Capítulo II
Pantofobia s.f. Estado mórbido que se caracteriza por um temor exagerado de todas as coisas.
“Está na hora do jogo começar!”
Samara trocou sua roupa, vestiu o maiô recém comprado num shopping ao chegar no Rio pra estudar e saiu do vestiário em direção à piscina. Ao passar por um espelho tomou um susto, notou que uma senhora, uma velhinha bem pequena, enrugada e vestida em panos rotos a observava do outro lado do reflexo. Teve vontade de gritar, mas logo ouviu a voz que lhe disse: “Vá para a água!”.
A moça viu a imagem tão rapidamente quanto havia aparecido, desaparecer bem diante de seus olhos. Por um tempo ficou perplexa com a experiência.Imaginou o que poderia ter sido aquilo, nada parecia explicar o que ela tinha vivenciado, sabia que tinha poucos minutos para curtir o clube, logo teria treino novamente. Relutou um pouco ainda sobre a idéia de que iria mergulhar depois daquilo, mas logo concluiu que na verdade o que ela queria mesmo era nadar um pouco e aquela velha, aquela alucinação nada mais estava fazendo, do que lhe dar um conselho saudável e prazeroso, riu de como era boba e foi pra piscina. Afinal, qual o mal de fazer o que lhe mandaram? Já que ela iria fazer mesmo de qualquer forma!
Não é preciso dizer que os cinco jovens estavam desorientados sobre tudo, desorientados sobre onde realmente estavam, sobre a hora, pois a alguns instantes, próximo ao momento da colisão do carro de Daniel era dia claro e agora parecia quase noite. Sabe aquele momento próximo das seis horas da tarde, quando não está totalmente escuro, você consegue ver a lua vibrante no céu, as nuvens tomam a tonalidade violeta ou quase roxo, o sol não é mais visto, já mergulhou no horizonte, mas mesmo assim não é totalmente escuro, mas também a muito não é mais dia...Vicente comentava sobre isso com seus colegas
_ É assim agora, é assim o tempo todo. _ Respondeu Guto.
_ Como assim é assim o tempo todo? _ Perguntou Fabiano.
_ É assim o tempo todo meu amigo, não existe mais dia, nem noite, é assim o tempo todo, um eterno fim de pôr-do-sol.
_ Como assim o tempo todo? _ Indagou Fátima _ Você fala como se fosse assim a muito tempo.
_ É assim o tempo todo, meu bem.
_ Nós viajamos no tempo? _ Perguntou Vicente.
_ Vejamos,que dia é hoje pra vocês?
_ Hoje é dia 1 de agosto... _ Disse Fabiano
_Realmente, hoje é dia 1 de agosto...de 2008.
_ Um ano no futuro... _ Constatou Fabiano enquanto começava a perder as dimensões e a aparência metalizada que havia adquirido na briga com a primeira criatura._ Aliás, como você destruiu aquelas coisas?
_ Você não é o único com poderes, “nobre colega”! Esses minotauros são muito sensíveis à luz, no passado eles não podiam ser vistos a olho nu durante o dia, agora que é sempre assim, como estão vendo, eles são o tempo todo visíveis, no entanto, por isso mesmo, ficaram extremamente frágeis à luz e disso eu entendo e comando!
_ O mundo acabou? _ Perguntou Fátima _ temendo a resposta, temendo que seus poderes tenham levado a si e seus novos colegas pra esse fim.
_ Acabou sim...da forma como vocês o conheciam. _ Duro e seco Guto respondeu.
Charles e Daniel continuavam calados, em completo silêncio, apenas ouvindo o que falavam e o que iam descobrindo dessa nova realidade.
Daniel cada vez mais estava preocupado com o que podia ter acontecido com sua família, chegou até a sorrir quando lembrou-se que até pouco tempo atrás, era sobre o carro que estava preocupado, que besteira, comparado com o fim do mundo.
