
_ Claro...fica a vontade... _ Respondeu _ pensou: “O Daniel achou uma mulher no chuveiro ontem, agora isso...quem precisa de velha ridícula da água???”.Ela nem ao menos tinha feito a convocação pra ele mesmo.
Vicente se preparou para tentar achar o sujeito. Muita coisa ele poderia falar sobre o que estava acontecendo. Toda essa estória sobre uma “guerra secreta”, sociedades misteriosas, outros seres com poderes como eles...tudo isso Charles sabia um pouco ou razoavelmente bem. Pelo menos o suficiente para lhe dar aula.
Bom...ele deixou um número de celular. Que não estava atendendo. Podia ser um número errado. Pois, após toda pose e atitude, porque ele deixaria um número certo de contato? Vicente sabia que Charles era peça chave pra tentar solucionar os mistérios que tinha travado contato.E ele adorava solucionar mistérios!
Podia estar errado, mas aquelas criaturas eram feitas ou trazidas por magia, não pareciam ser obra de “poderes” para-normais. E por que Charles podia vê-las? Aquela espada que carregava...parecia saber lutar muito bem. Era o único deles que realmente lutava...tudo isso tinha que ser averiguado.
Já que Charles queria dificultar a vida de Vicente, que dificultasse. Ele iria acha-lo hoje. Agora mesmo de manhã. E estando só os dois, ele teria que contar a verdade.
Uma vez tinha tido acesso a seus padrões mentais, pois bem. Ele iria encontrar de qualquer forma agora o cara. Num momento em que o guerreiro não estava percebendo, tinha ido ao banheiro na casa de Daniel. Vicente tinha pego “emprestado” uma chave pequena de cadeado, retirada das inúmeras que estavam no chaveiro no bolso do casaco de Charles. Talvez fosse fazer falta para ele agora...que tal entregar?
“Psicometria”, uma das habilidades mais simples de um psi. Consistia a grosso modo no fato de através do contato físico com um objeto de uma pessoa, ver imagens e fatos relacionados a ela. Lugares onde essa pessoa já esteve com o objeto em posse, algumas palavras faladas e ouvidas, imagens...
Vicente viu algumas coisas...engraçado: a chave era do cadeado da bicicleta...”tomara que ele até agora não tenha querido dar uma volta!”...viu sua casa, como era por dentro...objetos religiosos em seu quarto...uma moça bonita de longos cabelos negros...falava engraçado!...Ah! Vicente acabou vendo o lugar preferido de Charles!
Durante essa manhã, na obra onde estava supervisionando. Guilherme, ou Guilla como gostaria de ser chamado pelos amigos, ficava várias vezes aéreo. A memória do que tinha acontecido ontem não saía de seus pensamentos. Finalmente tinha encontrado outros como ele. Talvez fosse a hora de aceitar o convite feito por aquele homem idoso, que morava na serra, perto da casa de seus pais em Teresópolis...
Ele de alguma forma tinha visto potencial em Guilla, e se apresentado como um “velho sábio”, que praticava “artes antigas”. Seria magia negra? Tinha que de uma forma ou de outra pagar pra ver. Se tudo o que ouviu dos outros fora verdade, precisava se aperfeiçoar. Suas habilidades não deixavam de ser uma espécie de “alquimia”, como Vicente enfatizou para ele, na casa de Daniel.
Gostara muito de todos, tinha conseguido se dar relativamente bem até com Charles! As meninas também eram legais. Muito louco como Samara tinha aparecido! O caras: Daniel, Fabiano e Vicente eram “maneiros”. Sentira confiança em todos e admirava as iniciativas de Vicente em assumir uma atitude agressiva em relação do que eles passariam mais pra frente...ou não! Tudo poderia se tratar de um grande engano.
No momento no entanto, o grupo poderia totalmente contar com ele e o que ele poderia fazer.
As ondas batiam sobre as rochas na pista “Gago Coutinho”na praia Vermelha, na Urca. Da altura das pedras, podia se ver a água surpreendente limpa do Oceano Atlântico...mar aberto.
Charles estava em pé, de frente pra moça loura que conhecera a pouco.
_ Você entendeu Charles? Se você me ama mesmo, eu quero que você se jogue daqui de cima, lá embaixo, prova pra mim o seu amor!
_ Você é uma vaca, sabia?
_ Sabia! Mas na India nós somos cultuadas, sabia? No entanto, pode me chamar de “Abelha-rainha”,é assim que muita gente me conhece, eu prefiro, meu zangãozinho!!!
O rapaz tinha domínio sobre sua fala, mas seu corpo, cada célula sua, queria fazer o que a “Abelha-rainha” mandava. Os ferormônios de Martha provocavam isso, ele não mais tinha controle de suas ações. Nem lógica em seus pensamentos.
Martha pegou um celular que trazia consigo e ligou:
_ Jonas.Eu já dei a ordem, não tem como ele desobedecer, se dessa vez sobreviver, não é por causa minha. Também não vou ficar aqui pra ver, pede pro seu “leãozinho de chácara”, ficar de olho e se certificar depois que eu sair que ele passou dessa pra melhor. Sim, ele está aqui perto, cuidando da minha segurança, vou embora. _ Desliga.
A moça faz sinal pra um outro rapaz que a observa a uma certa distância e dá um beijo em Charles.
_ Adeus, gatinho! Até que você é gostosinho,não fica bravo comigo, não, tá?
_ Claro! Reza pra eu morrer mesmo. Se não eu vou atrás de você e desse cara que veio contigo!
_ Não tem como, gato. Uma vez que você cair na água, quero que você me prove que me ama, não fazendo nada pra sobreviver, se a queda não te matar, nem o choque com o mar, morre afogado pra mim, tá? Conta até cem e enquanto isso, pensa na sua vida, ok? Beijo _ Martha sai.
Vicente de longe identificou Charles em pé, prestes a dar um mergulho no mar...mas como? Ao olhar pra baixo, repara que tem muitas pedras e é muito alto a distância até as ondas lá embaixo batendo.
Ele corre até o colega, quando um outro cara detém seu trajeto já próximo a Charles com um empurrão.
_ Parado aí, amigo, onde você pensa que vai? _ fala o rapaz.
_ Charles, o que você vai fazer? _ Pergunta com um grito Vicente.
_ O que você acha, cara? Vou dar um mergulhinho e me arrebentar lá embaixo!
_ Você vai morrer, cara!
_ Agora você captou a idéia! E por favor, para de falar comigo, que aí eu perco a contagem! Vou ter que começar do zero de novo, por sua causa!
_ O que é que está acontecendo...eu não entendo...
_ Vai embora daqui, amigo...eu já te falei, a coisa vai ficar feia pra você se continuar aqui. _ Falou o rapaz desconhecido.
_ Até eu saber o que está acontecendo aqui, você não vai dar mergulho nenhum, Charles. _ Vicente com um gesto afasta Charles bruscamente do precipício, telecineticamente.
_ Ah!!! Temos um psicocinético aqui ao nosso lado! Sabe que eu costumo mastigar “gente psi” no meu desjejum?...e acabei de lembrar! Não tomei ainda café da manhã hoje!
Como um raio, o rapaz desconhecido, pulou um distância inacreditável a acertou um pontapé devastador no queixo de Vicente. Esse cai imediatamente no chão cuspindo sangue.O agressor não pareceu satisfeito com o resultado.
_ Vicente! _ Gritou Charles.
_ Ué??? Ainda vivo? Eu dei um golpe pra arrancar a sua cabeça fora!!! _ Falou o rapaz.
_ Desculpe, véio..._ Levantando_ Nós “psi”somos cheios de surpresas...
O rapaz numa velocidade incrível chuta Vicente enquanto tenta novamente com um soco poderoso destroçar sua cabeça.
_ Vicente! Você não vai reagir??? Aliás...perdi novamente a conta...vou ter que começar do zero. _ Charles volta pro final da pedra.
_ Agüenta firme, Charles. Vou te tirar daí...
_ Sei, sei...se você sobreviver, que não é o que está parecendo...”vinte e três, vinte e ...”
_ Ele não pode reagir, nem que queira! Faz parte dos meus poderes ser totalmente imune a qualquer energia mental! _ Declara sorrindo o agressor_ Só não entendo como não consigo quebrar seu pescoço, seu merda!!!
_ Desculpe se te desaponto, amigo...sabe...tenho um campo de força psiônico permanente...não dá pra me machucar fácil com ataques físicos...e também não tem como eu desligar...eu não sei... _ Vicente ri enquanto cospe mais sangue da boca.
_ Mas eu vou ter matar de qualquer forma, mesmo que demore mais !!!
Na verdade, a cada golpe, cada agressão, o estranho ficava mais irritado e conseqüentemente os ataques saíam mais poderosos, não era que Vicente não quisesse se defender, ele não podia. A única coisa que o mantinha vivo ainda era sua aura psiônica, que desagradava enormemente seu oponente. Pois sua força, agilidade e velocidade eram impressionantes e nunca antes tivera tanta dificuldade pra acabar uma luta tão fácil como essa.
Por outro lado, Vicente não conseguia se concentrar, sua sorte era que seu “campo”era ativado inconscientemente, alheio a sua vontade. Pois o rapaz era muito pra ele naquele ponto. Dessa forma, não podia mais ver Charles e impedir que pulasse, pois estava tentando sobreviver.
Realmente seu oponente era imune a sua telecinesia ou a qualquer outra forma de ataque mental. Lembrava, da forma como se movia, pulava e atacava-lhe, um macaco ou um gato. Só que muito mais impressionante. Também não havia nada por perto que pudesse ser arremessado contra ele...Só lhe restava um pensamento...podia explodi-lo com a mente...sabia que podia...mas faria? Só com o empurrão que deu em Charles pra afasta-lo do precipício quase quebrou o rapaz ao meio, seus poderes não eram confiáveis.
_ Bom, oitenta e dois, oitenta e três...Acho que vou ter que ir Vicente, pelo menos morro e não vejo essa covardia!Vai dar uma de Madre Tereza??? Acaba com esse merda, Vicente! Pelo menos morro um pouco em paz! _ Gritou Charles.
_ Cala boca! _ Gritou o rapaz desconhecido enquanto com um golpe quebrava o braço de Vicente.
A dor foi insuportável para Vicente, o próprio agressor estava ficando exausto, tinha empregado muita força pra atravessar as defesas mentais no corpo do garoto, mas agora estava chegando perto de acabar com ele! Charles gritou:
_ Vicente, seu ridículo! Ele vai te matar! Reage feito homem!!!
_ Você acha que eu estou tentando fazer o quê? E você, por que não vem aqui me dar uma mãozinha? O lutador aqui é você e não eu!!!
_ Ele está fazendo de você carne de hambúrguer! E se eu pudesse ia aí, mas uma loura vagabunda me mandou pular daqui e me deixar morrer, sabe...
_ E você sempre faz o que te mandam? _ Perguntou Vicente enquanto era novamente acertado pela velocidade e força de seu oponente sem chance de esquiva.
_ Não! Só quando essas “louras vagabundas” tem poderes de persuasão...e presta atenção na sua briga, cara!
Vicente consegue, aproveitando a distração do seu agressor, com o diálogo que travava aos berros com Charles, acertar um murro no seu nariz, desorientando-o por poucos instantes, na surpresa do feito.
_ Seu merda!Agora eu acabo de vez contigo!Ninguém nunca me acertou! _ Esbravejou o rapaz.
Charles chega na contagem “cem” e pula da pedra em direção as ondas que batiam com força nos rochedos lá embaixo.
Com estupidez Vicente é empurrado ao chão, seu campo de força não mais estava funcionando, devido ao cansaço físico que se encontrava. O outro rapaz monta em cima dele e com as duas mãos preparava para quebrar seu pescoço, realizado.
_ Valeu, cara! Valeu mesmo! Apesar de tudo, ninguém nunca tinha me dado o trabalho chatinho de ter que gastar tanto tempo e energia pra acabar com alguém, como você! Bato palma pra ti! _ Ri enquanto se prepara pra quebrar o pescoço de Vicente, que cuspindo mais sangue sorri...
_ Você endoideceu de vez, depois de levar tanta porrada, né? Ta rindo do quê???
Nessa hora, o rapaz é retirado de cima de Vicente, suspenso pelo pescoço por mãos fortes que esmagavam sua faringe e laringe.Tentou balbuciar algo:
_ Uhhhhhhhh....quem???_ Enquanto se contorcia de dor ainda suspenso.
_ Olá, Groove! Fala aí? Como você tem passado? Conheceu meu irmãozinho, não é?