Charles por outro lado, pensava nas palavras de Vicente...pensava que talvez seus atos tivessem desencadeado tudo isso...pensava em algum motivo pra também não ter culpa de nada disso. Olhava pra Daniel e pensava _ “Que moleque idiota, porque ele tinha que passar com aquele carro, justo naquela hora...”_ Se fosse qualquer outra pessoa, talvez nada disso tivesse acontecido. Mas depois lembrou-se dos outros. Os outros ainda estariam ali...estranho...estariam ali como se reunidos...Mas por quem? Pensava, duvidava, pensava, novamente refazia todo o cenário mentalmente...pensava.
Vicente por outro lado, tomava decisões por si e pelos outros.Perguntou:
_ Guto, Guto é o seu nome não é? O que você está fazendo aqui? Qual sua ligação com tudo isso, cadê as pessoas? Cadê todo mundo! Pode parecer estranho o que eu vou dizer, mas ao que me parece, você não estava aqui a toa, foi como se nos esperasse...
Um leve sorriso correu nos lábios de Charles, era o que ele perguntaria naquele momento se quisesse expor suas indagações, foi como se o telepata agora fosse ele e Vicente tivesse apenas sendo usado pra elucidar suas dúvidas...ou será que o infeliz mais uma vez leu os “seus”pensamentos???
Guto começou a explicar tudo. Explicou que a mais ou menos um ano atrás, uma ameaça a princípio não levada a sério surgiu no cenário mundial...
_ De alguma forma, alguém com poderes fora do entendimento de quem quer que seja, apoiado por uma sociedade secreta de seres igualmente extraordinários, assumiu o comando da cidade do Rio de janeiro, logo depois do país inteiro, em questão de semanas, toda América do Sul estava controlada e foi por questão de meros meses para o mundo como um todo seguir o exemplo. _ Respondeu Guto.
_ Mas quem? Quem fez isso e como fez?_ Perguntou Fabiano.
_ Poderes meu caro, poderes como os que vocês tem e até muito superiores, imagine uma sociedade secreta de pessoas com habilidades fenomenais com centenas de adeptos...
_ Nós não voltamos pro nosso tempo real logo após o acidente com o carro do Daniel, não é?_ Perguntou Vicente.
_ Ah sim! Voltaram sim! Voltaram vencedores do pequeno e secreto combate que travaram, meu querido, voltaram e logo depois se separaram, se separaram muito antes de perceberem a guerra eclodir, esse foi o erro que cometeram.
_ Como assim?
_ Vocês não foram reunidos naquele momento por acaso. Nem eram os únicos que deveriam compor a formação. Mas por não darem ouvidos ao chamado. Nem todo seu dom natural de liderança conseguiu impedir que seus colegas, nunca chegassem a se tornar amigos e guerreiros da sua causa, Vicente.
_ Minha causa?
_ E assim, nós iríamos impedir esse futuro “Mad Max”? _ Falou Charles
_ Pois é! “Mad Max”, tem razão!!! _ Respondeu Vicente, irônico _ Tem tudo haver! E a culpa de uma certa forma é toda sua!
_ Vocês podem parar de brigar um instante por favor!!!Vão resolver suas diferenças lá longe, eu quero entender o que está acontecendo aqui, merda! _ Nesse momento o nervosismo de Daniel ficou totalmente evidenciado com sua reação exaltada.
_ O pirralho tá virando homenzinho! _ Debochou Charles.
_ Bom...naquela época, próximo ao dia em que vocês se conheceram e também muito tempo depois, eu vinha recebendo um chamado. Ouvia uma voz feminina, como se de uma senhora bem idosa, que me pedia pra ir pra água...
_ Eu também, Guto! _ Respondeu Fabiano _ Achei que estava ficando maluco!
_ E você fez o quê, Fabiano?
_ Nada, não fiz nada, Vicente, não gosto dessas coisas de macumba! _ Todos riram.
_ Eu também ouvi...
_ Você também ouvia, Fátima? – Perguntou Vicente.
_ Ouvia. Achava a mesma coisa que o Guto, tinha medo, nunca fui ligada em nada sobrenatural.
_ Como se você por si só não fosse um fenômeno! Já olhou o que você pode fazer? _ Perguntou Guto.
_ Não! Pois quando ela usa o poder não pode se ver!!! _ brincou Fabiano.