Agora, ainda suspenso, mas virado de encontro ao novo participante da luta. Groove fala surpreso:
_ @#$%^&*&^%$#!!!!!!!
_ Como é? Eu não estou conseguindo ouvir direito...vou meneirar um pouco a força, tá?
_ Fabiano! O que você está fazendo aqui??? _ Falou ainda tentando retirar as mãos que o prendiam pela garganta.
_ Não adianta, Groove, Te conheço de tempos e meu corpo sabe muito bem como tem que ser pra lidar contigo, meu chapa, lembra? Nos conhecemos de velhos carnavais!
_ Não se meta nisso!!!
_ Já me meti, cara, estou protegendo esse cara agora, pede desculpa!
_ O quê?!?!?!
_ Pede desculpa pra ele agora! Ou então...
_ Calma Fabiano, eu estou bem, a gente tem que ajudar o Charles..._ Falou Vicente todo moído, enquanto tentava se levantar.
_ Tá vendo esse moleque? É um garoto legal! Se ele quisesse, tinha explodido você, cara...bom, tenho que ajuda-lo agora a achar um colega nosso... _ Fabiano arremessa Groove muito longe, contra a arrebentação e os rochedos.
_ Amigo seu? _ Pergunta Vicente ainda bastante tonto.
_ Não. Amigo seu? _ Começam a rir.
Charles enquanto cai, lembra das últimas palavras de Martha, se sobreviver, não poderá fazer nada pra emergir e se salvar. Todo seu corpo arde de desejo por ela, mesmo depois de tudo, que droga de ferormônios malditos! O pior, sua mente está lúcida o tempo todo...pensa: “Dessa vez eu vou ficar de bigode!”.
Ao se aproximar do mar, ouve uma voz: “Charles Alfredo...venha para a água!.”
_ Ponte que partiu!!! A velha ainda por cima, sabe meu nome todo!
Continua...
Entram em cena os vilões
“Oignez vilain, il vouspoindra; poignez vilain, il vous oindra”
“Ungi o vilão, pungir-vos-á ; pungi o vilão, ungir-vos-á”
Rabelais (1490-1553)
A moça loura entra no elevador, todos os homens reparam, algumas mulheres na rua também... é praticamente impossível não reparar . Ela sabe disso, desde que seus dons afloraram no início da puberdade, independente do quanto se sinta bonita no dia ou não, para quem ela quiser que seja, a moça se torna irresistivelmente atraente.
Ela gosta de brincar com isso , no início usava suas habilidades na escola ou nas festas para provocar os casais, inflamar brigas...óbvio que sempre os homens das outras mulheres davam razão e protegiam ela, indo contra suas próprias namoradas.
Em instantes ela chega ao andar requisitado, na assembléia legislativa os elevadores ainda são os mesmos da época que foram construídos, antigos, com a necessidade de um funcionário permanentemente comandando as viagens. Uma secretária em uma pequena mesa a recebe, logo após sair.
_ Bom dia! O Sr. Bezerra já está aguardando a senhorita.Vou anuncia-la! _ Respondeu _ Senhor Bezerra? A senhorita Martha já chegou...claro, agora mesmo senhor. Tenha a bondade, por favor!
_ Obrigada. _ A moça entra no gabinete e é recebida por um cavalheiro em seus trinta e cinco anos,bem apessoado, acompanhado de uma outra moça morena, de cabelos bem compridos e pele muito clara, com idade próxima aos seus vinte e poucos anos
_ Martha! Sente-se! Eu e Pallas a estávamos falando justamente em você agora!
_ Jonas! Pallas! Estou muito atrasada? Espero que não.
_ Não, Martha. Sente-se quero contar pra vocês dois o que aconteceu ontem.Vocês não vão acreditar... _ Falou a moça de cabelos muito compridos e negros, ela pronunciava o português com certa dificuldade com um sotaque que devia ser grego.
Pallas começou seu relato. Primeiro explicando que havia enviado no dia anterior dois “servos” pra interceptar em definitivo o rapaz que havia se recusado em entrar para o grupo do qual eles faziam parte...
_ De alguma forma eles foram destruídos, Jonas...falo sério! Mesmo que o tal Charles pudesse dar cabo de duas das minhas criaturas, mesmo após isso, eu convoquei mais dois...que foram também destruídos! _ Falou. Impressionada.
_ Você mantém uma espécie de elo mental entre elas? _ Perguntou Martha.
_ Não...elas adquirem certa independência, uma vez invocadas...mas posso sentir se algo der muito errado, no mesmo instante aonde eu estiver...
Jonas continuava em silêncio, aquelas duas mulheres eram ambas, seu braço direito e esquerdo. Suas habilidades únicas já haviam lhe rendido muitos pontos, muitas vitórias. E agora, com sua “sociedade” sendo estruturada. Elas seriam pilares fortes para aquisição de novos membros ou até mesmo, como no caso relatado agora, eliminação de convocados não interessados em se juntar a eles
Já conhecia ambas a um bom tempo e sabia que os talentos mágicos de Pallas eram sem par....resolveu quebrar seu silêncio.
_ Foi ele? Foi Charles quem os destruiu?
_ Talvez...é o que tudo indica. _ Respondeu Pallas.
_ Vocês querem que eu descubra? A mim ele não resistiria...
_ Martha, eu pedi que Pallas tomasse a frente nesse pequeno problema, pois queria usar o cara como um exemplo para quem mais imaginasse não participar do nosso esquema das coisas...não queria que você o trouxesse para o nosso lado, influenciado por seus poderes.
_ Você poderia lhe pedir que se matasse, o que acha?
_ Tem certeza? Está certa que não quer mais tirar uma casquinha do cara, Pallas? Se eu tomar a frente disso, posso não falhar, como você...
_ As duas são muito importantes aqui. Se pudessem deixar de lado essa competição pequena, eu iria adorar. As habilidades do rapaz eram muito valiosas pra nós. Só aceitei dar cabo dele, pois não seria possível mantê-lo indefinidamente sobre controle por aqui, mesmo com seu “empurrãozinho” Martha, conhecimento é poder e no caso desse Charles então, conhecimento é extremamente perigoso. Acabe com ele.
_ Assassinato...
_ Não temos outra opção Martha. E Pallas está emocionalmente ligada nesse caso...talvez por isso tenha falhado.
_ Eu não falhei Jonas! Já disse! Uma vez conjuradas, as criaturas fazem o que eu quero, mas não sou responsável por qualquer fator externo que não tenha sido antecipado.
_ Bom...qual de vocês duas poderia me ligar com o Groove?
Martha olha para um grande aquário atrás de Jonas Bezerra e por um momento acredita ter visto, dentro da água a imagem de uma velhinha que a olhava com olhar de desapontamento.
No dia anterior, à noite, na casa de Daniel Dominic...
_ Caramba! Está chovendo mulher gostosa no meu chuveiro!
_ Sorte sua, meu caro Daniel! Ainda não tive esse tipo de chuva lá em casa! – Brinca Fabiano.
_ Daniel, o que está havendo aqui? Quem é essa moça que está tomando banho contigo?
_ Eu não estou tomando banho com ela, vó. Eu nem conheço ela...
_ Mas eu não entendo...você não gosta de mulher?...
_ Não é nada disso! Dá licença vó! Você! – apontando pra Sâmara_ Toma essa toalha e vem pro quarto com a gente... _ Respondeu Daniel, chateado.
No quarto, Samara, agora devidamente enxugada, começou seu relato. Ela explicou que tinha recebido a convocação da então famosa: Velha da água. Que ao cair na piscina onde treina, emergiu em um lugar diferente, composto unicamente de água, para todos os lados, em todas as direções e lá travou diálogo com essa entidade.
Para Vicente estava claro que essa moça era uma das pessoas, assim como Guilla, que eles deviam juntar forças pra impedir o tal mal que iria surgir nas suas vidas. Daniel trouxe algumas roupas para ela, que imediatamente vestiu. Ela falou que vinha de porto Alegre e estava no Rio vivendo separada de sua família, para as competições de nado do Pan americano a alguns dias.Explicou que também tinha talentos secretos, que ninguém, a não ser seus pais sabiam. Os outros jovens contaram o que tinham passado naquele dia para a moça. Fabiano perguntou:
_ Qual é o recado para nós? Podemos ver essa tal “velha”, Samara?
_ Acho que não...ou talvez vocês tenham perdido a oportunidade ao não atender os primeiros convites...sei lá...bom. Ela disse que nós tínhamos que resgatar um objeto que estava submerso no oceano. Ela me mostrou aonde era na minha cabeça. Mas não sei o que seria ao certo...seria uma espécie de presente para nos ajudar.
_ Acho que poderíamos ver isso... _ Falou Vicente.
_ Mas não necessariamente mais hoje, Vicente. Está tarde e temos vidas pra voltar, cara._ Falou Fabiano.
_ Tudo bem...eu acho que não vou esquecer aonde está, se vir o lugar vou saber...
_ Amanhã vemos isso, tudo bem gente? Pode deixar Vicente, estou contigo nessa! Não precisa ficar preocupado, vamos ver juntos no que vai dar, amiguinho! _ Falou Fabiano.
_ Í! Olha lá! Também estou nessa! _ Esbravejou Daniel.
_ Podem contar comigo. _ Falou Guilherme.
_ Tudo bem, mas vamos embora...quero ir pra casa... _ Falou Fátima.
Trocaram contatos.Fabiano despediu-se dos demais, tomou sua moto e foi embora em direção do Jardim Botânico, Daniel levou de carro os demais em casa.
Fabiano chegou rápido em seu bairro, naquela hora da noite, a transito praticamente não existia de Copacabana para o Jardim Botânico. Antes de subir na moto, ligou para a namorada e contou sobre o que aconteceu na praia, durante a partida. Contou do acidente de carro, da morte do colega do time rival...amenizou o que pôde. Na verdade a pequena nisei com quem namorava a algum tempo já sabia de suas habilidades, procurava com ela compartilhar sempre o que acontecia em seu dia, na sua vida, cantava-lhe tudo.Ou quase tudo...
Ao desacelerar a moto, notou que uma figura já conhecida sua, o aguardava na frente do portão de seu prédio. Bom, esse segredo ele ainda fazia questão de manter. Eu me aproximei de Fabiano, este retirou o capacete e fez menção de me comprimentar.
_ Qual é, moleque? Tudo certinho? _ Falou Fabiano
_ Por enquanto tudo bem...
_ Está aí a muito tempo?
_ Não. Cheguei agora. Lembra que já te disse que...
_ Que nada disso é novidade pra você, eu sei. Imaginei , vindo para casa, que talvez você já soubesse do que ia acontecer hoje, não é?
_ Eu sabia que mais cedo ou mais tarde a guerra deixaria de ser secreta pra você e os outros.
_ Eu os conheci hoje... _ Fabiano falou como se pensasse alto.
_ Conheceu meu “outro pai” também, com certeza.
_ Conheci.
_ Bom, chegou a hora que eu já havia lhe falado.
Fátima chegou em casa, nossa! Que experiência ela teve hoje! Parece que sua vida ficou de ponta a cabeça. Tomou uma boa ducha. Não antes de se certificar de que ninguém iria aparecer debaixo do fluxo de água do chuveiro. Ao voltar para o quarto, olhou em sua bolsa e reparou que havia mensagens não atendidas em seu celular. Sua amiga Roberta lhe ligou várias vezes.
Pensou se deveria contar para ela sobre o que havia lhe acontecido. Teria que abrir o jogo também quanto aos seus poderes. Ninguém sabia sobre eles. Invejou por um instante Samara e Fabiano, pois lembrou-se que ambos disseram que seus pais sabiam de seus talentos especiais. Mas ela não conseguia se abrir dessa forma, na verdade de forma alguma. Sua família não sabia de nada e ela queria que assim continuasse.
Amanhã ela ligaria pra Roberta, hoje o dia tinha sido muito cansativo. Antes de se deitar, foi ao espelho. Por um momento ficou apenas olhando seu próprio reflexo, depois experimentou se concentrar e pronto! Desaparecera! Podia se ver, mais não havia mais
reflexo no espelho! Nunca antes tinha feito isso por vontade própria, todas as vezes que ficara invisível, fora contra sua vontade, sempre o efeito era alheio ao seu desejo.
Talvez o fato de Vicente ter feito uma “ligação direta” na sua cabeça para seus poderes serem usados por ele, tenha liberado aspectos que agora tornariam mais fácil controlar o seu poder. Talvez tudo isso fosse algo natural, devido ao fato dela ter usado bastante eles hoje. Dispersa em pensamentos, lembrou-se que continuava invisível, teve medo nesse momento...e se não pudesse voltar ao “normal”? Concentrou-se...pronto! Tudo certo. Foi dormir.
Daniel deixou Samara por último em casa. Queria conhecer um pouco mais sobre a gauchinha. Afinal de contas, não era todo dia que aparecia uma moça tão bonita dentro de seu banheiro, do nada. A moça contou um pouco sobre sua vida, seus sonhos e esperanças. Daniel se identificava muito com a conversa que estava tendo com ela.
Ele contou a ela sobre o medo que sentia ao usar seus poderes. Contou que para poder emitir a energia necessária para causar algum efeito físico, tinha que drenar de algo vivo. Ele retirava a energia de coisas vivas pra se abastecer e que uma vez podendo dispor de suas rajadas. Elas ram devastadoras, desintegravam absolutamente tudo o que tocavam. Seu medo maior era matar. Não contava claro, minotauros assassinos invisíveis. Mas pessoas de verdade. Não sabia o que faria se algum dia ferisse de verdade alguém...
Os jovens se identificavam em muito mais coisas, ambos curtiam Aerosmith. Combinaram de ir juntos ver o show no final do mês em São Paulo. Daniel falou de sua banda.
Samara falou que apesar de ser atleta, o que ela queria fazer mesmo era pintar . Contou que de vez em quando ensaiava alguns quadros e gravuras. Daniel riu e contou que escrevia! Não só letras de música, mas também pequenos contos literários. Samara falava da prima, do amor, amizade e cumplicidade que existia entre ambas. Ela falou da saudade da parente que morava na capital Paulista. Daniel achou muito bonito, tudo o que a moça falava. Uma grande amizade surgia naquele momento.
Fabiano queria encurtar o papo. Não podia dizer que estava cansado para a pessoa com quem conversava, pois além de ser uma grande mentira (ele nunca sentiu cansaço em toda a sua vida) Eu conhecia suas habilidades até melhor do que ele.Falei então:
_ Sei que você está agoniado e quer ir embora .
_ Tenho que ligar pra minha namorada. Não estive com ela hoje, por conta de tudo que aconteceu.
_ O mais importante de tudo é lembra-lo. Amanhã você terá que acordar cedo.
_ Amanhã? O que tem amanhã?
_ Não posso me envolver diretamente, você sabe. Amanhã você precisa salvar meu pai biológico.
Fim da primeira parte.
Capítulo III Segunda parte
Charles acordou cedo , tomou seu café, trocou de roupa. E foi correr no aterro do Flamengo. Durante todo tempo que desempenhava essas atividades corriqueiras, procurava manter a mente focada em um por um dos aspectos mais simples do seu ritual diário.
Por exemplo. Enquanto escovava os dentes ou simplesmente amarrava o cadarço do sapato. Limitava a atividade mental apenas a concentração de tais tarefas, sem desviar o pensamento. Como os orientais normalmente costumam fazer, disciplinando a mente cada vez mais. Ao entrar no elevador riu. Lembrou-se de ontem e imaginou como os outros deveriam imagina-lo depois de tudo
Ficaram sem saber realmente quais seriam seus reais poderes ou se teria esses poderes. Deveriam crer que ele se tratava de um bruto qualquer...alguém que não raciocinava. Gostava de ver quando as pessoas o subestimavam. Seu prazer era esfregar na cara delas suas reais capacidades. “Eles devem achar que dependo da minha espada pra tudo”.
Correu um bom pedaço de chão. Chegou na pista onde gostava de se exercitar, malhar e praticar seu alongamento.O dia estava lindo. Veio num bom ritmo desde o aterro até a Urca. Mais tarde iria ter que dar aula. Será que aqueles ridículos vão querer achar esse tal “presente”da tal “velha da água”? Se for hoje, não contem com ele, muita coisa precisa ser adiantada na sua vida, não é possível ficar brincando de “X-men” por aí.
As criaturas... sabia que podiam aparecer atrás dele novamente. Deveria contar para eles sobre o fato de estar sendo caçado nas ruas a um tempo por essas criaturas? Talvez depois da derrota que sofreram ontem, não mais apareçam para ele...sabia também quem as estava mandando. Teria que contar isso também? Mas que saco! Charles nunca foi um cara de “grupos”...a não ser o dele. Mas isso é outra estória.
_ Posso me aquecer aqui, junto com você? _ Perguntou uma moça loura muito bonita.
_ Claro...fica a vontade... _ Respondeu _ pensou: “O Daniel achou uma mulher no chuveiro ontem, agora isso...quem precisa de velha ridícula da água???”.Ela nem ao menos tinha feito a convocação pra ele mesmo.
Vicente se preparou para tentar achar o sujeito. Muita coisa ele poderia falar sobre o que estava acontecendo. Toda essa estória sobre uma “guerra secreta”, sociedades misteriosas, outros seres com poderes como eles...tudo isso Charles sabia um pouco ou razoavelmente bem. Pelo menos o suficiente para lhe dar aula.
Bom...ele deixou um número de celular. Que não estava atendendo. Podia ser um número errado. Pois, após toda pose e atitude, porque ele deixaria um número certo de contato? Vicente sabia que Charles era peça chave pra tentar solucionar os mistérios que tinha travado contato.E ele adorava solucionar mistérios!
Podia estar errado, mas aquelas criaturas eram feitas ou trazidas por magia, não pareciam ser obra de “poderes” para-normais. E por que Charles podia vê-las? Aquela espada que carregava...parecia saber lutar muito bem. Era o único deles que realmente lutava...tudo isso tinha que ser averiguado.
Já que Charles queria dificultar a vida de Vicente, que dificultasse. Ele iria acha-lo hoje. Agora mesmo de manhã. E estando só os dois, ele teria que contar a verdade.
Uma vez tinha tido acesso a seus padrões mentais, pois bem. Ele iria encontrar de qualquer forma agora o cara. Num momento em que o guerreiro não estava percebendo, tinha ido ao banheiro na casa de Daniel. Vicente tinha pego “emprestado” uma chave pequena de cadeado, retirada das inúmeras que estavam no chaveiro no bolso do casaco de Charles. Talvez fosse fazer falta para ele agora...que tal entregar?
“Psicometria”, uma das habilidades mais simples de um psi. Consistia a grosso modo no fato de através do contato físico com um objeto de uma pessoa, ver imagens e fatos relacionados a ela. Lugares onde essa pessoa já esteve com o objeto em posse, algumas palavras faladas e ouvidas, imagens...
Vicente viu algumas coisas...engraçado: a chave era do cadeado da bicicleta...”tomara que ele até agora não tenha querido dar uma volta!”...viu sua casa, como era por dentro...objetos religiosos em seu quarto...uma moça bonita de longos cabelos negros...falava engraçado!...Ah! Vicente acabou vendo o lugar preferido de Charles!
Durante essa manhã, na obra onde estava supervisionando. Guilherme, ou Guilla como gostaria de ser chamado pelos amigos, ficava várias vezes aéreo. A memória do que tinha acontecido ontem não saía de seus pensamentos. Finalmente tinha encontrado outros como ele. Talvez fosse a hora de aceitar o convite feito por aquele homem idoso, que morava na serra, perto da casa de seus pais em Teresópolis...
Ele de alguma forma tinha visto potencial em Guilla, e se apresentado como um “velho sábio”, que praticava “artes antigas”. Seria magia negra? Tinha que de uma forma ou de outra pagar pra ver. Se tudo o que ouviu dos outros fora verdade, precisava se aperfeiçoar. Suas habilidades não deixavam de ser uma espécie de “alquimia”, como Vicente enfatizou para ele, na casa de Daniel.
Gostara muito de todos, tinha conseguido se dar relativamente bem até com Charles! As meninas também eram legais. Muito louco como Samara tinha aparecido! O caras: Daniel, Fabiano e Vicente eram “maneiros”. Sentira confiança em todos e admirava as iniciativas de Vicente em assumir uma atitude agressiva em relação do que eles passariam mais pra frente...ou não! Tudo poderia se tratar de um grande engano.
No momento no entanto, o grupo poderia totalmente contar com ele e o que ele poderia fazer.
As ondas batiam sobre as rochas na pista “Gago Coutinho”na praia Vermelha, na Urca. Da altura das pedras, podia se ver a água surpreendente limpa do Oceano Atlântico...mar aberto.
Charles estava em pé, de frente pra moça loura que conhecera a pouco.
_ Você entendeu Charles? Se você me ama mesmo, eu quero que você se jogue daqui de cima, lá embaixo, prova pra mim o seu amor!
_ Você é uma vaca, sabia?
_ Sabia! Mas na India nós somos cultuadas, sabia? No entanto, pode me chamar de “Abelha-rainha”,é assim que muita gente me conhece, eu prefiro, meu zangãozinho!!!
O rapaz tinha domínio sobre sua fala, mas seu corpo, cada célula sua, queria fazer o que a “Abelha-rainha” mandava. Os ferormônios de Martha provocavam isso, ele não mais tinha controle de suas ações. Nem lógica em seus pensamentos.
Martha pegou um celular que trazia consigo e ligou:
_ Jonas.Eu já dei a ordem, não tem como ele desobedecer, se dessa vez sobreviver, não é por causa minha. Também não vou ficar aqui pra ver, pede pro seu “leãozinho de chácara”, ficar de olho e se certificar depois que eu sair que ele passou dessa pra melhor. Sim, ele está aqui perto, cuidando da minha segurança, vou embora. _ Desliga.
A moça faz sinal pra um outro rapaz que a observa a uma certa distância e dá um beijo em Charles.
_ Adeus, gatinho! Até que você é gostosinho,não fica bravo comigo, não, tá?
_ Claro! Reza pra eu morrer mesmo. Se não eu vou atrás de você e desse cara que veio contigo!
_ Não tem como, gato. Uma vez que você cair na água, quero que você me prove que me ama, não fazendo nada pra sobreviver, se a queda não te matar, nem o choque com o mar, morre afogado pra mim, tá? Conta até cem e enquanto isso, pensa na sua vida, ok? Beijo _ Martha sai.
Vicente de longe identificou Charles em pé, prestes a dar um mergulho no mar...mas como? Ao olhar pra baixo, repara que tem muitas pedras e é muito alto a distância até as ondas lá embaixo batendo.
Ele corre até o colega, quando um outro cara detém seu trajeto já próximo a Charles com um empurrão.
_ Parado aí, amigo, onde você pensa que vai? _ fala o rapaz.
_ Charles, o que você vai fazer? _ Pergunta com um grito Vicente.
_ O que você acha, cara? Vou dar um mergulhinho e me arrebentar lá embaixo!
_ Você vai morrer, cara!
_ Agora você captou a idéia! E por favor, para de falar comigo, que aí eu perco a contagem! Vou ter que começar do zero de novo, por sua causa!
_ O que é que está acontecendo...eu não entendo...
_ Vai embora daqui, amigo...eu já te falei, a coisa vai ficar feia pra você se continuar aqui. _ Falou o rapaz desconhecido.
_ Até eu saber o que está acontecendo aqui, você não vai dar mergulho nenhum, Charles. _ Vicente com um gesto afasta Charles bruscamente do precipício, telecineticamente.
_ Ah!!! Temos um psicocinético aqui ao nosso lado! Sabe que eu costumo mastigar “gente psi” no meu desjejum?...e acabei de lembrar! Não tomei ainda café da manhã hoje!
Como um raio, o rapaz desconhecido, pulou um distância inacreditável a acertou um pontapé devastador no queixo de Vicente. Esse cai imediatamente no chão cuspindo sangue.O agressor não pareceu satisfeito com o resultado.
_ Vicente! _ Gritou Charles.
_ Ué??? Ainda vivo? Eu dei um golpe pra arrancar a sua cabeça fora!!! _ Falou o rapaz.
_ Desculpe, véio..._ Levantando_ Nós “psi”somos cheios de surpresas...
O rapaz numa velocidade incrível chuta Vicente enquanto tenta novamente com um soco poderoso destroçar sua cabeça.
_ Vicente! Você não vai reagir??? Aliás...perdi novamente a conta...vou ter que começar do zero. _ Charles volta pro final da pedra.
_ Agüenta firme, Charles. Vou te tirar daí...
_ Sei, sei...se você sobreviver, que não é o que está parecendo...”vinte e três, vinte e ...”