Vicente sabia que as brincadeiras de Fabiano não eram pra ironizar a situação, mas sim pra quebrar o gelo e tentar animar todos ali.Ele lembrou que por causa do chamado que ouvira naquela manhã, sentira necessidade de se aproximar de uma praia, mesmo que não chegasse muito próximo da água. O próprio Guto parecia entender isso também e acabou rindo junto com ele.Charles já não conseguia se manter tão distante quanto antes em aparência, era claro que ele queria tomar parte das perguntas.Vicente perguntou:
_ Você também ouvia essa voz, Charles?
_ Não. _ Seco e ríspido.
_ Eu ouvi! Eu ouvia sim! _ Respondeu Daniel _ Mas tinha medo!
_ O fato é que mesmo eu, levei muito tempo para atender essa convocação e quando finalmente decidi aceitar o convite, já era tarde demais a curto prazo...
_ A curto prazo? _ Perguntou Fátima.
_ A curto prazo, pois o mundo já estava sendo controlado e os poucos que também tinham sido convocados e estavam comigo, não estavam completos e em força total sem vocês com eles.
_ Nós ficamos de braços cruzados?
_ Não Fátima, alguns de vocês foram assassinados, alguns traíram a humanidade normal e somaram seus poderes aos outros que resolveram dominar o planeta. O mundo foi dominado...mas o que a sociedade secreta não imaginava era que mesmo ela, estava sendo controlada por algo muito superior a “humanos superiores”.
_ Isso é muita coisa pra minha cabeça! _ Falou Daniel._ Se eu soubesse que ia dar nisso tudo, tinha me jogado embaixo do primeiro chuveiro ao ouvir essa velha maldita me mandando ir pra água!
_ Bom. Acho que agora que consegui a atenção de vocês, podem voltar pra época certa em que foram tirados. Agora que viram um pouquinho do que os aguarda se não aceitarem a convocação da “Senhora da àgua”. Sugiro que experimentem o convite...ela os guiará.
_ Estão todos mortos? _ Indagou Fabiano.
_ Não, alguns sim, mais a maioria das pessoas simplesmente foi controlada. Perderam a vontade própria por conta dos dotados de habilidades mentais excepcionais. – Respondeu Guto.A sociedade secreta controla tudo agora. Menos alguns espertos o bastante, como eu.
_ Habilidades excepicionais como as do nosso amigo aqui, não é? _Perguntou Charles, colocando a mão nos ombros de Vicente.
Guto nada disse. Na verdade parecia se irritar com a pergunta feita por Charles, o motivo não ficara claro. Se por ter ouvido uma verdade, se pelo fato da verdade também ter como culpa Charles ou algum outro deles. Novamente o curitibano tentou incutir a necessidade dos jovens unirem-se em torno de um ideal e que a tal Senhora da água seria o ponto de partida para isso.
Falou a eles que a chuva que caía agora era obra dessa mesma “Senhora”. Que por isso estavam ali protegidos de olhares curiosos e perniciosos. Relatou que tinham sido enviados no futuro um ano, por obra dos mesmos poderes sobrenaturais, que também haviam entrado em sincronia com as habilidades de Fátima. Numa última tentativa de faze-los conscientes de suas responsabilidades.Lembrou-os que no momento normal de suas vidas,quando eles o encontrassem, ele não os reconheceria e que isso seria um bom sinal. Pois teria também aceitado o “chamado” em tempo.
_ Como voltamos então? _ Perguntou Vicente
_ Aceitem o chamado, droga!Pra que tenha valido meu sacrifício de esperar vocês até agora vivendo nesse inferno...pelo menos tem cigarro e bebida... _ Respondeu Guto
_ Algum conselho a mais? _ Perguntou Fabiano.
_ Havia um rapaz, um rapaz no ônibus em que você, Fátima, estava no dia da batida de Daniel. Ele os ajudou no fim desse dia.Não o deixem escapar, ele tanto pode ser uma das chaves para o sucesso do seu grupo, quanto nas mãos do outro grupo, um dos arquitetos desse novo mundo.E acima de tudo, tomem cuidado com os agentes hibernantes...
_ Agentes hibernantes, como assim? _ Perguntou Fátima.
_ Tomem cuidado com as pessoas próximas a vocês... _ Respondeu Guto.
_ Então é disso que se trata, montar um grupo nosso, contra o “deles” sabe lá quem, pra combater sabe lá o quê.
_ Você sabe muito mais do que nós que não é só isso, Charles. Você sabe que não se trata só disso, e você também sabe pelo menos um pouco melhor do que nós, sobre essa “sociedade”, não é?
_ Será? Como é que você sabe Vicente? Leu na minha mente?
_ Eu não leio mentes Charles, não é assim que minhas habilidades funcionam, mas posso tentar contigo, como nunca me aprimorei nessa forma de usar meus poderes, no máximo frito sua cabeça, o que acha?
_ Eu nunca poderia imaginar que haviam outros como eu...outras pessoas com poderes também. _ Disse Fabiano tentando mudar o ruma da conversa.
_ Muito menos eu, é estranho, mas me sinto diferente. _ Falou Fátima.
_Como se não estivesse mais sozinha no mundo, não é? _ Respondeu Fabiano enquanto abraçava a menina num ato de carinho e conforto.
_ Isso, acho que é por aí!_ respondeu Fátima apreciando o gesto de aproximação do colega.
_ Galera, vocês entenderam isso? Tem muita gente como nós no mundo! Muita gente que esconde que nasceu diferente das demais. _ Exclamou Daniel.
_ Guto, queremos ir embora, como devemos fazer? _ Perguntou Vicente.
_ Apenas aceitem a água, aceitem a convocação de coração! Aproveitem a chuva!
Ainda abraçado com Fátima, Fabiano puxou Vicente para seu outro braço, que trouxe Daniel consigo. Charles vendo que não havia outra forma, aproximou-se um pouquinho mais.
Guto tomou mais um gole de seu conhaque. E fez sinal de adeus.Daniel falou.
_ Ai meu Deus do Céu!Vamos conversar com Iemanjá!
_ Está na hora do jogo começar! _ Gritou Fabiano
Capítulo II Parte 2
Novamente dia, Fabiano, Daniel, Fátima, Vicente e Charles reapareceram nas areias da praia de Botafogo . Muita gente estava ao redor de algo próximo a água. Eles se misturaram a multidão para ver o que estava acontecendo.
Duas criaturas similares a que atacou Daniel estavam paralisadas na saída da água, como se transformadas em vidro, cristal ou coisa parecida, translúcidas, eram agora minotauros de vidro! As pessoas ainda mantinham uma distância segura, como se com medo de que aquelas estranhas estátuas fossem se mover a qualquer instante.
Os jovens também não entendiam o que estavam vendo. Como é possível? Alguém deve ter feito isso com eles ou seria um fenômeno natural de alguma forma? Fátima falou:
_ Eles estão ali, gente. Eu posso vê-los dentro do vidro, eles não foram transformados, é como se o vidro os estivesse prendendo, sei lá, como se estivessem...
_ Congelados. Eles estão congelados.Mas ninguém além de você pode vê-los de dia, lembra? _ Falou Vicente.
_ Quem fez isso? _ perguntou Daniel.
_ Vocês já repararam porque pensamos a princípio que fosse vidro? Ele não derrete.Ele não está derretendo apesar do calor e do sol. _ Falou Fabiano.
Charles estava agoniado, tinha que se conter, pois se não fossem as dezenas de pessoas curiosas ali presentes, os atletas do futebol americano que estava sendo jogado e os passageiros de diversos carros e coletivos, já teria tomado uma atitude quanto as criaturas.
Fabiano foi ter com seus colegas de time, a essa altura muita gente também estava em torno do corpo do jogador que fora morto pela primeira criatura. Um rapaz aproximou-se de Fátima e falou:
_ Você está bem? Fiquei preocupado contigo! Quando te vi sair do ônibus e correr pra cima dessa zona toda! Você não teve medo?
_ Ah!...eu tinha que fazer alguma coisa pra ajudar, quando vi toda a confusão e aquela morte... _ Respondeu Fátima.
_ Que estranho, não? O que você acha que são essas coisas?