_ Ele não pode reagir, nem que queira! Faz parte dos meus poderes ser totalmente imune a qualquer energia mental! _ Declara sorrindo o agressor_ Só não entendo como não consigo quebrar seu pescoço, seu merda!!!
_ Desculpe se te desaponto, amigo...sabe...tenho um campo de força psiônico permanente...não dá pra me machucar fácil com ataques físicos...e também não tem como eu desligar...eu não sei... _ Vicente ri enquanto cospe mais sangue da boca.
_ Mas eu vou ter matar de qualquer forma, mesmo que demore mais !!!
Na verdade, a cada golpe, cada agressão, o estranho ficava mais irritado e conseqüentemente os ataques saíam mais poderosos, não era que Vicente não quisesse se defender, ele não podia. A única coisa que o mantinha vivo ainda era sua aura psiônica, que desagradava enormemente seu oponente. Pois sua força, agilidade e velocidade eram impressionantes e nunca antes tivera tanta dificuldade pra acabar uma luta tão fácil como essa.
Por outro lado, Vicente não conseguia se concentrar, sua sorte era que seu “campo”era ativado inconscientemente, alheio a sua vontade. Pois o rapaz era muito pra ele naquele ponto. Dessa forma, não podia mais ver Charles e impedir que pulasse, pois estava tentando sobreviver.
Realmente seu oponente era imune a sua telecinesia ou a qualquer outra forma de ataque mental. Lembrava, da forma como se movia, pulava e atacava-lhe, um macaco ou um gato. Só que muito mais impressionante. Também não havia nada por perto que pudesse ser arremessado contra ele...Só lhe restava um pensamento...podia explodi-lo com a mente...sabia que podia...mas faria? Só com o empurrão que deu em Charles pra afasta-lo do precipício quase quebrou o rapaz ao meio, seus poderes não eram confiáveis.
_ Bom, oitenta e dois, oitenta e três...Acho que vou ter que ir Vicente, pelo menos morro e não vejo essa covardia!Vai dar uma de Madre Tereza??? Acaba com esse merda, Vicente! Pelo menos morro um pouco em paz! _ Gritou Charles.
_ Cala boca! _ Gritou o rapaz desconhecido enquanto com um golpe quebrava o braço de Vicente.
A dor foi insuportável para Vicente, o próprio agressor estava ficando exausto, tinha empregado muita força pra atravessar as defesas mentais no corpo do garoto, mas agora estava chegando perto de acabar com ele! Charles gritou:
_ Vicente, seu ridículo! Ele vai te matar! Reage feito homem!!!
_ Você acha que eu estou tentando fazer o quê? E você, por que não vem aqui me dar uma mãozinha? O lutador aqui é você e não eu!!!
_ Ele está fazendo de você carne de hambúrguer! E se eu pudesse ia aí, mas uma loura vagabunda me mandou pular daqui e me deixar morrer, sabe...
_ E você sempre faz o que te mandam? _ Perguntou Vicente enquanto era novamente acertado pela velocidade e força de seu oponente sem chance de esquiva.
_ Não! Só quando essas “louras vagabundas” tem poderes de persuasão...e presta atenção na sua briga, cara!
Vicente consegue, aproveitando a distração do seu agressor, com o diálogo que travava aos berros com Charles, acertar um murro no seu nariz, desorientando-o por poucos instantes, na surpresa do feito.
_ Seu merda!Agora eu acabo de vez contigo!Ninguém nunca me acertou! _ Esbravejou o rapaz.
Charles chega na contagem “cem” e pula da pedra em direção as ondas que batiam com força nos rochedos lá embaixo.
Com estupidez Vicente é empurrado ao chão, seu campo de força não mais estava funcionando, devido ao cansaço físico que se encontrava. O outro rapaz monta em cima dele e com as duas mãos preparava para quebrar seu pescoço, realizado.
_ Valeu, cara! Valeu mesmo! Apesar de tudo, ninguém nunca tinha me dado o trabalho chatinho de ter que gastar tanto tempo e energia pra acabar com alguém, como você! Bato palma pra ti! _ Ri enquanto se prepara pra quebrar o pescoço de Vicente, que cuspindo mais sangue sorri...
_ Você endoideceu de vez, depois de levar tanta porrada, né? Ta rindo do quê???
Nessa hora, o rapaz é retirado de cima de Vicente, suspenso pelo pescoço por mãos fortes que esmagavam sua faringe e laringe.Tentou balbuciar algo:
_ Uhhhhhhhh....quem???_ Enquanto se contorcia de dor ainda suspenso.
_ Olá, Groove! Fala aí? Como você tem passado? Conheceu meu irmãozinho, não é?
Agora, ainda suspenso, mas virado de encontro ao novo participante da luta. Groove fala surpreso:
_ @#$%^&*&^%$#!!!!!!!
_ Como é? Eu não estou conseguindo ouvir direito...vou meneirar um pouco a força, tá?
_ Fabiano! O que você está fazendo aqui??? _ Falou ainda tentando retirar as mãos que o prendiam pela garganta.
_ Não adianta, Groove, Te conheço de tempos e meu corpo sabe muito bem como tem que ser pra lidar contigo, meu chapa, lembra? Nos conhecemos de velhos carnavais!
_ Não se meta nisso!!!
_ Já me meti, cara, estou protegendo esse cara agora, pede desculpa!
_ O quê?!?!?!
_ Pede desculpa pra ele agora! Ou então...
_ Calma Fabiano, eu estou bem, a gente tem que ajudar o Charles..._ Falou Vicente todo moído, enquanto tentava se levantar.
_ Tá vendo esse moleque? É um garoto legal! Se ele quisesse, tinha explodido você, cara...bom, tenho que ajuda-lo agora a achar um colega nosso... _ Fabiano arremessa Groove muito longe, contra a arrebentação e os rochedos.
_ Amigo seu? _ Pergunta Vicente ainda bastante tonto.
_ Não. Amigo seu? _ Começam a rir.
Charles enquanto cai, lembra das últimas palavras de Martha, se sobreviver, não poderá fazer nada pra emergir e se salvar. Todo seu corpo arde de desejo por ela, mesmo depois de tudo, que droga de ferormônios malditos! O pior, sua mente está lúcida o tempo todo...pensa: “Dessa vez eu vou ficar de bigode!”.
Ao se aproximar do mar, ouve uma voz: “Charles Alfredo...venha para a água!.”
_ Ponte que partiu!!! A velha ainda por cima, sabe meu nome todo!
Continua...
domingo, 15 de abril de 2007
Guerra Secreta: Reunião de família
Capítulo II
Pantofobia s.f. Estado mórbido que se caracteriza por um temor exagerado de todas as coisas.
“Está na hora do jogo começar!”
Samara trocou sua roupa, vestiu o maiô recém comprado num shopping ao chegar no Rio pra estudar e saiu do vestiário em direção à piscina. Ao passar por um espelho tomou um susto, notou que uma senhora, uma velhinha bem pequena, enrugada e vestida em panos rotos a observava do outro lado do reflexo. Teve vontade de gritar, mas logo ouviu a voz que lhe disse: “Vá para a água!”.
A moça viu a imagem tão rapidamente quanto havia aparecido, desaparecer bem diante de seus olhos. Por um tempo ficou perplexa com a experiência.Imaginou o que poderia ter sido aquilo, nada parecia explicar o que ela tinha vivenciado, sabia que tinha poucos minutos para curtir o clube, logo teria treino novamente. Relutou um pouco ainda sobre a idéia de que iria mergulhar depois daquilo, mas logo concluiu que na verdade o que ela queria mesmo era nadar um pouco e aquela velha, aquela alucinação nada mais estava fazendo, do que lhe dar um conselho saudável e prazeroso, riu de como era boba e foi pra piscina. Afinal, qual o mal de fazer o que lhe mandaram? Já que ela iria fazer mesmo de qualquer forma!
Não é preciso dizer que os cinco jovens estavam desorientados sobre tudo, desorientados sobre onde realmente estavam, sobre a hora, pois a alguns instantes, próximo ao momento da colisão do carro de Daniel era dia claro e agora parecia quase noite. Sabe aquele momento próximo das seis horas da tarde, quando não está totalmente escuro, você consegue ver a lua vibrante no céu, as nuvens tomam a tonalidade violeta ou quase roxo, o sol não é mais visto, já mergulhou no horizonte, mas mesmo assim não é totalmente escuro, mas também a muito não é mais dia...Vicente comentava sobre isso com seus colegas
_ É assim agora, é assim o tempo todo. _ Respondeu Guto.
_ Como assim é assim o tempo todo? _ Perguntou Fabiano.
_ É assim o tempo todo meu amigo, não existe mais dia, nem noite, é assim o tempo todo, um eterno fim de pôr-do-sol.
_ Como assim o tempo todo? _ Indagou Fátima _ Você fala como se fosse assim a muito tempo.
_ É assim o tempo todo, meu bem.
_ Nós viajamos no tempo? _ Perguntou Vicente.
_ Vejamos,que dia é hoje pra vocês?
_ Hoje é dia 1 de agosto... _ Disse Fabiano
_Realmente, hoje é dia 1 de agosto...de 2008.
_ Um ano no futuro... _ Constatou Fabiano enquanto começava a perder as dimensões e a aparência metalizada que havia adquirido na briga com a primeira criatura._ Aliás, como você destruiu aquelas coisas?
_ Você não é o único com poderes, “nobre colega”! Esses minotauros são muito sensíveis à luz, no passado eles não podiam ser vistos a olho nu durante o dia, agora que é sempre assim, como estão vendo, eles são o tempo todo visíveis, no entanto, por isso mesmo, ficaram extremamente frágeis à luz e disso eu entendo e comando!
_ O mundo acabou? _ Perguntou Fátima _ temendo a resposta, temendo que seus poderes tenham levado a si e seus novos colegas pra esse fim.
_ Acabou sim...da forma como vocês o conheciam. _ Duro e seco Guto respondeu.
Charles e Daniel continuavam calados, em completo silêncio, apenas ouvindo o que falavam e o que iam descobrindo dessa nova realidade.
Daniel cada vez mais estava preocupado com o que podia ter acontecido com sua família, chegou até a sorrir quando lembrou-se que até pouco tempo atrás, era sobre o carro que estava preocupado, que besteira, comparado com o fim do mundo.
Charles por outro lado, pensava nas palavras de Vicente...pensava que talvez seus atos tivessem desencadeado tudo isso...pensava em algum motivo pra também não ter culpa de nada disso. Olhava pra Daniel e pensava _ “Que moleque idiota, porque ele tinha que passar com aquele carro, justo naquela hora...”_ Se fosse qualquer outra pessoa, talvez nada disso tivesse acontecido. Mas depois lembrou-se dos outros. Os outros ainda estariam ali...estranho...estariam ali como se reunidos...Mas por quem? Pensava, duvidava, pensava, novamente refazia todo o cenário mentalmente...pensava.
Vicente por outro lado, tomava decisões por si e pelos outros.Perguntou:
_ Guto, Guto é o seu nome não é? O que você está fazendo aqui? Qual sua ligação com tudo isso, cadê as pessoas? Cadê todo mundo! Pode parecer estranho o que eu vou dizer, mas ao que me parece, você não estava aqui a toa, foi como se nos esperasse...
Um leve sorriso correu nos lábios de Charles, era o que ele perguntaria naquele momento se quisesse expor suas indagações, foi como se o telepata agora fosse ele e Vicente tivesse apenas sendo usado pra elucidar suas dúvidas...ou será que o infeliz mais uma vez leu os “seus”pensamentos???
Guto começou a explicar tudo. Explicou que a mais ou menos um ano atrás, uma ameaça a princípio não levada a sério surgiu no cenário mundial...
_ De alguma forma, alguém com poderes fora do entendimento de quem quer que seja, apoiado por uma sociedade secreta de seres igualmente extraordinários, assumiu o comando da cidade do Rio de janeiro, logo depois do país inteiro, em questão de semanas, toda América do Sul estava controlada e foi por questão de meros meses para o mundo como um todo seguir o exemplo. _ Respondeu Guto.
_ Mas quem? Quem fez isso e como fez?_ Perguntou Fabiano.
_ Poderes meu caro, poderes como os que vocês tem e até muito superiores, imagine uma sociedade secreta de pessoas com habilidades fenomenais com centenas de adeptos...
_ Nós não voltamos pro nosso tempo real logo após o acidente com o carro do Daniel, não é?_ Perguntou Vicente.
_ Ah sim! Voltaram sim! Voltaram vencedores do pequeno e secreto combate que travaram, meu querido, voltaram e logo depois se separaram, se separaram muito antes de perceberem a guerra eclodir, esse foi o erro que cometeram.
_ Como assim?
_ Vocês não foram reunidos naquele momento por acaso. Nem eram os únicos que deveriam compor a formação. Mas por não darem ouvidos ao chamado. Nem todo seu dom natural de liderança conseguiu impedir que seus colegas, nunca chegassem a se tornar amigos e guerreiros da sua causa, Vicente.
_ Minha causa?
_ E assim, nós iríamos impedir esse futuro “Mad Max”? _ Falou Charles
_ Pois é! “Mad Max”, tem razão!!! _ Respondeu Vicente, irônico _ Tem tudo haver! E a culpa de uma certa forma é toda sua!
_ Vocês podem parar de brigar um instante por favor!!!Vão resolver suas diferenças lá longe, eu quero entender o que está acontecendo aqui, merda! _ Nesse momento o nervosismo de Daniel ficou totalmente evidenciado com sua reação exaltada.
_ O pirralho tá virando homenzinho! _ Debochou Charles.
_ Bom...naquela época, próximo ao dia em que vocês se conheceram e também muito tempo depois, eu vinha recebendo um chamado. Ouvia uma voz feminina, como se de uma senhora bem idosa, que me pedia pra ir pra água...
_ Eu também, Guto! _ Respondeu Fabiano _ Achei que estava ficando maluco!
_ E você fez o quê, Fabiano?
_ Nada, não fiz nada, Vicente, não gosto dessas coisas de macumba! _ Todos riram.
_ Eu também ouvi...
_ Você também ouvia, Fátima? – Perguntou Vicente.
_ Ouvia. Achava a mesma coisa que o Guto, tinha medo, nunca fui ligada em nada sobrenatural.
_ Como se você por si só não fosse um fenômeno! Já olhou o que você pode fazer? _ Perguntou Guto.
_ Não! Pois quando ela usa o poder não pode se ver!!! _ brincou Fabiano.
Vicente sabia que as brincadeiras de Fabiano não eram pra ironizar a situação, mas sim pra quebrar o gelo e tentar animar todos ali.Ele lembrou que por causa do chamado que ouvira naquela manhã, sentira necessidade de se aproximar de uma praia, mesmo que não chegasse muito próximo da água. O próprio Guto parecia entender isso também e acabou rindo junto com ele.Charles já não conseguia se manter tão distante quanto antes em aparência, era claro que ele queria tomar parte das perguntas.Vicente perguntou:
_ Você também ouvia essa voz, Charles?
_ Não. _ Seco e ríspido.
_ Eu ouvi! Eu ouvia sim! _ Respondeu Daniel _ Mas tinha medo!
_ O fato é que mesmo eu, levei muito tempo para atender essa convocação e quando finalmente decidi aceitar o convite, já era tarde demais a curto prazo...
_ A curto prazo? _ Perguntou Fátima.
_ A curto prazo, pois o mundo já estava sendo controlado e os poucos que também tinham sido convocados e estavam comigo, não estavam completos e em força total sem vocês com eles.
_ Nós ficamos de braços cruzados?
_ Não Fátima, alguns de vocês foram assassinados, alguns traíram a humanidade normal e somaram seus poderes aos outros que resolveram dominar o planeta. O mundo foi dominado...mas o que a sociedade secreta não imaginava era que mesmo ela, estava sendo controlada por algo muito superior a “humanos superiores”.
_ Isso é muita coisa pra minha cabeça! _ Falou Daniel._ Se eu soubesse que ia dar nisso tudo, tinha me jogado embaixo do primeiro chuveiro ao ouvir essa velha maldita me mandando ir pra água!
_ Bom. Acho que agora que consegui a atenção de vocês, podem voltar pra época certa em que foram tirados. Agora que viram um pouquinho do que os aguarda se não aceitarem a convocação da “Senhora da àgua”. Sugiro que experimentem o convite...ela os guiará.
_ Estão todos mortos? _ Indagou Fabiano.
_ Não, alguns sim, mais a maioria das pessoas simplesmente foi controlada. Perderam a vontade própria por conta dos dotados de habilidades mentais excepcionais. – Respondeu Guto.A sociedade secreta controla tudo agora. Menos alguns espertos o bastante, como eu.
_ Habilidades excepicionais como as do nosso amigo aqui, não é? _Perguntou Charles, colocando a mão nos ombros de Vicente.
Guto nada disse. Na verdade parecia se irritar com a pergunta feita por Charles, o motivo não ficara claro. Se por ter ouvido uma verdade, se pelo fato da verdade também ter como culpa Charles ou algum outro deles. Novamente o curitibano tentou incutir a necessidade dos jovens unirem-se em torno de um ideal e que a tal Senhora da água seria o ponto de partida para isso.
Falou a eles que a chuva que caía agora era obra dessa mesma “Senhora”. Que por isso estavam ali protegidos de olhares curiosos e perniciosos. Relatou que tinham sido enviados no futuro um ano, por obra dos mesmos poderes sobrenaturais, que também haviam entrado em sincronia com as habilidades de Fátima. Numa última tentativa de faze-los conscientes de suas responsabilidades.Lembrou-os que no momento normal de suas vidas,quando eles o encontrassem, ele não os reconheceria e que isso seria um bom sinal. Pois teria também aceitado o “chamado” em tempo.
_ Como voltamos então? _ Perguntou Vicente
_ Aceitem o chamado, droga!Pra que tenha valido meu sacrifício de esperar vocês até agora vivendo nesse inferno...pelo menos tem cigarro e bebida... _ Respondeu Guto
_ Algum conselho a mais? _ Perguntou Fabiano.
_ Havia um rapaz, um rapaz no ônibus em que você, Fátima, estava no dia da batida de Daniel. Ele os ajudou no fim desse dia.Não o deixem escapar, ele tanto pode ser uma das chaves para o sucesso do seu grupo, quanto nas mãos do outro grupo, um dos arquitetos desse novo mundo.E acima de tudo, tomem cuidado com os agentes hibernantes...
_ Agentes hibernantes, como assim? _ Perguntou Fátima.
_ Tomem cuidado com as pessoas próximas a vocês... _ Respondeu Guto.
_ Então é disso que se trata, montar um grupo nosso, contra o “deles” sabe lá quem, pra combater sabe lá o quê.
_ Você sabe muito mais do que nós que não é só isso, Charles. Você sabe que não se trata só disso, e você também sabe pelo menos um pouco melhor do que nós, sobre essa “sociedade”, não é?
_ Será? Como é que você sabe Vicente? Leu na minha mente?
_ Eu não leio mentes Charles, não é assim que minhas habilidades funcionam, mas posso tentar contigo, como nunca me aprimorei nessa forma de usar meus poderes, no máximo frito sua cabeça, o que acha?
_ Eu nunca poderia imaginar que haviam outros como eu...outras pessoas com poderes também. _ Disse Fabiano tentando mudar o ruma da conversa.
_ Muito menos eu, é estranho, mas me sinto diferente. _ Falou Fátima.
_Como se não estivesse mais sozinha no mundo, não é? _ Respondeu Fabiano enquanto abraçava a menina num ato de carinho e conforto.
_ Isso, acho que é por aí!_ respondeu Fátima apreciando o gesto de aproximação do colega.
_ Galera, vocês entenderam isso? Tem muita gente como nós no mundo! Muita gente que esconde que nasceu diferente das demais. _ Exclamou Daniel.
_ Guto, queremos ir embora, como devemos fazer? _ Perguntou Vicente.
_ Apenas aceitem a água, aceitem a convocação de coração! Aproveitem a chuva!
Ainda abraçado com Fátima, Fabiano puxou Vicente para seu outro braço, que trouxe Daniel consigo. Charles vendo que não havia outra forma, aproximou-se um pouquinho mais.
Guto tomou mais um gole de seu conhaque. E fez sinal de adeus.Daniel falou.
_ Ai meu Deus do Céu!Vamos conversar com Iemanjá!
_ Está na hora do jogo começar! _ Gritou Fabiano
Capítulo II Parte 2
Novamente dia, Fabiano, Daniel, Fátima, Vicente e Charles reapareceram nas areias da praia de Botafogo . Muita gente estava ao redor de algo próximo a água. Eles se misturaram a multidão para ver o que estava acontecendo.
Duas criaturas similares a que atacou Daniel estavam paralisadas na saída da água, como se transformadas em vidro, cristal ou coisa parecida, translúcidas, eram agora minotauros de vidro! As pessoas ainda mantinham uma distância segura, como se com medo de que aquelas estranhas estátuas fossem se mover a qualquer instante.
Os jovens também não entendiam o que estavam vendo. Como é possível? Alguém deve ter feito isso com eles ou seria um fenômeno natural de alguma forma? Fátima falou:
_ Eles estão ali, gente. Eu posso vê-los dentro do vidro, eles não foram transformados, é como se o vidro os estivesse prendendo, sei lá, como se estivessem...
_ Congelados. Eles estão congelados.Mas ninguém além de você pode vê-los de dia, lembra? _ Falou Vicente.
_ Quem fez isso? _ perguntou Daniel.
_ Vocês já repararam porque pensamos a princípio que fosse vidro? Ele não derrete.Ele não está derretendo apesar do calor e do sol. _ Falou Fabiano.
Charles estava agoniado, tinha que se conter, pois se não fossem as dezenas de pessoas curiosas ali presentes, os atletas do futebol americano que estava sendo jogado e os passageiros de diversos carros e coletivos, já teria tomado uma atitude quanto as criaturas.
Fabiano foi ter com seus colegas de time, a essa altura muita gente também estava em torno do corpo do jogador que fora morto pela primeira criatura. Um rapaz aproximou-se de Fátima e falou:
_ Você está bem? Fiquei preocupado contigo! Quando te vi sair do ônibus e correr pra cima dessa zona toda! Você não teve medo?
_ Ah!...eu tinha que fazer alguma coisa pra ajudar, quando vi toda a confusão e aquela morte... _ Respondeu Fátima.
_ Que estranho, não? O que você acha que são essas coisas?
_ Desculpe... _ Se intrometeu Vicente – Eu estava ouvindo você falar com minha colega aqui. Você estava no ônibus dela agora a pouco?
_ Estava sim. Por quê?
Vicente desconfiara do rapaz, sabia que eles tinham que procurar por um outro jovem, que estaria no mesmo ônibus que Fátima e que iria os ajudar contra aquelas duas criaturas, talvez o que aconteceu com os monstros tenha sido a tal prevista ajuda e tenha sido feito por mais alguém com “talentos”como eles. Quem sabe não era ele? Afinal de contas o tal Guto alertou-os que não o deixassem escapar de seus olhos.
Daniel foi em direção de seu carro. Desesperado com a repercussão que essa destruição teria em sua casa: “Deveria ter morrido na mão de um desses chifrudos”.
_ Você fez isso. –Afirmou Vicente mostrando as “estátuas”.
_ Como assim?...o que você quer dizer? _ Respondeu o rapaz surpreso com a pergunta.
_ Você congelou essas criaturas, meu veio. Eu sei.
_ Como...como você...sabe?
_ Eu não sabia...até agora! _ Vicente deu uma gargalhada com a ingenuidade do rapaz.
_ Então foi você! Vicente! É ele! _ Falou Fátima.
_ Sou eu o quê? Pelo amor de Deus! _ nervoso
_ Nós achamos Fátima. Nós achamos Charles! _ comemorou Vicente _ Nem foi preciso procurar muito!
_ Que legal carinha! Meus parabéns pra vocês! _ Respondeu com pouco caso Charles.
_ Alguém pode me explicar o que vocês estão falando??? _ Perguntou o rapaz assustado.
Fabiana começou a tentar explicar a Guilherme tudo o que eles viveram naquela última uma hora. Claro que só não soava absurdo a seus ouvidos pois ele estava lá e presenciara boa parte daquela situação incrível. Também não era impossível dele acreditar nas façanhas da jovem e dos outros caras, quando ele mesmo tinha seus “talentos” a muito escondidos.
Charles se aproximou de Vicente e disse:
_ Escuta aqui “capitão Kirk”, estou avisando de antemão que esses bichos não podem ficar aqui, mesmo desse modo. Está enchendo de curioso aqui na praia, a polícia já chegou também, isso não pode vazar demais...o que vai ser explicado?...por enquanto ninguém viu muito...
_ Você tem razão.
_ Além do mais, eu também preciso dar fim neles...esses resistem na luz do dia. Você podia pedir pra moreninha ali, nos mandar com eles praquela dimensão paralela que ela pode ir e então ninguém veria nada...