_ Desculpe... _ Se intrometeu Vicente – Eu estava ouvindo você falar com minha colega aqui. Você estava no ônibus dela agora a pouco?
_ Estava sim. Por quê?
Vicente desconfiara do rapaz, sabia que eles tinham que procurar por um outro jovem, que estaria no mesmo ônibus que Fátima e que iria os ajudar contra aquelas duas criaturas, talvez o que aconteceu com os monstros tenha sido a tal prevista ajuda e tenha sido feito por mais alguém com “talentos”como eles. Quem sabe não era ele? Afinal de contas o tal Guto alertou-os que não o deixassem escapar de seus olhos.
Daniel foi em direção de seu carro. Desesperado com a repercussão que essa destruição teria em sua casa: “Deveria ter morrido na mão de um desses chifrudos”.
_ Você fez isso. –Afirmou Vicente mostrando as “estátuas”.
_ Como assim?...o que você quer dizer? _ Respondeu o rapaz surpreso com a pergunta.
_ Você congelou essas criaturas, meu veio. Eu sei.
_ Como...como você...sabe?
_ Eu não sabia...até agora! _ Vicente deu uma gargalhada com a ingenuidade do rapaz.
_ Então foi você! Vicente! É ele! _ Falou Fátima.
_ Sou eu o quê? Pelo amor de Deus! _ nervoso
_ Nós achamos Fátima. Nós achamos Charles! _ comemorou Vicente _ Nem foi preciso procurar muito!
_ Que legal carinha! Meus parabéns pra vocês! _ Respondeu com pouco caso Charles.
_ Alguém pode me explicar o que vocês estão falando??? _ Perguntou o rapaz assustado.
Fabiana começou a tentar explicar a Guilherme tudo o que eles viveram naquela última uma hora. Claro que só não soava absurdo a seus ouvidos pois ele estava lá e presenciara boa parte daquela situação incrível. Também não era impossível dele acreditar nas façanhas da jovem e dos outros caras, quando ele mesmo tinha seus “talentos” a muito escondidos.
Charles se aproximou de Vicente e disse:
_ Escuta aqui “capitão Kirk”, estou avisando de antemão que esses bichos não podem ficar aqui, mesmo desse modo. Está enchendo de curioso aqui na praia, a polícia já chegou também, isso não pode vazar demais...o que vai ser explicado?...por enquanto ninguém viu muito...
_ Você tem razão.
_ Além do mais, eu também preciso dar fim neles...esses resistem na luz do dia. Você podia pedir pra moreninha ali, nos mandar com eles praquela dimensão paralela que ela pode ir e então ninguém veria nada...
_ A Fátima está esgotada psicologicamente, eu posso te garantir.Os poderes dela não dependem de energia corporal pra funcionarem, mas também não foi fácil pra ela nos levar a todos pra lá, já que o normal é ela ir sozinha. Mas tenho uma idéia já que também não posso controla-los como você iria sugerir estou esgotado mas acho que o princípio pra mover isso é fácil...
_ Olha o cara! Já falei pra você não chegar perto da minha cabeça, cara!
_ Vamos ver se eu consigo fazer algo que queria tentar a muito tempo.
Vicente começa a movimentar a princípio pequenos grãos de areia a seu redor, logo em seguida grandes quantidades de grãos...até que uma pequena tempestade de areia artificial e improvisada, transformasse num grande desconforto pra todos os curiosos ao redor deles, afugentando rapidamente quem por ali estava e impedindo quem estava de fora do círculo de calmaria que Vicente mantinha, de ver o que lá acontecia.
Guilherme ficou impressionado, naquele momento não se sentia mais como a muito tempo vinha achando que era. Um solitário, algo diferente e sem par na sociedade. De fora, Daniel e Fabiano também não podiam ver o que estava acontecendo perto da água. Mas torciam para aquilo ser obra de alguém deles.
Charles não esperou muito tempo pra agir, retirou a espada da bainha de couro e com um golpe poderoso cortou ao meio a primeira estátua, seguido por outro ataque que terminou com a segunda. Guilherme não conseguia deixar de se surpreender. No chão estavam as duas esculturas de gelo sólido. Os três olharam espantados pra Charles, que falou:
_ Estava ficando irritado com essas duas coisas feias paradas aqui na nossa frente, ué? Eu também podia vê-los parados ali o tempo todo dentro do gelo e não era uma visão bonita, não é mesmo Fabiana?