_ A Fátima está esgotada psicologicamente, eu posso te garantir.Os poderes dela não dependem de energia corporal pra funcionarem, mas também não foi fácil pra ela nos levar a todos pra lá, já que o normal é ela ir sozinha. Mas tenho uma idéia já que também não posso controla-los como você iria sugerir estou esgotado mas acho que o princípio pra mover isso é fácil...
_ Olha o cara! Já falei pra você não chegar perto da minha cabeça, cara!
_ Vamos ver se eu consigo fazer algo que queria tentar a muito tempo.
Vicente começa a movimentar a princípio pequenos grãos de areia a seu redor, logo em seguida grandes quantidades de grãos...até que uma pequena tempestade de areia artificial e improvisada, transformasse num grande desconforto pra todos os curiosos ao redor deles, afugentando rapidamente quem por ali estava e impedindo quem estava de fora do círculo de calmaria que Vicente mantinha, de ver o que lá acontecia.
Guilherme ficou impressionado, naquele momento não se sentia mais como a muito tempo vinha achando que era. Um solitário, algo diferente e sem par na sociedade. De fora, Daniel e Fabiano também não podiam ver o que estava acontecendo perto da água. Mas torciam para aquilo ser obra de alguém deles.
Charles não esperou muito tempo pra agir, retirou a espada da bainha de couro e com um golpe poderoso cortou ao meio a primeira estátua, seguido por outro ataque que terminou com a segunda. Guilherme não conseguia deixar de se surpreender. No chão estavam as duas esculturas de gelo sólido. Os três olharam espantados pra Charles, que falou:
_ Estava ficando irritado com essas duas coisas feias paradas aqui na nossa frente, ué? Eu também podia vê-los parados ali o tempo todo dentro do gelo e não era uma visão bonita, não é mesmo Fabiana?
_ Os corpos vai ficar aí? _ Perguntou Fátima.
_ Eu não consigo mais levanta-los e joga-los no funda da água...
_ Tá bom, já entendi. Eu faço isso também Vicente. _ Charles levantou o primeiro pedaço da estátua com certa dificuldade, mas com firmeza apesar do peso incrível e arremessou no mar, em seguida indo em direção dos outros pedaços. _ Mas vocês ficam me devendo essa.
_ Devendo o quê, querido? Você não moveu uma palha agora a pouco. _ Falou Fátima.
Tudo voltou ao normal e os seis se reuniram novamente no calçadão.
_ O que vamos fazer agora? _ Perguntou Daniel.
_ Acho que temos que procurar a tal velhinha da água, não é Vicente? _ Perguntou Fabiano.
_ Aquele é o seu carro, não é? _ Perguntou Guilherme
_ Era da minha avó...não morri nas mãos duma criatura mitológica invisível pra morrer nas mãos dela...
_ Eu posso te ajudar com isso. _ falou Guilherme.
Ele foi até a lataria despedaçada do veículo e tocando nela, começou aos olhos de todos ali a cena mais fantástica que viram naquele dia, se é que é possível escolher uma, entre tantas vistas naquele dia.
O carro de Daniel se consertou sozinho, ficando novo por inteiro.Daniel abraçando Guilherme falou:
_ Caraca! Qual o seu nome mesmo, meu querido? Você salvou minha vida!
_ Pensei que tivesse sido eu, indo até o monstro pra te tirar de lá e agarrando ele. _ Falou ironicamente Fabiano.
_ Ë Guilherme, mas podem me chamar de Guilla!Vocês são incríveis!
_ Incrível é você meu caro. E sabe, precisamos que você se junte a nós. Sei que tudo é muito louco, mas com o tempo a gente tenta colocar os pontos que faltam. Não vou aceitar um não como resposta! _ falou Vicente.
_ Vamos pro minha casa! Lá a gente pode conversar melhor e decidir o que fazer.
_ Acho que vou pra casa... _ Falou Fátima.
_ Eu também estou vazando... _ Falou Charles.
_ Nada disso, gente! Temos que conversar, vocês viram o mesmo que eu, né? A gente tem que se organizar pra decidir o que fazer.
_ Mas por onde vamos começar, Daniel? Vamos fazer o quê? As coisas tem que acontecer primeiro. _ Retrucou Fátima.
_ Vamos sim, todos, inclusive você, Sr. Charles. Depois todo mundo volta para suas casas e vidas, mas primeiro vamos traçar um plano pro caso de termos que nos encontrar de novo. _ Falou Vicente
_ Cara, você é muito chato, sabia? _ Falou Charles.
_ Eu estou de moto! Alguém quer carona? Prometo que não corro!_ Perguntou Fabiano.
Os grupo foi no carro de Daniel pra sua casa em Copacabana, Fabiano os acompanhou o tempo todo na moto, após antes ter dado alguma desculpa pra sua namorada.
No apartamento do rapaz, após terem conhecido seus avós, foram para o seu quarto, enquanto Daniel e Vicente preparavam na cozinha, alguma coisa para todos comerem. Fabiano brincou com o fato de serem os homens que estavam na cozinha e não Fátima, que era mulher e poderia ajuda-los, ela mandou o jogador pra um lugar não muito agradável e todos caíram na gargalhada. O clima entre eles começava a ficar aconchegante e até o ranzinza e calado Charles já demonstrava entrosamento com o grupo.
Cada um começou perguntando sobre o que estavam fazendo pra estarem ali naquele momento do acidente com o carro.
Vicente não tinha um argumento racional para dar ao grupo. Não poderia explicar que estava ali passeando ou assistindo ao jogo de futebol americano de Fabiano por acaso. Poderia falar a verdade? Desconversou sobre si mesmo. Charles notou...
Perguntaram sobre os poderes um do outro. Guilla explicou que ele podia mexer com a matéria, mudar suas propriedades. Podia também consertar algo quebrado, se de alguma forma pudesse entender o que deveria ser feito, como no caso do carro de Daniel, ele remendou todas as partes que estavam secionadas, religando os átomos do objeto. No caso das criaturas, ele ao ver as pegadas na areia, pensou em resfriar o ar e a água ambiente ao redor deles e as estátuas surgiram. Quis que o gelo fosse criado de forma que não sofresse aquecimento ambiente e portanto não derretesse. Não podia ainda transformar um material em outro, mas achava que um dia poderia conseguir, como no caso dos antigos alquimistas que procuravam a formula pra transformar chumbo em ouro.Seu poder moldava ou alterava matéria, mas não matéria orgânica.
Ao perguntarem sobre os poderes de Fabiano, esse respondeu que nunca, em toda sua vida tinha ficado doente, ou se machucado feio.Que ao entrar na puberdade, descobriu que seu corpo mudava, se adaptava sempre que precisava, como se para prepara-lo para superar um obstáculo qualquer. Se precisava chegar rápido correndo pra algum lugar, era sempre o mais rápido, não importa com quem estivesse competindo. Na academia, não conseguia malhar ao ponto de inchar os músculos, pois todos os pesos e aparelhos ficavam levíssimos para ele após experimentar uma vez. Uma vez, ainda mais jovem do que agora com seus vinte e seis anos, ficou debaixo dàgua pra ver quanto tempo podia ficar sem respirar. Não conseguiu, pois de alguma forma, debaixo dàgua não precisava respirar ou se quisesse , respirava água normalmente! Se cortasse sua pele com uma faca, logo toda ela ficava parecida com o metal da lâmina e não mais, tão sedo, poderia ser cortado pela mesma faço ou qualquer outra.
Quando perguntaram sobre os poderes de Charles, ele disse que não interessava a eles, que não tinha nenhum. Que sabia lutar, muito bem por sinal . Admitiu que tinha sido ele a matar a criatura que fazia dupla com a que se acidentou no carro de Daniel. Complicou-se quando não sabia explicar como podia também ver os minotauros da mesma forma que Fátima. Daniel falou:
_ Legal...você simplesmente anda de bobeira pela rua com uma katana debaixo do casaco, num dia de sol de quarenta graus a sombra...muito normal.
Todos riram e continuavam a esperar respostas de Charles. Daniel pediu desculpas, pois iria se ausentar do quarto por uns instantes para tomar uma ducha e saiu. Fabiano falou:
_ Vicente, você sabe que temos que continuar juntos, foi o que o Guto falou, ele também disse que mais outras pessoas como nós iriam aparecer, nem todas pra ajudar... o que você acha? Esperamos? Vamos criar um plano pra mantermos contato sempre, caso algo aconteça.
_ Quanto a tal mulher da água? Não é isso?...
_ “Velha da água”, Fátima. _ Respondeu Vicente ainda pensativo.
_ Vocês acham que ela vai aparecer? Vocês acham que se ouvirmos novamente o chamado dela, temos que fazer o quê? Nos jogar na água? Numa praia? Numa piscina de roupa e tudo? _ Falou Fabiano.
Do banheiro de Daniel ouve-se seu grito de susto. Eles correm pra lá na mesma hora, inclusive sua avó seu avô e sua cachorra cega.
Ao chegarem, encontraram um Daniel pelado, mal enrolado em uma toalha e dentro do Box do chuveiro uma garota de cabelos compridos e seios fartos, vestida num maiô e debaixo da cascata de água, tão surpresa quanto eles. Daniel se explica:
_ Galera, eu abri a ducha e quando olhei pra dentro do chuveiro, ela tinha aparecido ali! Não que eu esteja reclamando nem nada...
_ Oi...gente..Meu nome é Samara...Eu tenho um recado da velha da água...acho que é pra vocês...
CONTINUA...
Pantofobia s.f. Estado mórbido que se caracteriza por um temor exagerado de todas as coisas.
“Está na hora do jogo começar!”
Samara trocou sua roupa, vestiu o maiô recém comprado num shopping ao chegar no Rio pra estudar e saiu do vestiário em direção à piscina. Ao passar por um espelho tomou um susto, notou que uma senhora, uma velhinha bem pequena, enrugada e vestida em panos rotos a observava do outro lado do reflexo. Teve vontade de gritar, mas logo ouviu a voz que lhe disse: “Vá para a água!”.
A moça viu a imagem tão rapidamente quanto havia aparecido, desaparecer bem diante de seus olhos. Por um tempo ficou perplexa com a experiência.Imaginou o que poderia ter sido aquilo, nada parecia explicar o que ela tinha vivenciado, sabia que tinha poucos minutos para curtir o clube, logo teria treino novamente. Relutou um pouco ainda sobre a idéia de que iria mergulhar depois daquilo, mas logo concluiu que na verdade o que ela queria mesmo era nadar um pouco e aquela velha, aquela alucinação nada mais estava fazendo, do que lhe dar um conselho saudável e prazeroso, riu de como era boba e foi pra piscina. Afinal, qual o mal de fazer o que lhe mandaram? Já que ela iria fazer mesmo de qualquer forma!
Não é preciso dizer que os cinco jovens estavam desorientados sobre tudo, desorientados sobre onde realmente estavam, sobre a hora, pois a alguns instantes, próximo ao momento da colisão do carro de Daniel era dia claro e agora parecia quase noite. Sabe aquele momento próximo das seis horas da tarde, quando não está totalmente escuro, você consegue ver a lua vibrante no céu, as nuvens tomam a tonalidade violeta ou quase roxo, o sol não é mais visto, já mergulhou no horizonte, mas mesmo assim não é totalmente escuro, mas também a muito não é mais dia...Vicente comentava sobre isso com seus colegas
_ É assim agora, é assim o tempo todo. _ Respondeu Guto.
_ Como assim é assim o tempo todo? _ Perguntou Fabiano.
_ É assim o tempo todo meu amigo, não existe mais dia, nem noite, é assim o tempo todo, um eterno fim de pôr-do-sol.
_ Como assim o tempo todo? _ Indagou Fátima _ Você fala como se fosse assim a muito tempo.
_ É assim o tempo todo, meu bem.
_ Nós viajamos no tempo? _ Perguntou Vicente.
_ Vejamos,que dia é hoje pra vocês?
_ Hoje é dia 1 de agosto... _ Disse Fabiano
_Realmente, hoje é dia 1 de agosto...de 2008.
_ Um ano no futuro... _ Constatou Fabiano enquanto começava a perder as dimensões e a aparência metalizada que havia adquirido na briga com a primeira criatura._ Aliás, como você destruiu aquelas coisas?
_ Você não é o único com poderes, “nobre colega”! Esses minotauros são muito sensíveis à luz, no passado eles não podiam ser vistos a olho nu durante o dia, agora que é sempre assim, como estão vendo, eles são o tempo todo visíveis, no entanto, por isso mesmo, ficaram extremamente frágeis à luz e disso eu entendo e comando!
_ O mundo acabou? _ Perguntou Fátima _ temendo a resposta, temendo que seus poderes tenham levado a si e seus novos colegas pra esse fim.
_ Acabou sim...da forma como vocês o conheciam. _ Duro e seco Guto respondeu.
Charles e Daniel continuavam calados, em completo silêncio, apenas ouvindo o que falavam e o que iam descobrindo dessa nova realidade.
Daniel cada vez mais estava preocupado com o que podia ter acontecido com sua família, chegou até a sorrir quando lembrou-se que até pouco tempo atrás, era sobre o carro que estava preocupado, que besteira, comparado com o fim do mundo.
Charles por outro lado, pensava nas palavras de Vicente...pensava que talvez seus atos tivessem desencadeado tudo isso...pensava em algum motivo pra também não ter culpa de nada disso. Olhava pra Daniel e pensava _ “Que moleque idiota, porque ele tinha que passar com aquele carro, justo naquela hora...”_ Se fosse qualquer outra pessoa, talvez nada disso tivesse acontecido. Mas depois lembrou-se dos outros. Os outros ainda estariam ali...estranho...estariam ali como se reunidos...Mas por quem? Pensava, duvidava, pensava, novamente refazia todo o cenário mentalmente...pensava.
Vicente por outro lado, tomava decisões por si e pelos outros.Perguntou:
_ Guto, Guto é o seu nome não é? O que você está fazendo aqui? Qual sua ligação com tudo isso, cadê as pessoas? Cadê todo mundo! Pode parecer estranho o que eu vou dizer, mas ao que me parece, você não estava aqui a toa, foi como se nos esperasse...
Um leve sorriso correu nos lábios de Charles, era o que ele perguntaria naquele momento se quisesse expor suas indagações, foi como se o telepata agora fosse ele e Vicente tivesse apenas sendo usado pra elucidar suas dúvidas...ou será que o infeliz mais uma vez leu os “seus”pensamentos???
Guto começou a explicar tudo. Explicou que a mais ou menos um ano atrás, uma ameaça a princípio não levada a sério surgiu no cenário mundial...
_ De alguma forma, alguém com poderes fora do entendimento de quem quer que seja, apoiado por uma sociedade secreta de seres igualmente extraordinários, assumiu o comando da cidade do Rio de janeiro, logo depois do país inteiro, em questão de semanas, toda América do Sul estava controlada e foi por questão de meros meses para o mundo como um todo seguir o exemplo. _ Respondeu Guto.
_ Mas quem? Quem fez isso e como fez?_ Perguntou Fabiano.
_ Poderes meu caro, poderes como os que vocês tem e até muito superiores, imagine uma sociedade secreta de pessoas com habilidades fenomenais com centenas de adeptos...
_ Nós não voltamos pro nosso tempo real logo após o acidente com o carro do Daniel, não é?_ Perguntou Vicente.
_ Ah sim! Voltaram sim! Voltaram vencedores do pequeno e secreto combate que travaram, meu querido, voltaram e logo depois se separaram, se separaram muito antes de perceberem a guerra eclodir, esse foi o erro que cometeram.
_ Como assim?
_ Vocês não foram reunidos naquele momento por acaso. Nem eram os únicos que deveriam compor a formação. Mas por não darem ouvidos ao chamado. Nem todo seu dom natural de liderança conseguiu impedir que seus colegas, nunca chegassem a se tornar amigos e guerreiros da sua causa, Vicente.
_ Minha causa?
_ E assim, nós iríamos impedir esse futuro “Mad Max”? _ Falou Charles
_ Pois é! “Mad Max”, tem razão!!! _ Respondeu Vicente, irônico _ Tem tudo haver! E a culpa de uma certa forma é toda sua!
_ Vocês podem parar de brigar um instante por favor!!!Vão resolver suas diferenças lá longe, eu quero entender o que está acontecendo aqui, merda! _ Nesse momento o nervosismo de Daniel ficou totalmente evidenciado com sua reação exaltada.
_ O pirralho tá virando homenzinho! _ Debochou Charles.
_ Bom...naquela época, próximo ao dia em que vocês se conheceram e também muito tempo depois, eu vinha recebendo um chamado. Ouvia uma voz feminina, como se de uma senhora bem idosa, que me pedia pra ir pra água...
_ Eu também, Guto! _ Respondeu Fabiano _ Achei que estava ficando maluco!
_ E você fez o quê, Fabiano?
_ Nada, não fiz nada, Vicente, não gosto dessas coisas de macumba! _ Todos riram.
_ Eu também ouvi...
_ Você também ouvia, Fátima? – Perguntou Vicente.
_ Ouvia. Achava a mesma coisa que o Guto, tinha medo, nunca fui ligada em nada sobrenatural.
_ Como se você por si só não fosse um fenômeno! Já olhou o que você pode fazer? _ Perguntou Guto.
_ Não! Pois quando ela usa o poder não pode se ver!!! _ brincou Fabiano.
Vicente sabia que as brincadeiras de Fabiano não eram pra ironizar a situação, mas sim pra quebrar o gelo e tentar animar todos ali.Ele lembrou que por causa do chamado que ouvira naquela manhã, sentira necessidade de se aproximar de uma praia, mesmo que não chegasse muito próximo da água. O próprio Guto parecia entender isso também e acabou rindo junto com ele.Charles já não conseguia se manter tão distante quanto antes em aparência, era claro que ele queria tomar parte das perguntas.Vicente perguntou:
_ Você também ouvia essa voz, Charles?
_ Não. _ Seco e ríspido.
_ Eu ouvi! Eu ouvia sim! _ Respondeu Daniel _ Mas tinha medo!
_ O fato é que mesmo eu, levei muito tempo para atender essa convocação e quando finalmente decidi aceitar o convite, já era tarde demais a curto prazo...
_ A curto prazo? _ Perguntou Fátima.
_ A curto prazo, pois o mundo já estava sendo controlado e os poucos que também tinham sido convocados e estavam comigo, não estavam completos e em força total sem vocês com eles.
_ Nós ficamos de braços cruzados?
_ Não Fátima, alguns de vocês foram assassinados, alguns traíram a humanidade normal e somaram seus poderes aos outros que resolveram dominar o planeta. O mundo foi dominado...mas o que a sociedade secreta não imaginava era que mesmo ela, estava sendo controlada por algo muito superior a “humanos superiores”.
_ Isso é muita coisa pra minha cabeça! _ Falou Daniel._ Se eu soubesse que ia dar nisso tudo, tinha me jogado embaixo do primeiro chuveiro ao ouvir essa velha maldita me mandando ir pra água!
_ Bom. Acho que agora que consegui a atenção de vocês, podem voltar pra época certa em que foram tirados. Agora que viram um pouquinho do que os aguarda se não aceitarem a convocação da “Senhora da àgua”. Sugiro que experimentem o convite...ela os guiará.
_ Estão todos mortos? _ Indagou Fabiano.
_ Não, alguns sim, mais a maioria das pessoas simplesmente foi controlada. Perderam a vontade própria por conta dos dotados de habilidades mentais excepcionais. – Respondeu Guto.A sociedade secreta controla tudo agora. Menos alguns espertos o bastante, como eu.
_ Habilidades excepicionais como as do nosso amigo aqui, não é? _Perguntou Charles, colocando a mão nos ombros de Vicente.
Guto nada disse. Na verdade parecia se irritar com a pergunta feita por Charles, o motivo não ficara claro. Se por ter ouvido uma verdade, se pelo fato da verdade também ter como culpa Charles ou algum outro deles. Novamente o curitibano tentou incutir a necessidade dos jovens unirem-se em torno de um ideal e que a tal Senhora da água seria o ponto de partida para isso.
Falou a eles que a chuva que caía agora era obra dessa mesma “Senhora”. Que por isso estavam ali protegidos de olhares curiosos e perniciosos. Relatou que tinham sido enviados no futuro um ano, por obra dos mesmos poderes sobrenaturais, que também haviam entrado em sincronia com as habilidades de Fátima. Numa última tentativa de faze-los conscientes de suas responsabilidades.Lembrou-os que no momento normal de suas vidas,quando eles o encontrassem, ele não os reconheceria e que isso seria um bom sinal. Pois teria também aceitado o “chamado” em tempo.
_ Como voltamos então? _ Perguntou Vicente
_ Aceitem o chamado, droga!Pra que tenha valido meu sacrifício de esperar vocês até agora vivendo nesse inferno...pelo menos tem cigarro e bebida... _ Respondeu Guto
_ Algum conselho a mais? _ Perguntou Fabiano.
_ Havia um rapaz, um rapaz no ônibus em que você, Fátima, estava no dia da batida de Daniel. Ele os ajudou no fim desse dia.Não o deixem escapar, ele tanto pode ser uma das chaves para o sucesso do seu grupo, quanto nas mãos do outro grupo, um dos arquitetos desse novo mundo.E acima de tudo, tomem cuidado com os agentes hibernantes...
_ Agentes hibernantes, como assim? _ Perguntou Fátima.
_ Tomem cuidado com as pessoas próximas a vocês... _ Respondeu Guto.
_ Então é disso que se trata, montar um grupo nosso, contra o “deles” sabe lá quem, pra combater sabe lá o quê.
_ Você sabe muito mais do que nós que não é só isso, Charles. Você sabe que não se trata só disso, e você também sabe pelo menos um pouco melhor do que nós, sobre essa “sociedade”, não é?
_ Será? Como é que você sabe Vicente? Leu na minha mente?
_ Eu não leio mentes Charles, não é assim que minhas habilidades funcionam, mas posso tentar contigo, como nunca me aprimorei nessa forma de usar meus poderes, no máximo frito sua cabeça, o que acha?
_ Eu nunca poderia imaginar que haviam outros como eu...outras pessoas com poderes também. _ Disse Fabiano tentando mudar o ruma da conversa.
_ Muito menos eu, é estranho, mas me sinto diferente. _ Falou Fátima.
_Como se não estivesse mais sozinha no mundo, não é? _ Respondeu Fabiano enquanto abraçava a menina num ato de carinho e conforto.
_ Isso, acho que é por aí!_ respondeu Fátima apreciando o gesto de aproximação do colega.
_ Galera, vocês entenderam isso? Tem muita gente como nós no mundo! Muita gente que esconde que nasceu diferente das demais. _ Exclamou Daniel.
_ Guto, queremos ir embora, como devemos fazer? _ Perguntou Vicente.
_ Apenas aceitem a água, aceitem a convocação de coração! Aproveitem a chuva!
Ainda abraçado com Fátima, Fabiano puxou Vicente para seu outro braço, que trouxe Daniel consigo. Charles vendo que não havia outra forma, aproximou-se um pouquinho mais.
Guto tomou mais um gole de seu conhaque. E fez sinal de adeus.Daniel falou.
_ Ai meu Deus do Céu!Vamos conversar com Iemanjá!
_ Está na hora do jogo começar! _ Gritou Fabiano
Capítulo II Parte 2
Novamente dia, Fabiano, Daniel, Fátima, Vicente e Charles reapareceram nas areias da praia de Botafogo . Muita gente estava ao redor de algo próximo a água. Eles se misturaram a multidão para ver o que estava acontecendo.
Duas criaturas similares a que atacou Daniel estavam paralisadas na saída da água, como se transformadas em vidro, cristal ou coisa parecida, translúcidas, eram agora minotauros de vidro! As pessoas ainda mantinham uma distância segura, como se com medo de que aquelas estranhas estátuas fossem se mover a qualquer instante.
Os jovens também não entendiam o que estavam vendo. Como é possível? Alguém deve ter feito isso com eles ou seria um fenômeno natural de alguma forma? Fátima falou:
_ Eles estão ali, gente. Eu posso vê-los dentro do vidro, eles não foram transformados, é como se o vidro os estivesse prendendo, sei lá, como se estivessem...
_ Congelados. Eles estão congelados.Mas ninguém além de você pode vê-los de dia, lembra? _ Falou Vicente.
_ Quem fez isso? _ perguntou Daniel.
_ Vocês já repararam porque pensamos a princípio que fosse vidro? Ele não derrete.Ele não está derretendo apesar do calor e do sol. _ Falou Fabiano.
Charles estava agoniado, tinha que se conter, pois se não fossem as dezenas de pessoas curiosas ali presentes, os atletas do futebol americano que estava sendo jogado e os passageiros de diversos carros e coletivos, já teria tomado uma atitude quanto as criaturas.