_ Os corpos vai ficar aí? _ Perguntou Fátima.
_ Eu não consigo mais levanta-los e joga-los no funda da água...
_ Tá bom, já entendi. Eu faço isso também Vicente. _ Charles levantou o primeiro pedaço da estátua com certa dificuldade, mas com firmeza apesar do peso incrível e arremessou no mar, em seguida indo em direção dos outros pedaços. _ Mas vocês ficam me devendo essa.
_ Devendo o quê, querido? Você não moveu uma palha agora a pouco. _ Falou Fátima.
Tudo voltou ao normal e os seis se reuniram novamente no calçadão.
_ O que vamos fazer agora? _ Perguntou Daniel.
_ Acho que temos que procurar a tal velhinha da água, não é Vicente? _ Perguntou Fabiano.
_ Aquele é o seu carro, não é? _ Perguntou Guilherme
_ Era da minha avó...não morri nas mãos duma criatura mitológica invisível pra morrer nas mãos dela...
_ Eu posso te ajudar com isso. _ falou Guilherme.
Ele foi até a lataria despedaçada do veículo e tocando nela, começou aos olhos de todos ali a cena mais fantástica que viram naquele dia, se é que é possível escolher uma, entre tantas vistas naquele dia.
O carro de Daniel se consertou sozinho, ficando novo por inteiro.Daniel abraçando Guilherme falou:
_ Caraca! Qual o seu nome mesmo, meu querido? Você salvou minha vida!
_ Pensei que tivesse sido eu, indo até o monstro pra te tirar de lá e agarrando ele. _ Falou ironicamente Fabiano.
_ Ë Guilherme, mas podem me chamar de Guilla!Vocês são incríveis!
_ Incrível é você meu caro. E sabe, precisamos que você se junte a nós. Sei que tudo é muito louco, mas com o tempo a gente tenta colocar os pontos que faltam. Não vou aceitar um não como resposta! _ falou Vicente.
_ Vamos pro minha casa! Lá a gente pode conversar melhor e decidir o que fazer.
_ Acho que vou pra casa... _ Falou Fátima.
_ Eu também estou vazando... _ Falou Charles.
_ Nada disso, gente! Temos que conversar, vocês viram o mesmo que eu, né? A gente tem que se organizar pra decidir o que fazer.
_ Mas por onde vamos começar, Daniel? Vamos fazer o quê? As coisas tem que acontecer primeiro. _ Retrucou Fátima.
_ Vamos sim, todos, inclusive você, Sr. Charles. Depois todo mundo volta para suas casas e vidas, mas primeiro vamos traçar um plano pro caso de termos que nos encontrar de novo. _ Falou Vicente
_ Cara, você é muito chato, sabia? _ Falou Charles.
_ Eu estou de moto! Alguém quer carona? Prometo que não corro!_ Perguntou Fabiano.
Os grupo foi no carro de Daniel pra sua casa em Copacabana, Fabiano os acompanhou o tempo todo na moto, após antes ter dado alguma desculpa pra sua namorada.
No apartamento do rapaz, após terem conhecido seus avós, foram para o seu quarto, enquanto Daniel e Vicente preparavam na cozinha, alguma coisa para todos comerem. Fabiano brincou com o fato de serem os homens que estavam na cozinha e não Fátima, que era mulher e poderia ajuda-los, ela mandou o jogador pra um lugar não muito agradável e todos caíram na gargalhada. O clima entre eles começava a ficar aconchegante e até o ranzinza e calado Charles já demonstrava entrosamento com o grupo.
Cada um começou perguntando sobre o que estavam fazendo pra estarem ali naquele momento do acidente com o carro.
Vicente não tinha um argumento racional para dar ao grupo. Não poderia explicar que estava ali passeando ou assistindo ao jogo de futebol americano de Fabiano por acaso. Poderia falar a verdade? Desconversou sobre si mesmo. Charles notou...
Perguntaram sobre os poderes um do outro. Guilla explicou que ele podia mexer com a matéria, mudar suas propriedades. Podia também consertar algo quebrado, se de alguma forma pudesse entender o que deveria ser feito, como no caso do carro de Daniel, ele remendou todas as partes que estavam secionadas, religando os átomos do objeto. No caso das criaturas, ele ao ver as pegadas na areia, pensou em resfriar o ar e a água ambiente ao redor deles e as estátuas surgiram. Quis que o gelo fosse criado de forma que não sofresse aquecimento ambiente e portanto não derretesse. Não podia ainda transformar um material em outro, mas achava que um dia poderia conseguir, como no caso dos antigos alquimistas que procuravam a formula pra transformar chumbo em ouro.Seu poder moldava ou alterava matéria, mas não matéria orgânica.
Ao perguntarem sobre os poderes de Fabiano, esse respondeu que nunca, em toda sua vida tinha ficado doente, ou se machucado feio.Que ao entrar na puberdade, descobriu que seu corpo mudava, se adaptava sempre que precisava, como se para prepara-lo para superar um obstáculo qualquer. Se precisava chegar rápido correndo pra algum lugar, era sempre o mais rápido, não importa com quem estivesse competindo. Na academia, não conseguia malhar ao ponto de inchar os músculos, pois todos os pesos e aparelhos ficavam levíssimos para ele após experimentar uma vez. Uma vez, ainda mais jovem do que agora com seus vinte e seis anos, ficou debaixo dàgua pra ver quanto tempo podia ficar sem respirar. Não conseguiu, pois de alguma forma, debaixo dàgua não precisava respirar ou se quisesse , respirava água normalmente! Se cortasse sua pele com uma faca, logo toda ela ficava parecida com o metal da lâmina e não mais, tão sedo, poderia ser cortado pela mesma faço ou qualquer outra.
Quando perguntaram sobre os poderes de Charles, ele disse que não interessava a eles, que não tinha nenhum. Que sabia lutar, muito bem por sinal . Admitiu que tinha sido ele a matar a criatura que fazia dupla com a que se acidentou no carro de Daniel. Complicou-se quando não sabia explicar como podia também ver os minotauros da mesma forma que Fátima. Daniel falou:
_ Legal...você simplesmente anda de bobeira pela rua com uma katana debaixo do casaco, num dia de sol de quarenta graus a sombra...muito normal.
Todos riram e continuavam a esperar respostas de Charles. Daniel pediu desculpas, pois iria se ausentar do quarto por uns instantes para tomar uma ducha e saiu. Fabiano falou:
_ Vicente, você sabe que temos que continuar juntos, foi o que o Guto falou, ele também disse que mais outras pessoas como nós iriam aparecer, nem todas pra ajudar... o que você acha? Esperamos? Vamos criar um plano pra mantermos contato sempre, caso algo aconteça.
_ Quanto a tal mulher da água? Não é isso?...
_ “Velha da água”, Fátima. _ Respondeu Vicente ainda pensativo.
_ Vocês acham que ela vai aparecer? Vocês acham que se ouvirmos novamente o chamado dela, temos que fazer o quê? Nos jogar na água? Numa praia? Numa piscina de roupa e tudo? _ Falou Fabiano.
Do banheiro de Daniel ouve-se seu grito de susto. Eles correm pra lá na mesma hora, inclusive sua avó seu avô e sua cachorra cega.
Ao chegarem, encontraram um Daniel pelado, mal enrolado em uma toalha e dentro do Box do chuveiro uma garota de cabelos compridos e seios fartos, vestida num maiô e debaixo da cascata de água, tão surpresa quanto eles. Daniel se explica:
_ Galera, eu abri a ducha e quando olhei pra dentro do chuveiro, ela tinha aparecido ali! Não que eu esteja reclamando nem nada...
_ Oi...gente..Meu nome é Samara...Eu tenho um recado da velha da água...acho que é pra vocês...
CONTINUA...
domingo, 15 de abril de 2007
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2 comentários:
po, interessante isso de aparecer uma peituda debaixo do chuveiro. Mas podia ser sem o maiô, né? eheheh
Olha o respeita rapá! hahaha
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