Fabiano foi ter com seus colegas de time, a essa altura muita gente também estava em torno do corpo do jogador que fora morto pela primeira criatura. Um rapaz aproximou-se de Fátima e falou:
_ Você está bem? Fiquei preocupado contigo! Quando te vi sair do ônibus e correr pra cima dessa zona toda! Você não teve medo?
_ Ah!...eu tinha que fazer alguma coisa pra ajudar, quando vi toda a confusão e aquela morte... _ Respondeu Fátima.
_ Que estranho, não? O que você acha que são essas coisas?
_ Desculpe... _ Se intrometeu Vicente – Eu estava ouvindo você falar com minha colega aqui. Você estava no ônibus dela agora a pouco?
_ Estava sim. Por quê?
Vicente desconfiara do rapaz, sabia que eles tinham que procurar por um outro jovem, que estaria no mesmo ônibus que Fátima e que iria os ajudar contra aquelas duas criaturas, talvez o que aconteceu com os monstros tenha sido a tal prevista ajuda e tenha sido feito por mais alguém com “talentos”como eles. Quem sabe não era ele? Afinal de contas o tal Guto alertou-os que não o deixassem escapar de seus olhos.
Daniel foi em direção de seu carro. Desesperado com a repercussão que essa destruição teria em sua casa: “Deveria ter morrido na mão de um desses chifrudos”.
_ Você fez isso. –Afirmou Vicente mostrando as “estátuas”.
_ Como assim?...o que você quer dizer? _ Respondeu o rapaz surpreso com a pergunta.
_ Você congelou essas criaturas, meu veio. Eu sei.
_ Como...como você...sabe?
_ Eu não sabia...até agora! _ Vicente deu uma gargalhada com a ingenuidade do rapaz.
_ Então foi você! Vicente! É ele! _ Falou Fátima.
_ Sou eu o quê? Pelo amor de Deus! _ nervoso
_ Nós achamos Fátima. Nós achamos Charles! _ comemorou Vicente _ Nem foi preciso procurar muito!
_ Que legal carinha! Meus parabéns pra vocês! _ Respondeu com pouco caso Charles.
_ Alguém pode me explicar o que vocês estão falando??? _ Perguntou o rapaz assustado.
Fabiana começou a tentar explicar a Guilherme tudo o que eles viveram naquela última uma hora. Claro que só não soava absurdo a seus ouvidos pois ele estava lá e presenciara boa parte daquela situação incrível. Também não era impossível dele acreditar nas façanhas da jovem e dos outros caras, quando ele mesmo tinha seus “talentos” a muito escondidos.
Charles se aproximou de Vicente e disse:
_ Escuta aqui “capitão Kirk”, estou avisando de antemão que esses bichos não podem ficar aqui, mesmo desse modo. Está enchendo de curioso aqui na praia, a polícia já chegou também, isso não pode vazar demais...o que vai ser explicado?...por enquanto ninguém viu muito...
_ Você tem razão.
_ Além do mais, eu também preciso dar fim neles...esses resistem na luz do dia. Você podia pedir pra moreninha ali, nos mandar com eles praquela dimensão paralela que ela pode ir e então ninguém veria nada...
_ A Fátima está esgotada psicologicamente, eu posso te garantir.Os poderes dela não dependem de energia corporal pra funcionarem, mas também não foi fácil pra ela nos levar a todos pra lá, já que o normal é ela ir sozinha. Mas tenho uma idéia já que também não posso controla-los como você iria sugerir estou esgotado mas acho que o princípio pra mover isso é fácil...
_ Olha o cara! Já falei pra você não chegar perto da minha cabeça, cara!
_ Vamos ver se eu consigo fazer algo que queria tentar a muito tempo.
Vicente começa a movimentar a princípio pequenos grãos de areia a seu redor, logo em seguida grandes quantidades de grãos...até que uma pequena tempestade de areia artificial e improvisada, transformasse num grande desconforto pra todos os curiosos ao redor deles, afugentando rapidamente quem por ali estava e impedindo quem estava de fora do círculo de calmaria que Vicente mantinha, de ver o que lá acontecia.
Guilherme ficou impressionado, naquele momento não se sentia mais como a muito tempo vinha achando que era. Um solitário, algo diferente e sem par na sociedade. De fora, Daniel e Fabiano também não podiam ver o que estava acontecendo perto da água. Mas torciam para aquilo ser obra de alguém deles.
Charles não esperou muito tempo pra agir, retirou a espada da bainha de couro e com um golpe poderoso cortou ao meio a primeira estátua, seguido por outro ataque que terminou com a segunda. Guilherme não conseguia deixar de se surpreender. No chão estavam as duas esculturas de gelo sólido. Os três olharam espantados pra Charles, que falou:
_ Estava ficando irritado com essas duas coisas feias paradas aqui na nossa frente, ué? Eu também podia vê-los parados ali o tempo todo dentro do gelo e não era uma visão bonita, não é mesmo Fabiana?
_ Os corpos vai ficar aí? _ Perguntou Fátima.
_ Eu não consigo mais levanta-los e joga-los no funda da água...
_ Tá bom, já entendi. Eu faço isso também Vicente. _ Charles levantou o primeiro pedaço da estátua com certa dificuldade, mas com firmeza apesar do peso incrível e arremessou no mar, em seguida indo em direção dos outros pedaços. _ Mas vocês ficam me devendo essa.
_ Devendo o quê, querido? Você não moveu uma palha agora a pouco. _ Falou Fátima.
Tudo voltou ao normal e os seis se reuniram novamente no calçadão.
_ O que vamos fazer agora? _ Perguntou Daniel.
_ Acho que temos que procurar a tal velhinha da água, não é Vicente? _ Perguntou Fabiano.
_ Aquele é o seu carro, não é? _ Perguntou Guilherme
_ Era da minha avó...não morri nas mãos duma criatura mitológica invisível pra morrer nas mãos dela...
_ Eu posso te ajudar com isso. _ falou Guilherme.
Ele foi até a lataria despedaçada do veículo e tocando nela, começou aos olhos de todos ali a cena mais fantástica que viram naquele dia, se é que é possível escolher uma, entre tantas vistas naquele dia.
O carro de Daniel se consertou sozinho, ficando novo por inteiro.Daniel abraçando Guilherme falou:
_ Caraca! Qual o seu nome mesmo, meu querido? Você salvou minha vida!
_ Pensei que tivesse sido eu, indo até o monstro pra te tirar de lá e agarrando ele. _ Falou ironicamente Fabiano.
_ Ë Guilherme, mas podem me chamar de Guilla!Vocês são incríveis!
_ Incrível é você meu caro. E sabe, precisamos que você se junte a nós. Sei que tudo é muito louco, mas com o tempo a gente tenta colocar os pontos que faltam. Não vou aceitar um não como resposta! _ falou Vicente.
_ Vamos pro minha casa! Lá a gente pode conversar melhor e decidir o que fazer.
_ Acho que vou pra casa... _ Falou Fátima.
_ Eu também estou vazando... _ Falou Charles.
_ Nada disso, gente! Temos que conversar, vocês viram o mesmo que eu, né? A gente tem que se organizar pra decidir o que fazer.
_ Mas por onde vamos começar, Daniel? Vamos fazer o quê? As coisas tem que acontecer primeiro. _ Retrucou Fátima.
_ Vamos sim, todos, inclusive você, Sr. Charles. Depois todo mundo volta para suas casas e vidas, mas primeiro vamos traçar um plano pro caso de termos que nos encontrar de novo. _ Falou Vicente
_ Cara, você é muito chato, sabia? _ Falou Charles.
_ Eu estou de moto! Alguém quer carona? Prometo que não corro!_ Perguntou Fabiano.
Os grupo foi no carro de Daniel pra sua casa em Copacabana, Fabiano os acompanhou o tempo todo na moto, após antes ter dado alguma desculpa pra sua namorada.
No apartamento do rapaz, após terem conhecido seus avós, foram para o seu quarto, enquanto Daniel e Vicente preparavam na cozinha, alguma coisa para todos comerem. Fabiano brincou com o fato de serem os homens que estavam na cozinha e não Fátima, que era mulher e poderia ajuda-los, ela mandou o jogador pra um lugar não muito agradável e todos caíram na gargalhada. O clima entre eles começava a ficar aconchegante e até o ranzinza e calado Charles já demonstrava entrosamento com o grupo.
Cada um começou perguntando sobre o que estavam fazendo pra estarem ali naquele momento do acidente com o carro.
Vicente não tinha um argumento racional para dar ao grupo. Não poderia explicar que estava ali passeando ou assistindo ao jogo de futebol americano de Fabiano por acaso. Poderia falar a verdade? Desconversou sobre si mesmo. Charles notou...
Perguntaram sobre os poderes um do outro. Guilla explicou que ele podia mexer com a matéria, mudar suas propriedades. Podia também consertar algo quebrado, se de alguma forma pudesse entender o que deveria ser feito, como no caso do carro de Daniel, ele remendou todas as partes que estavam secionadas, religando os átomos do objeto. No caso das criaturas, ele ao ver as pegadas na areia, pensou em resfriar o ar e a água ambiente ao redor deles e as estátuas surgiram. Quis que o gelo fosse criado de forma que não sofresse aquecimento ambiente e portanto não derretesse. Não podia ainda transformar um material em outro, mas achava que um dia poderia conseguir, como no caso dos antigos alquimistas que procuravam a formula pra transformar chumbo em ouro.Seu poder moldava ou alterava matéria, mas não matéria orgânica.
Ao perguntarem sobre os poderes de Fabiano, esse respondeu que nunca, em toda sua vida tinha ficado doente, ou se machucado feio.Que ao entrar na puberdade, descobriu que seu corpo mudava, se adaptava sempre que precisava, como se para prepara-lo para superar um obstáculo qualquer. Se precisava chegar rápido correndo pra algum lugar, era sempre o mais rápido, não importa com quem estivesse competindo. Na academia, não conseguia malhar ao ponto de inchar os músculos, pois todos os pesos e aparelhos ficavam levíssimos para ele após experimentar uma vez. Uma vez, ainda mais jovem do que agora com seus vinte e seis anos, ficou debaixo dàgua pra ver quanto tempo podia ficar sem respirar. Não conseguiu, pois de alguma forma, debaixo dàgua não precisava respirar ou se quisesse , respirava água normalmente! Se cortasse sua pele com uma faca, logo toda ela ficava parecida com o metal da lâmina e não mais, tão sedo, poderia ser cortado pela mesma faço ou qualquer outra.
Quando perguntaram sobre os poderes de Charles, ele disse que não interessava a eles, que não tinha nenhum. Que sabia lutar, muito bem por sinal . Admitiu que tinha sido ele a matar a criatura que fazia dupla com a que se acidentou no carro de Daniel. Complicou-se quando não sabia explicar como podia também ver os minotauros da mesma forma que Fátima. Daniel falou:
_ Legal...você simplesmente anda de bobeira pela rua com uma katana debaixo do casaco, num dia de sol de quarenta graus a sombra...muito normal.
Todos riram e continuavam a esperar respostas de Charles. Daniel pediu desculpas, pois iria se ausentar do quarto por uns instantes para tomar uma ducha e saiu. Fabiano falou:
_ Vicente, você sabe que temos que continuar juntos, foi o que o Guto falou, ele também disse que mais outras pessoas como nós iriam aparecer, nem todas pra ajudar... o que você acha? Esperamos? Vamos criar um plano pra mantermos contato sempre, caso algo aconteça.
_ Quanto a tal mulher da água? Não é isso?...
_ “Velha da água”, Fátima. _ Respondeu Vicente ainda pensativo.
_ Vocês acham que ela vai aparecer? Vocês acham que se ouvirmos novamente o chamado dela, temos que fazer o quê? Nos jogar na água? Numa praia? Numa piscina de roupa e tudo? _ Falou Fabiano.
Do banheiro de Daniel ouve-se seu grito de susto. Eles correm pra lá na mesma hora, inclusive sua avó seu avô e sua cachorra cega.
Ao chegarem, encontraram um Daniel pelado, mal enrolado em uma toalha e dentro do Box do chuveiro uma garota de cabelos compridos e seios fartos, vestida num maiô e debaixo da cascata de água, tão surpresa quanto eles. Daniel se explica:
_ Galera, eu abri a ducha e quando olhei pra dentro do chuveiro, ela tinha aparecido ali! Não que eu esteja reclamando nem nada...
_ Oi...gente..Meu nome é Samara...Eu tenho um recado da velha da água...acho que é pra vocês...
CONTINUA...
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